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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FCC 2015

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fc026925
Banca
FCC
Órgão
MANAUSPREV
Ano
2015
Nível
Médio
O texto abaixo refere-se à questão.O primeiro... problema que as árvores parecem propor-nos é o de nos conformarmos com a sua mudez. Desejaríamos que falassem, como falam os animais, como falamos nós mesmos. Entretanto, elas e as pedras reservam-se o privilégio do silêncio, num mundo em que todos os seres têm pressa de se desnudar. Fiéis a si mesmas, decididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos, procuram as árvores ignorar tudo de uma composição social que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta, fundada que está na linguagem articulada, no jogo de transmissão do mais íntimo pelo mais coletivo.Grave e solitário, o tronco vive num estado de impermeabilidade ao som, a que os humanos só atingem por alguns instantes e através da tragédia clássica. Não logramos comovê-lo, comunicar-lhe nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade, consideramo-lo um elemento da paisagem, e pintamo-lo. Ele pende, lápis ou óleo, de nossa parede, mas esse artifício não nos ilude, não incorpora a árvore à atmosfera de nossos cuidados. O fumo dos cigarros, subindo até o quadro, parece vagamente aborrecê-la, e certas árvores de Van Gogh, na sua crispação, têm algo de protesto.De resto, o homem vai renunciando a esse processo de captura da árvore através da arte. Uma revista de vanguarda reúne algumas dessas representações, desde uma tapeçaria persa do século IV, onde aparece a palmeira heráldica, até Chirico, o criador da árvore genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título: Decadência da Árvore. Vemos através desse documentário que num Claude Lorrain da Pinacoteca de Munique, Paisagem com Caça, a árvore colossal domina todo o quadro, e a confusão de homens, cães e animal acuado constitui um incidente mínimo, decorativo. Já em Picasso a árvore se torna raríssima, e a aventura humana seduz mais o pintor do que o fundo natural em que ela se desenvolve.O que será talvez um traço da arte moderna, assinalado por Apollinaire, ao escrever: "Os pintores, se ainda observam a natureza, já não a imitam, evitando cuidadosamente a reprodução de cenas naturais observadas ou reconstituídas pelo estudo... Se o fim da pintura continua a ser, como sempre foi, o prazer dos olhos, hoje pedimos ao amador que procure tirar dela um prazer diferente do proporcionado pelo espetáculo das coisas naturais". Renunciamos assim às árvores, ou nos permitimos fabricá-las à feição dos nossos sonhos, que elas, polidamente, se permitem ignorar.(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. "A árvore e o homem", em Passeios na Ilha, Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 7-8)Identifica-se um efeito e sua causa, respectivamente, nos segmentos:
  1. Adecididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos // procuram as árvores ignorar tudo (1º parágrafo)
  2. BRenunciamos assim às árvores // ou nos permitimos fabricá-las (4º parágrafo)
  3. Cque talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta // fundada que está na linguagem articulada (1º parágrafo)
  4. Dincapazes de trazê-lo à nossa domesticidade // consideramo-lo um elemento da paisagem (2º parágrafo)
  5. Ea aventura humana seduz mais o pintor // do que o fundo natural em que ela se desenvolve (3º parágrafo)
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GabaritoC — que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta // fundada que está na linguagem articulada (1º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Identificação de relação causa-efeito em segmentos do texto

Gabarito: letra C. O segmento "que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta" expressa o efeito (a composição social parece monstruosamente indiscreta), e "fundada que está na linguagem articulada" expressa a causa (porque é fundada na linguagem articulada). Essa relação está explicitada no texto: a composição social é indiscreta porque é fundada na linguagem articulada.

"...procuram as árvores ignorar tudo de uma composição social que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta, fundada que está na linguagem articulada..."

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os segmentos "decididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos" e "procuram as árvores ignorar tudo" apresentam, respectivamente, causa e efeito (as árvores decidem guardar silêncio, por isso ignoram a composição social), e não o contrário. A banca inverteu a ordem pedida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Renunciamos assim às árvores // ou nos permitimos fabricá-las" — o conectivo "ou" indica alternância, não relação de causa e consequência. São duas possibilidades, não uma causa que gera um efeito.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme demonstrado, os segmentos correspondem exatamente a efeito e causa, respectivamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade // consideramo-lo um elemento da paisagem" — novamente, a ordem está invertida. A incapacidade (causa) leva a considerá-lo elemento da paisagem (efeito). O enunciado pedia efeito seguido de causa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"a aventura humana seduz mais o pintor // do que o fundo natural em que ela se desenvolve" — trata-se de uma comparação (mais... do que), não de relação causal. Não há causa nem efeito.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar causa e efeito, observe conectivos causais ("porque", "pois", "já que") ou estruturas que indiquem razão (como "fundada que está"). e verifique a ordem solicitada no enunciado.

Gabarito: letra C

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