Análise de tempo verbal, obrigatoriedade, transposição de discurso e concordância
Gabarito: letra A. A alternativa A está correta porque a forma "tinha de ouvir" (pretérito imperfeito do indicativo do verbo ter + preposição de + infinitivo) expressa o mesmo tempo que "ouvia" (pretérito imperfeito), mas acrescenta a ideia de obrigatoriedade, conforme se verifica no texto: "Nem bem chegara de lá e já tinha de ouvir o que diziam...". O contexto mostra que o personagem era obrigado a ouvir fofocas, confirmando a noção de obrigação.
Alternativa | Afirmação | Análise | Conclusão |
|---|
A | "tinha de ouvir" e "ouvia" estão no mesmo tempo (pretérito imperfeito), mas "tinha de ouvir" agrega obrigatoriedade. | Correto: ambas as formas indicam ação habitual/contínua no passado; a perífrase "ter de + infinitivo" expressa obrigação. | ✅ Correta (Gabarito) |
B | "chegara" (pretérito mais-que-perfeito) indica simultaneidade com "tinha de ouvir". | Incorreto: "chegara" expressa anterioridade (ação anterior à de ouvir), não simultaneidade. | ❌ Incorreta |
C | Transposição para discurso indireto: "A vizinha disse que, então, sabia que Antônio rompeu o noivado". | Incorreto: no discurso indireto, após verbo no passado ("disse"), "rompeu" deve ser convertido para "rompera" ou "tinha rompido". | ❌ Incorreta |
D | "fofoca" deve ser evitada em textos escritos, mesmo em narrativas. | Incorreto: o termo informal é aceitável em narrativas para caracterizar personagens ou tom do texto; não há proibição normativa. | ❌ Incorreta |
E | Se "A primeira" fosse substituído por "Uma das primeiras", o verbo "anunciar" deveria ir para o plural ("anunciarem"). | Incorreto: "Uma das primeiras" exige concordância com o núcleo "primeiras" (plural), mas o verbo "anunciar" concorda com o sujeito "a vizinha" (singular), que permanece o mesmo. A alteração não afeta a concordância verbal. | ❌ Incorreta |
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação é verdadeira. Tanto "tinha de ouvir" quanto "ouvia" estão no pretérito imperfeito do indicativo (tempo que indica ação contínua ou habitual no passado). A perífrase "ter de + infinitivo" impõe obrigatoriedade, enquanto "ouvia" simplesmente descreve a ação. No texto, "tinha de ouvir" indica que o personagem não tinha escolha: era obrigado a ouvir as fofocas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro de relação temporal. "Chegara" é pretérito mais-que-perfeito, indicando ação anterior a outra ação passada. O texto diz "Nem bem chegara... e já tinha de ouvir", mostrando que a chegada ocorreu antes da obrigação de ouvir (anterioridade), não simultaneidade. A banca inverte a relação temporal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro na transposição do discurso direto para indireto. No discurso indireto, após um verbo de elocução no passado ("disse"), o pretérito perfeito do indicativo ("rompeu") deve, pela norma-padrão, ser convertido em pretérito mais-que-perfeito ("rompera" ou "tinha rompido"). A forma proposta "rompeu" mantém o tempo original, o que é inadequado. Além disso, o advérbio "então" pode ser mantido, mas não é necessário. A redação correta seria: "A vizinha disse que, então, sabia que Antônio tinha rompido o noivado." Portanto, a alternativa C foge à norma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirmação prescritiva sem respaldo na norma gramatical. O uso de "fofoca", embora informal, é perfeitamente aceitável em textos narrativos, especialmente para caracterizar a fala da personagem ou o tom do texto. Não há regra que obrigue a evitar termos informais em qualquer texto escrito; cabe ao autor escolher o registro adequado ao gênero e ao efeito pretendido. Logo, a afirmativa é exagerada e incorreta do ponto de vista normativo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro de concordância. Na expressão "Uma das primeiras", o núcleo do sujeito é "Uma" (singular), e o verbo deve concordar com ele, permanecendo no singular: "Uma das primeiras a anunciar... foi a vizinha". O termo "a anunciar" é uma locução verbal com infinitivo impessoal, que não flexiona obrigatoriamente. A banca sugere que o verbo "anunciar" deveria ir para o plural ("anunciarem"), o que não é necessário nem obrigatório, pois o infinitivo permanece invariável nessa construção. Portanto, a alternativa está errada.
Gabarito: letra A