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Questão de Português — Crase — FCC 2015

PortuguêsCrase
Código
fc027374
Banca
FCC
Órgão
TRT - 23ª REGIÃO (MT)
Ano
2015
Nível
Superior
Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e, muito antes de ir morar no Leblon, o Jardim Botânico foi meu quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu caminhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó. Entrávamos pelo portão principal e seguíamos primeiro pela aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear à beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de pedra, observar o relógio de sol. Mas íamos, sobretudo, catar mulungu. Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta, bem pequena, menor do que um grão de ervilha. Tem a casca lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu vermelho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho à natureza. É bonita. Era um verdadeiro prêmio conseguir encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir de repente a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâminas de grama ou no seio úmido de uma bromélia. Lembro bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para tocar o pequeno grão, que por causa da ponta preta tinha uma aparência que a mim lembrava vagamente um olho. Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era como meu pai, sempre prestava atenção nos detalhes das coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade de mulungus que me restava na palma da mão na hora de ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras vezes apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido ao certo de onde eles vinham, de que árvore ou arbusto caíam aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam no chão ou por entre as folhas e sempre numa determinada região do Jardim Botânico. Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de mulungu. Um dia, procurei no dicionário e descobri que mulungu é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo nome de flor-de-coral. ''Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas, originária da Amazônia e de Mato Grosso, de flores vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as sementes do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas com mácula preta (isto, sim)'', dizia. Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me lembro de jamais ter visto uma dessas sementes lá em casa. De algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a despejá-las nas folhagens todas as manhãs, sempre que não estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las. O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam, talvez por isso, uma aura de magia, uma natureza impalpável. Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memória mínima.Quanto à ocorrência de crase, considere as frases abaixo.I. No segmento ... encontrar um mulungu em meio à vegetação... (2o parágrafo), pode-se substituir corretamente o elemento sublinhado por “por entre”, sem que nenhuma outra alteração seja feita.II. No segmento Disse isso à minha avó e ela riu... (3o parágrafo), pode-se suprimir o artigo definido sem prejuízo para o sentido e a correção.III. Uma redação correta para o segmento ... na hora de ir para casa (3o parágrafo), caso se substitua a preposição "em" por "a", é: "à hora de ir para casa".Está correto o que consta em
  1. AI, II e III.
  2. BI, apenas.
  3. CIII, apenas.
  4. DII e III, apenas.
  5. EI e II, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — II e III, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase — análise de itens textuais

Gabarito: letra D. Estão corretos apenas os itens II e III. O item I erra porque a substituição sugerida alteraria a estrutura sintática necessária.

Item I — ❌ Incorreta

No trecho "em meio à vegetação", a crase é obrigatória porque "meio" exige preposição "a" e "vegetação" é palavra feminina que admite artigo definido "a". A banca propõe trocar "em meio à" por "por entre", mas "por entre" exige artigo definido: escreve-se "por entre a vegetação". Suprimir o artigo "a" (como ocorreria na substituição pura e simples) tornaria a frase incorreta. Logo, NÃO é possível a substituição sem outra alteração.

"encontrar um mulungu em meio à vegetação" — original exige artigo.

Item II — ✅ Correta

No trecho "Disse isso à minha avó", a crase resulta da preposição "a" + artigo definido "a" antes de "minha avó". O artigo antes de possessivo feminino é facultativo. Suprimir o artigo mantém a preposição "a", formando "a minha avó" (sem crase), o que é igualmente correto e preserva o sentido. Portanto, a supressão é possível sem prejuízo.

"Disse isso à minha avó" → supressão do artigo → "Disse isso a minha avó" (correto).

Item III — ✅ Correta

No trecho "na hora de ir para casa" (contração de "em" + "a hora"), substituindo a preposição "em" por "a", obtém-se "à hora de ir para casa". A crase é obrigatória em locuções temporais femininas: "à hora", "à noite", "à tarde". A redação "à hora de ir para casa" é gramaticalmente correta e de mesmo sentido.

"na hora de ir para casa" → "à hora de ir para casa" — correto.

Conclusão: Apenas os itens II e III estão corretos, correspondendo à alternativa D.

PEGA ESSA DICA!

Até sua Maria

Lembra os casos de crase FACULTATIVA: antes de 'até', antes de pronome possessivo feminino ('sua') e antes de nome próprio feminino ('Maria').

— Crase — casos facultativos

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