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Questão de Português — Crase — CESGRANRIO 2025

PortuguêsCrase
Código
cg057981
Banca
CESGRANRIO
Órgão
BANESE
Ano
2025
Cargo
Tec Ban I ( )

Atravessamos um período de urgente preocupação climática. 

 

No Brasil, seca intensa, incêndios devastadores em diversos biomas e desastres como as chuvas que atingiram o Sul do país em 2024. No mundo, inundações no Saara e, em muitos outros países, elevação das temperaturas e do nível do mar. Para o campo da história, apesar de hoje os estudos que tratam de mudanças climáticas se mostrarem mais atuais que nunca, esse não é um tema novo, uma vez que muitos autores nos séculos 18 e 19 já pensavam a saúde e a doença a partir de suas relações com o ambiente e o clima.

 

Um pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) tem se dedicado a temas ambientais e às transformações ecológicas que caracterizam o chamado Antropoceno, termo que designa uma nova época geológica definida pelo impacto do homem na Terra. Ele analisa como a relação entre clima e saúde foi percebida ao longo da história, afirmando que as mudanças climáticas interferem na saúde, podendo influenciar na propagação de vetores — como mosquitos que transmitem doenças —, na qualidade das águas e do ar, na fisiologia dos organismos e na produção de alimentos.  

 

Para o pesquisador, a covid-19 trouxe à tona a discussão sobre a pandemia como parte de uma crise sistêmica, o que ocorreu não apenas entre cientistas e historiadores da doença e da medicina, mas também na esfera pública, na grande mídia e nas redes sociais. “Durante a pandemia, na imprensa, nas redes, ouvimos frases como ‘isso é uma expressão da crise ecológica’, ‘a humanidade é o vírus’. E essa questão não é supernova”.  

 

Ele afirma que há correntes nos séculos 18 e 19 que pensavam a saúde de forma abrangente e integrada ao meio ambiente. Isso é bastante claro no século 19, porque a própria maneira de conceber as inter-relações entre doença, corpo e ambiente tinha base nas ideias do neo-hipocratismo, de que os corpos precisam estar em equilíbrio com o ambiente e que o desequilíbrio causa a doença.  

 

Entre os estudos citados pelo pesquisador, consta uma pesquisa sobre a malária no interior de São Paulo, cuja proposta é pensar essas epidemias, conectando-as com a dinâmica do Tietê: “A malária é uma doença muito dependente de fatores ecológicos, muito ligada a questões climáticas, aos regimes hídricos. Ela convida a pensar a história das doenças não apenas como a narrativa da campanha de saúde pública focada em vacinas e antibióticos; essa é uma história que também envolve atores que pensaram doença e saúde de maneira a integrar as relações biológicas, as relações com o ambiente e com o clima”.  

 

A COC/Fiocruz tem uma forte tradição de pesquisas sobre a Amazônia. A razão disso, segundo o pesquisador, deve-se “à importância incontornável que a Amazônia tem nos estudos científicos e na saúde pública e pela própria densidade das pesquisas que vão se realizar a partir da segunda metade do século 20”. O bioma pode ser visto como uma representação dos processos e dos impactos globais que caracterizam o Antropoceno, refletindo as interações e as tensões entre os humanos e a natureza em uma área específica. “É quase um truísmo afirmar que é importante conservar a Amazônia por causa de seu papel na regulação climática, da chuva e do ciclo da água. A Amazônia é uma região vital para o equilíbrio do clima, da biodiversidade e dos recursos naturais, representando muitos dos desafios globais enfrentados em termos de conservação ambiental e impacto humano”.  

 

O pesquisador também destacou o caráter transnacional da própria Amazônia, que se estende por nove países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Venezuela e Suriname), acrescentando que o bioma ultrapassa as fronteiras políticas e que a história ambiental, por si só, já problematiza a ideia de uma história nacional, uma vez que rios, biomas e paisagens atravessam territórios. Além disso, sempre houve na região grandes projetos com financiamento de instituições internacionais e multilaterais. O pesquisador ressaltou ainda que há uma perspectiva na escrita da história de pensar a Amazônia de forma global desde a época colonial.  

 

Analisando a forma como a história lidou com o clima, o pesquisador afirma que por muito tempo as ciências sociais estiveram intimamente ligadas ao tema, no entanto, muitas vezes de maneira determinista, inclusive, justificando o colonialismo: “as ideias sobre clima, em muitos casos, envolveram uma visão racista a partir do pensamento de que povos, clima e ambiente tinham seus respectivos lugares. Isso foi uma estrutura para a legitimação científica do conceito de raça. Ou seja, assim como plantas e animais são ligados a ambientes específicos, o mesmo aconteceria com as raças humanas. Então, por muito tempo, a questão do clima, do ambiente, foi muito ligada a essa visão determinista, que teve consequências danosas ao servir de suporte para o racismo e o colonialismo”.    

 

Para ele, no entanto, agora, com a emergência da questão das mudanças climáticas contemporâneas, o clima vem sendo recuperado como “partícipe da história” e não mais a partir da ideia de que o clima determina a história e o caráter da sociedade. “Não é mais possível pensar processos climáticos sem considerar seus enredamentos com agência humana, com as organizações sociais e os processos políticos”.  

 

MANNHEIMER, Vivian. Com crise atual, clima passa a ser visto como ator relevante na História. Agência Fiocruz de Notícia, 12 nov. 2024.

Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/com-crise- atual-clima-passa-ser-visto-como-ator-relevante-na-historia. Acesso em: 18 jan. 2025. Adaptado.

Com crise atual, clima passa a ser visto como ator relevante na História     O acento grave indicativo de crase nos termos em destaque está empregado de acordo com as regras da norma- -padrão da Língua Portuguesa em:
  1. AA conscientização sobre às mudanças climáticas é essencial para um futuro sustentável.
  2. BAs mudanças climáticas estão afetando à vida marinha a uma velocidade alarmante.
  3. CAs ações humanas têm levado à uma diminuição da biodiversidade e a alterações climáticas.
  4. DAs alterações no clima ajudam à intensificar desastres naturais ao redor do mundo.
  5. EA necessidade de adaptar a agricultura às mudanças climáticas é urgente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — A necessidade de adaptar a agricultura às mudanças climáticas é urgente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: quando o acento grave é obrigatório

Gabarito: letra E. A única alternativa em que o acento grave é obrigatório é a E, pois o verbo adaptar exige a preposição a (quem adapta, adapta a algo) e o substantivo mudanças admite o artigo feminino as — fusão de a + as = às. Como se vê na alternativa: "adaptar a agricultura às mudanças climáticas". As demais ou usam crase onde é proibida (antes de verbo, de artigo indefinido, de palavra masculina) ou onde não há preposição exigida.

O comando

A questão pede que você identifique em qual frase o acento grave está de acordo com a norma-padrão. Isso é uma questão de gramática normativa, especificamente de crase. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra: crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a(s) ou com o a inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para saber se há crase, você precisa verificar duas coisas: (1) o termo anterior exige a preposição a? (2) o termo seguinte é uma palavra feminina que aceita o artigo a? Se sim, há crase; se não, não há.

A técnica que decide

O método infalível é o teste do troca: substitua a palavra feminina por uma masculina correspondente. Se aparecer ao, há crase; se aparecer ao não, não há. Exemplo: "adaptar a agricultura às mudanças" → "adaptar a agricultura aos novos tempos" (aparece aos, então há crase). Aplique esse teste em cada alternativa e você verá que só a E passa.

Outra dica: desconfie de crase antes de verbo (nunca há), antes de artigo indefinido (uma, umas — nunca há), antes de palavra masculina (nunca há) e antes de pronome de tratamento (nunca há, exceto senhora, senhorita, madame, dona). Esses são os casos proibidos mais cobrados.

Análise das alternativas

Crase (fusão a + a)
  • 1Requisitos
    • Termo anterior exige preposição a
    • Termo seguinte: feminino + aceita artigo
  • 2Casos proibidos
    • Antes de verbo
    • Antes de artigo indefinido (uma)
    • Antes de palavra masculina
    • Antes de pronome de tratamento
  • 3Teste do troca
    • Trocar por palavra masculina
    • Aparece "ao" → [+] há crase
    • Não aparece "ao" → [-] não há crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"A conscientização sobre às mudanças climáticas é essencial"

Aqui, o nome conscientização rege a preposição sobre, não a. Portanto, não há preposição a para fundir com o artigo as. O correto seria "conscientização sobre as mudanças" (sem crase). A alternativa extrapola a regra: usa crase onde não há exigência de preposição a.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"As mudanças climáticas estão afetando à vida marinha a uma velocidade alarmante."

O verbo afetar é transitivo direto: quem afeta, afeta algo (sem preposição). Portanto, não há preposição a antes de "vida marinha". O correto seria "afetando a vida marinha" (sem crase). A alternativa contradiz a regência do verbo: usa crase onde o verbo não pede preposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"As ações humanas têm levado à uma diminuição da biodiversidade"

Aqui há dois erros. Primeiro, o verbo levar exige a preposição a (quem leva, leva a algo), então a preposição existe. Porém, o termo seguinte é uma (artigo indefinido), que não admite crase. O correto seria "levado a uma diminuição". A alternativa erra ao usar crase antes de artigo indefinido — caso proibido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"As alterações no clima ajudam à intensificar desastres naturais"

O verbo ajudar pode ser transitivo direto ou indireto, mas aqui o complemento é um verbo no infinitivo (intensificar). Nunca há crase antes de verbo. O correto seria "ajudam a intensificar". A alternativa erra ao usar crase antes de verbo — caso proibido.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A necessidade de adaptar a agricultura às mudanças climáticas é urgente."

O verbo adaptar exige a preposição a (quem adapta, adapta a algo). O substantivo mudanças é feminino e admite o artigo as. Fusão: a + as = às. Aplicando o teste do troca: "adaptar a agricultura aos novos tempos" — aparece aos, confirmando a crase. Esta é a única alternativa em que o acento grave é obrigatório e correto.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de reconhecer a crase obrigatória (preposição + artigo) e os casos proibidos (antes de verbo, artigo indefinido, palavra masculina). A alternativa E é a única que cumpre os dois requisitos: regência com a + palavra feminina com artigo. As demais falham por usar crase onde não há preposição (A, B) ou onde é proibida (C, D).

PEGA ESSA DICA!

Sempre que vir crase, pergunte: "o termo anterior exige a preposição a?" e "o termo seguinte é feminino e aceita artigo?" Se qualquer resposta for não, não há crase. O teste do troca por palavra masculina resolve na hora.

Gabarito: letra E

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