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Questão de Português — Uso do ponto e vírgula — FCC 2015

PortuguêsUso do ponto e vírgula
Código
fc026926
Banca
FCC
Órgão
MANAUSPREV
Ano
2015
Nível
Médio
O texto abaixo refere-se à questão. O primeiro... problema que as árvores parecem propor-nos é o de nos conformarmos com a sua mudez. Desejaríamos que falassem, como falam os animais, como falamos nós mesmos. Entretanto, elas e as pedras reservam-se o privilégio do silêncio, num mundo em que todos os seres têm pressa de se desnudar. Fiéis a si mesmas, decididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos, procuram as árvores ignorar tudo de uma composição social que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta, fundada que está na linguagem articulada, no jogo de transmissão do mais íntimo pelo mais coletivo.Grave e solitário, o tronco vive num estado de impermeabilidade ao som, a que os humanos só atingem por alguns instantes e através da tragédia clássica. Não logramos comovê-lo, comunicar-lhe nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade, consideramo-lo um elemento da paisagem, e pintamo-lo. Ele pende, lápis ou óleo, de nossa parede, mas esse artifício não nos ilude, não incorpora a árvore à atmosfera de nossos cuidados. O fumo dos cigarros, subindo até o quadro, parece vagamente aborrecê-la, e certas árvores de Van Gogh, na sua crispação, têm algo de protesto.De resto, o homem vai renunciando a esse processo de captura da árvore através da arte. Uma revista de vanguarda reúne algumas dessas representações, desde uma tapeçaria persa do século IV, onde aparece a palmeira heráldica, até Chirico, o criador da árvore genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título: Decadência da Árvore. Vemos através desse documentário que num Claude Lorrain da Pinacoteca de Munique, Paisagem com Caça, a árvore colossal domina todo o quadro, e a confusão de homens, cães e animal acuado constitui um incidente mínimo, decorativo. Já em Picasso a árvore se torna raríssima, e a aventura humana seduz mais o pintor do que o fundo natural em que ela se desenvolve.O que será talvez um traço da arte moderna, assinalado por Apollinaire, ao escrever: "Os pintores, se ainda observam a natureza, já não a imitam, evitando cuidadosamente a reprodução de cenas naturais observadas ou reconstituídas pelo estudo... Se o fim da pintura continua a ser, como sempre foi, o prazer dos olhos, hoje pedimos ao amador que procure tirar dela um prazer diferente do proporcionado pelo espetáculo das coisas naturais". Renunciamos assim às árvores, ou nos permitimos fabricá-las à feição dos nossos sonhos, que elas, polidamente, se permitem ignorar.(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. "A árvore e o homem", em Passeios na Ilha, Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 7-8)Atente para as frases abaixo sobre a pontuação do texto.I. No segmento ...genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título... (3o parágrafo), a vírgula pode ser corretamente suprimida, uma vez que é seguida da conjunção aditiva "e".II. No segmento ...nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo... (2o parágrafo), o ponto final pode ser corretamente substituído por ponto e vírgula, feita a alteração entre maiúscula e minúscula.III. No segmento ...seduz mais o pintor do que o fundo natural... (3o parágrafo), o acréscimo de uma vírgula imediatamente após "pintor" acarretaria a separação equivocada do verbo e seu complemento.Está correto o que se afirma APENAS em
  1. AI e II.
  2. BIII.
  3. CII.
  4. DII e III.
  5. EI.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: vírgula, ponto e vírgula e separação verbo-complemento

Gabarito: letra C — apenas o item II está correto.

A questão testa a compreensão das regras de pontuação aplicadas a trechos específicos do texto. É preciso analisar cada item à luz da norma gramatical, sem extrapolar ou inventar regras.


Item I — ❌ Incorreto

Afirmação: a vírgula no trecho "genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título" pode ser suprimida porque é seguida da conjunção aditiva "e".

Análise: No texto, a vírgula antes de "e" não está ali por causa da conjunção, mas sim para fechar o aposto explicativo: "o criador da árvore genealógica do sonho". O aposto é um termo que explica ou especifica o antecedente ("Chirico") e deve ser isolado por vírgulas. A estrutura é:

"...até Chirico, o criador da árvore genealógica do sonho, e dá a tudo isso o título..."

A primeira vírgula separa o aposto de "Chirico"; a segunda, antes de "e", fecha o aposto. Suprimir essa segunda vírgula deixaria o aposto sem o isolamento adequado, podendo gerar ambiguidade (quem "dá o título"? Chirico ou o criador?). A regra de que antes de "e" não se usa vírgula aplica-se a orações coordenadas ou termos de mesma função, mas não se sobrepõe à necessidade de isolar aposto explicativo. Portanto, a vírgula é obrigatória, não facultativa. Item incorreto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa a regra geral (vírgula antes de "e" é proibida) para tentar justificar a supressão, mas ignora a função específica da vírgula no isolamento do aposto.


Item II — ✅ Correto ⟵ GABARITO

Afirmação: o ponto final após "nossa intemperança" pode ser substituído por ponto e vírgula, com ajuste de maiúscula/minúscula.

Análise: No texto:

"Não logramos comovê-lo, comunicar-lhe nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo à nossa domesticidade..."

O ponto final separa duas orações coordenadas. A segunda oração começa com "Então", que pode funcionar como conectivo. O ponto e vírgula é adequado para separar orações coordenadas que têm certa autonomia e já contêm vírgulas internas (como "incapazes de trazê-lo..." possui vírgula após "Então"). A substituição é gramaticalmente correta, desde que se converta a maiúscula "E" em minúscula "e". A banca reconhece essa possibilidade. Item correto.

PEGA ESSA DICA!

O ponto e vírgula é frequentemente usado entre orações coordenadas que já utilizam vírgulas internamente, ou que têm relação de causa-consequência ou continuidade.


Item III — ❌ Incorreto

Afirmação: acrescentar uma vírgula imediatamente após "pintor" no trecho "...seduz mais o pintor do que o fundo natural..." separaria equivocadamente o verbo e seu complemento.

Análise: No texto:

"a aventura humana seduz mais o pintor do que o fundo natural em que ela se desenvolve."

O verbo é "seduz", o objeto direto é "o pintor". A estrutura é: verbo + advérbio "mais" + objeto direto. A vírgula após "pintor" estaria depois do objeto direto, não entre o verbo e o objeto. Portanto, não haveria separação do verbo e seu complemento. A vírgula separaria o objeto da locução comparativa "do que o fundo natural", o que é permitido em algumas situações (embora possa criar uma pausa desnecessária). A afirmação de que "acarretaria separação equivocada do verbo e seu complemento" é falsa, pois o complemento já foi expresso antes da vírgula. Logo, o item está incorreto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca sugere que a vírgula após "pintor" separaria verbo e complemento, mas o complemento já está completo. O candidato pode ser levado a achar que "seduz mais" é o verbo e "o pintor" o complemento — e que a vírgula romperia essa ligação. Na verdade, "mais" é advérbio, e a vírgula após o objeto não interfere na relação verbo-objeto.


Conclusão: apenas o item II está correto. Portanto, a resposta é a alternativa C.

Gabarito: letra C

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