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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2015

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc027376
Banca
FCC
Órgão
TRT - 23ª REGIÃO (MT)
Ano
2015
Nível
Superior
Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e, muito antes de ir morar no Leblon, o Jardim Botânico foi meu quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu caminhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó. Entrávamos pelo portão principal e seguíamos primeiro pela aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear à beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de pedra, observar o relógio de sol. Mas íamos, sobretudo, catar mulungu. Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta, bem pequena, menor do que um grão de ervilha. Tem a casca lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu vermelho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho à natureza. É bonita. Era um verdadeiro prêmio conseguir encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir de repente a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâminas de grama ou no seio úmido de uma bromélia. Lembro bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para tocar o pequeno grão, que por causa da ponta preta tinha uma aparência que a mim lembrava vagamente um olho. Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era como meu pai, sempre prestava atenção nos detalhes das coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade de mulungus que me restava na palma da mão na hora de ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras vezes apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido ao certo de onde eles vinham, de que árvore ou arbusto caíam aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam no chão ou por entre as folhas e sempre numa determinada região do Jardim Botânico. Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de mulungu. Um dia, procurei no dicionário e descobri que mulungu é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo nome de flor-de-coral. ''Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas, originária da Amazônia e de Mato Grosso, de flores vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as sementes do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas com mácula preta (isto, sim)'', dizia. Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me lembro de jamais ter visto uma dessas sementes lá em casa. De algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a despejá-las nas folhagens todas as manhãs, sempre que não estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las. O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam, talvez por isso, uma aura de magia, uma natureza impalpável. Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memória mínima.Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade de mulungus... (3º parágrafo)Na frase acima, alterando-se de voz passiva sintética para analítica, a forma verbal resultante é:
  1. Atinha sido medida
  2. Btinham sido medidos
  3. Cera medida
  4. Deram medidas
  5. Eeria medida
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — era medida

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conversão de voz passiva sintética para analítica

Gabarito: letra C — era medida.

A frase original apresenta a voz passiva sintética com o pronome apassivador "se" e o verbo "media" (pretérito imperfeito do indicativo, 3ª pessoa do singular): "a grandeza das manhãs se media". O sujeito é "a grandeza das manhãs" (núcleo singular: "grandeza").

Na voz passiva analítica, usamos o verbo auxiliar "ser" no mesmo tempo e número do verbo principal, seguido do particípio do verbo principal. Assim: "era" (imperfeito do indicativo, singular) + "medida" (particípio de "medir", concordando com o sujeito feminino singular). Resultado: "a grandeza das manhãs era medida".

PEGA ESSA DICA!

Identifique sempre o sujeito e o tempo verbal da passiva sintética para manter a concordância e o tempo na conversão.


Alternativa A — ❌ Incorreta

"tinha sido medida" — está no pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, enquanto o original está no imperfeito. Há troca de tempo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"tinham sido medidos" — além de estar no mais-que-perfeito, o verbo está no plural e o particípio no masculino plural, discordando do sujeito singular feminino "a grandeza".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"era medida" — mantém o imperfeito do indicativo, singular, feminino, perfeitamente adequado ao sujeito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"eram medidas" — verbo no plural, enquanto o sujeito é singular. Erro de concordância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"eria medida" — forma verbal inexistente em português (não há "eria" como flexão de "ser").

Conclusão: A única alternativa que preserva corretamente tempo, número e concordância na conversão é a letra C.

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