Inferência em poema de Drummond
Gabarito: letra D. O poema constrói uma reflexão irônica sobre a ideia de que haveria uma idade adequada para sofrer. A última estrofe explicita que, se não se está mais na idade de sofrer, é porque se está morto, vinculando a ausência de sofrimento exclusivamente à morte. A resposta deve ser extraída por inferência, não por leitura literal.
"E se não estou mais na idade de sofrer / é porque estou morto, e morto / é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?"
O eu lírico conclui que a única forma de não sentir sofrimento é a morte, pois esta é a idade de não sentir.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O poema não aborda a alegria nem a compara com horas calmas. Trata-se de um tema estranho ao texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação com opinião embutida. O texto questiona se existe idade apropriada para sofrer ("Há então a idade de sofrer...?"), mas a alternativa afirma categoricamente que sim. O poema é crítico a essa noção, não a afirma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. Não há referência à juventude nem à evitação do sofrimento. O poema fala em "idade de sofrer", mas não especifica qual seria.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Sustentação: O poema liga a ausência de sofrimento à morte: "morto / é a idade de não sentir as coisas". Logo, infere-se que, para o eu lírico, a morte é a única condição para não sofrer. Inferência legítima, pois a passagem obriga à conclusão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O poema não compara frequência de sofrimento entre velhice e juventude. A ideia de "idade própria" é genérica, não etária.
Conclusão: A única alternativa inteiramente amparada pelo texto é a D. As demais ou introduzem elementos alheios ou contradizem o tom questionador do poema.