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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FCC 2015

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fc026797
Banca
FCC
Órgão
DPE-RR
Ano
2015
Nível
Médio
Por volta de 1968, impressionado com a quantidade de bois que Guimarães Rosa conduzia do pasto ao sonho, julguei que o bom mineiro não ficaria chateado comigo se usasse um deles num poema cabuloso que estava precisando de um boi, só um boi. Mas por que diabos um poema panfletário de um cara de vinte anos de idade, que morava num bairro inteiramente urbanizado, iria precisar de um boi? Não podia então ter pensado naqueles bois que puxavam as grandes carroças de lixo que chegara a ver em sua infância? O fato é que na época eu estava lendo toda a obra publicada de Guimarães Rosa, e isso influiu direto na minha escolha. Tudo bem, mas onde o boi ia entrar no poema? Digo mal; um bom poeta é de fato capaz de colocar o que bem entenda dentro dos seus versos. Mas você disse que era um poema panfletário; o que é que um boi pode fazer num poema panfletário? Vamos, confesse. Confesso. Eu queria um boi perdido no asfalto; sei que era exatamente isso o que eu queria; queria que a minha namorada visse que eu seria capaz de pegar um boi de Guimarães Rosa e desfilar sua solidão bovina num mundo completamente estranho para ele, sangrando a língua sem encontrar senão o chão duro e escaldante, perplexo diante dos homens de cabeça baixa, desviando-se dos bêbados e dos carros, sem saber muito bem onde ele entrava nessa história toda de opressores e oprimidos; no fundo, dentro do meu egoísmo libertador, eu queria um boi poema concreto no asfalto, para que minha impotência diante dos donos do poder se configurasse no berro imenso desse boi de literatura, e o meu coração, ou minha índole, ficasse para sempre marcado por esse poderoso símbolo de resistência. Fez muito sucesso, entre os colegas, o meu boi no asfalto; sei até onde está o velho caderno com o velho poema. Mas não vou pegá-lo − o poema já foi reescrito várias vezes em outros poemas; e o meu boi no asfalto ainda me enche de luz, transformado em minha própria estrelaDe acordo com o texto, o autor
  1. Aprocurou, com a metáfora do boi, um animal rural, mostrar sua inadequação à modernidade, impotente para satisfazê-lo em seus anseios mais profundos.
  2. Busou, ainda que sem a autorização de Guimarães Rosa, um de seus personagens como protagonista de um poema de caráter comercial.
  3. Ccompôs um poema para sua namorada, mostrando toda sua angústia e descontentamento em relação às injustiças praticadas contra os animais.
  4. Dqueria, por mais inusitado que fosse para a temática política, incluir um boi em seu poema, que refletisse seu posicionamento alheio a toda ordem preestabelecida.
  5. Eescrevia textos de cunho político, ainda que o tom panfletário vez e outra interferisse em seus objetivos iniciais, que eram agradar a seus amigos militantes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — queria, por mais inusitado que fosse para a temática política, incluir um boi em seu poema, que refletisse seu posicionamento alheio a toda ordem preestabelecida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão textual – Uso do boi em poema panfletário

Gabarito: letra D. O autor queria, de forma inusitada para a temática política (panfletária), incluir um boi em seu poema, refletindo seu posicionamento alheio à ordem estabelecida – tanto pela escolha inusitada quanto pelo simbolismo do boi perdido no asfalto. O texto sustenta essa ideia em passagens como: “Mas por que diabos um poema panfletário de um cara de vinte anos […] iria precisar de um boi?” (reconhecendo o inusitado) e “para que minha impotência diante dos donos do poder se configurasse no berro imenso desse boi de literatura, e o meu coração […] ficasse para sempre marcado por esse poderoso símbolo de resistência” (posicionamento alheio à ordem).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Procura mostrar inadequação do animal à modernidade e impotência do autor? O texto usa o boi como símbolo de resistência, não como inadequado; a impotência é do autor, mas não se afirma que o boi mostre inadequação. Extrapola e distorce o foco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma uso sem autorização e caráter comercial. O texto menciona que o autor “julguei que o bom mineiro não ficaria chateado” (autorização presumida, mas não central), e classifica o poema como “panfletário”, não comercial. A ideia de “personagem” é imprecisa (é um boi, não personagem). Contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o poema foi para a namorada mostrando angústia contra injustiças com animais. O texto mostra que o poema foi para a namorada ver sua habilidade, e o boi é símbolo de opressão humana, não de maus-tratos animais. Extrapola e inverte o alvo.

Alternativa D — ✅ Correta

Conforme exposto: o inusitado (boi em poema político) e o posicionamento alheio à ordem (símbolo de resistência, “perplexo diante dos homens de cabeça baixa”, “desviando-se dos bêbados e dos carros”). O trecho “queria um boi perdido no asfalto” e “para que minha impotência […] se configurasse” confirma a intenção. ⬅️ GABARITO

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o tom panfletário interferia nos objetivos de agradar amigos militantes. O texto não menciona “objetivos iniciais” nem “amigos militantes”; o poema fez sucesso entre colegas, mas não se diz que eles eram militantes. Invenção.

Conclusão: A única alternativa inteiramente apoiada no texto é a D, que capta o inusitado e o posicionamento de resistência alheio à ordem estabelecida. Gabarito: letra D.

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