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Questão de História — História do Brasil — FCC 2015

HistóriaHistória do Brasil
Código
fc025392
Banca
FCC
Órgão
TRT - 3ª Região (MG)
Ano
2015
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - História
Ao longo de quase quatro séculos que durou o trabalho escravo no Brasil, o negro era sinônimo de escravo e encarado como mercadoria. Durante esse período, nas lavouras de cana de açúcar, via de regra, os escravos
  1. Ainfratores eram julgados pela Justiça do Trabalho da metrópole.
  2. Bcumpriam jornadas de trabalho de tempo ilimitado.
  3. Ctinham direito à sua vida e produziam sua própria economia.
  4. Dpossuíam uma legislação de trabalho compulsório própria.
  5. Eeram vistos como uma massa de trabalhadores nacionais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — cumpriam jornadas de trabalho de tempo ilimitado.

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Trabalho escravo no Brasil: jornada ilimitada nas lavouras de cana

Gabarito: letra B. Durante todo o período colonial e imperial, o escravo era juridicamente considerado uma mercadoria, sem direitos trabalhistas ou limite de jornada. A exploração era total, e o senhor de engenho determinava a carga horária de acordo com sua vontade, sem qualquer regulamentação estatal. As demais alternativas projetam anacronicamente direitos ou instituições modernas (Justiça do Trabalho, legislação própria) que não existiam para a mão de obra escrava.

A banca testa o conhecimento básico sobre a realidade do escravismo colonial: o escravo não possuía autonomia pessoal, não era sujeito de direitos e sua força de trabalho era extraída sem limites. A escravidão no Brasil só foi abolida em 1888 com a Lei Áurea, e antes disso não havia qualquer norma que estabelecesse jornada máxima, descanso semanal ou proteção ao trabalhador cativo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A Justiça do Trabalho no Brasil foi instituída apenas em 1941 (antes, havia Juntas de Conciliação e Julgamento a partir de 1932) e jamais teve competência para julgar escravos, que não eram considerados trabalhadores, mas sim propriedade. No período colonial e imperial, os escravos infratores eram punidos pelo próprio senhor ou, em casos graves, pela justiça comum (não trabalhista).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os escravos nas lavouras de cana-de-açúcar trabalhavam {{jornadas extenuantes, do nascer ao pôr do sol}}, sem qualquer limite legal. O senhor de engenho decidia a duração do trabalho, muitas vezes ultrapassando 12, 14 ou 16 horas diárias, especialmente durante a safra. Não existia conceito de jornada de trabalho para escravos. A alternativa capta exatamente essa realidade de exploração ilimitada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os escravos não tinham direito à sua própria vida — eram propriedade do senhor, que podia dispor deles como bem entendesse, inclusive castigá-los fisicamente ou vendê-los. A expressão ''produzir sua própria economia'' é equivocada: o escravo não produzia para si, mas sim para o senhor; eventualmente, alguns recebiam pequenos roçados para subsistência (''brecha camponesa''), mas esse não era um direito, e sim uma concessão do senhor. A alternativa generaliza uma situação excepcional como regra.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não existia uma ''legislação de trabalho compulsório'' própria para escravos. O que havia eram as Ordenações Filipinas (1603) e algumas leis esparsas que tratavam de escravos como propriedade, não como trabalhadores com direitos. O trabalho escravo era regulado pelo direito de propriedade, e não por uma legislação trabalhista. A escravidão era uma relação de domínio, não de trabalho assalariado ou compulsório regulado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os escravos não eram vistos como ''massa de trabalhadores nacionais''. Eram considerados estrangeiros africanos ou seus descendentes, e mesmo os crioulos (nascidos no Brasil) eram excluídos da condição de cidadãos. O termo ''nacionais'' remete a uma ideia de pertencimento à nação que não se aplicava aos escravos no período colonial/imperial. Após a independência, a escravidão continuou, e os escravos só foram reconhecidos como brasileiros com a Lei do Ventre Livre (1871) e, de fato, com a abolição. A alternativa confunde a realidade com um conceito moderno de trabalhador nacional.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa alternativas que ''soam modernas'' (Justiça do Trabalho, legislação própria, direito à vida) para testar se o aluno projeta instituições atuais no passado escravocrata. A única alternativa que descreve corretamente a falta de limites é a letra B. Lembre-se: escravo não tinha direitos trabalhistas.

Gabarito: letra B.

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