Análise do trecho — duplo sentido de "superficialidade"
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que descreve corretamente a relação entre a citação de Vilém Flusser e o uso da palavra "superficialidade" no texto. Flusser afirma que "a superfície ínfima da tela substitui o mundo real", dando à palavra "superfície" um sentido literal (a tela). Logo depois, o autor emprega "superficialidade", que evoca tanto a superfície material quanto a ideia de algo raso, sem profundidade. A constatação de Flusser legitima esse duplo sentido. As demais alternativas cometem extrapolações, inversões de causa e efeito, simplificações indevidas ou ignoram perdas semânticas.
Trecho: "Como notou o filósofo Vilém Flusser, a superfície ínfima da tela substitui o mundo real. O que a imprensa faz é comentar essa superficialidade, não a realidade."
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "Martins Costa considerou estar melhorando a análise pelo fato de citar o filósofo Vilém Flusser". O texto diz "Mas pode-se elaborar melhor essa análise" e em seguida cita Flusser, mas não explicita que a melhora se deve à citação. A relação é inferida, não declarada. A alternativa extrapola ao atribuir uma causa que o texto não afirma.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Flusser observa que a superfície da tela (literal) substitui o mundo real. A palavra "superficialidade", usada depois, adquire um duplo sentido: o sentido literal de "superfície" e o sentido figurado de "falta de profundidade" (comentário superficial da imprensa). A constatação de Flusser fornece a base para esse uso ambíguo, legitimando-o. Como o texto não emprega o termo "superficialidade" antes da citação, o leitor entende que a superfície da tela é o ponto de partida para a crítica à superficialidade jornalística.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Estabelece que "o fator 'já não dá conta de acompanhar a percepção da realidade' é a causa do fato expresso em 'a superfície ínfima da tela substitui o mundo real'". No texto, essas duas ideias são apresentadas em sequência, mas sem relação de causa e efeito. A primeira descreve a defasagem da narrativa jornalística; a segunda é uma constatação de Flusser que ilustra a substituição da realidade pela imagem. A alternativa contradiz o texto ao impor uma causalidade inexistente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que "a frase que cita a observação de Vilém Flusser dá relevo ao contraste entre dois fatores, antítese expressa pela oposição entre ínfima e real". De fato, há um contraste entre a superfície ínfima da tela e o mundo real. No entanto, a alternativa restringe indevidamente a antítese à oposição entre os vocábulos "ínfima" e "real", quando o contraste se dá entre os conceitos de "superfície ínfima da tela" e "mundo real". A simplificação torna a assertiva imprecisa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que "O que a imprensa faz é comentar essa superficialidade, não a realidade" equivale a "A imprensa comenta essa superficialidade, não a realidade" sem perda de noção. O original emprega a estrutura clivada "O que... é...", que enfatiza a ação de comentar. A reescrita perde essa ênfase, alterando o sentido. Logo, há perda de noção, e a alternativa contradiz o texto.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente à luz do texto é a letra B. As demais contêm extrapolações, inversões lógicas, simplificações abusivas ou descaracterizam o sentido original.
Gabarito: letra B