Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FCC 2015
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fc027336
Banca
FCC
Órgão
TRE-RR
Ano
2015
Nível
Superior
O consultado poderá dizer consigo que “praga de urubu não mata cavalo”.Infere-se, a partir da referência ao dito popular, que o autor
Ase considera inteiramente livre de quaisquer compromissos relativos à consulta que lhe foi enviada, esquivando-se, também, de tentar conseguir votos para o suposto candidato.
Bdeseja, secretamente e de antemão, que o candidato não consiga comprovar que tem o mérito necessário para justificar sua pretensão de fazer parte da Academia.
Cprocura justificar sua isenção quanto ao questionamento do candidato, mesmo pondo de lado o fato de perceber certo mau agouro embutido na consulta que lhe foi enviada.
Dbusca questionar o mal-estar que sentiu ao receber a consulta do provável candidato, apoiando-se na sabedoria popular, fato que contraria sua formação erudita de acadêmico.
Ese vale da sabedoria popular para considerar-se imune a um eventual desejo secreto do candidato de que surja a vaga com a morte de um dos acadêmicos, até mesmo a dele.
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GabaritoE — se vale da sabedoria popular para considerar-se imune a um eventual desejo secreto do candidato de que surja a vaga com a morte de um dos acadêmicos, até mesmo a dele.
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Interpretação do dito popular no texto
Gabarito: letra E. O autor emprega o dito "praga de urubu não mata cavalo" para expressar que, embora o candidato possa estar secretamente desejando a morte de um acadêmico para que surja uma vaga, o autor se considera imune a essa 'praga' – ou seja, a má intenção não o afeta. Porém, ele admite que "sempre impressiona". A passagem que ancora essa leitura é:
"Não pude deixar de sentir o bem conhecido calefrio aquerôntico, porque então éramos quarenta na Casa de Machado de Assis e falar de candidatura aos acadêmicos sem que haja vaga é um pouco desejar secretamente a morte de um deles. O consultado poderá dizer consigo que 'praga de urubu não mata cavalo'. Mas, que diabo, sempre impressiona."
O autor sugere que a consulta traz implícito um desejo de morte; ele poderia se valer do provérbio para se sentir imune, mas admite que a impressão permanece. A alternativa E parafraseia exatamente essa ideia: o autor se vale da sabedoria popular para considerar-se imune a um eventual desejo secreto de que surja a vaga com a morte de algum acadêmico – inclusive a sua própria.
Análise das distratoras
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o autor "se considera inteiramente livre de quaisquer compromissos" e que "se esquiva de tentar conseguir votos". O texto não menciona compromissos nem pedidos de voto; o autor apenas reage à sondagem. Erro: extrapolação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o autor "deseja secretamente que o candidato não consiga comprovar mérito". O texto não expressa esse desejo; o autor apenas comenta o calafrio que sente. Erro: contradiz o texto (o autor não deseja nada contra o candidato).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alega que o autor "procura justificar sua isenção quanto ao questionamento do candidato, mesmo pondo de lado o fato de perceber certo mau agouro". O autor não se declara isento; ele simplesmente usa o ditado para minimizar o mau agouro. Erro: troca de conceito (isenção ≠ imune à praga).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere que o autor "busca questionar o mal-estar que sentiu, apoiando-se na sabedoria popular, fato que contraria sua formação erudita". Não há no texto qualquer menção a contrariedade entre sabedoria popular e erudição. Erro: extrapolação (acrescenta informação ausente).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme demonstrado, a alternativa captura a inferência central: o autor se vale do provérbio para considerar-se imune ao secreto desejo de morte que a consulta implicava.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de inferência, localize a que ideia o autor recorre para se defender ou justificar. O ditado é a "defesa" do autor contra o mal-estar; a alternativa correta deve refletir essa função.