Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Penal — Crimes contra o patrimônio — FCC 2016

Direito PenalCrimes contra o patrimônio
Código
fc029288
Banca
FCC
Órgão
METRÔ-SP
Ano
2016
Nível
Superior
Cargo
Advogado Júnior
Cícerus e Claudius entraram em uma loja e furtaram dinheiro de um dos caixas, valendo-se do fato da gaveta estar aberta e o funcionário ausente. Quando saiam do local, foram surpreendidos pelo vigia, contra o qual efetuaram disparos de arma de fogo, sem atingi-lo, mas garantindo o sucesso da fuga, a detenção da coisa furtada e a impunidade, fugindo, a seguir, do local. Cícerus e Claudius cometeram crime de
  1. Aapropriação indébita.
  2. Bfurto qualificado pelo concurso de agentes.
  3. Cextorsão.
  4. Dfurto simples.
  5. Eroubo impróprio.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — roubo impróprio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direito Penal - Crimes contra o patrimônio

Gabarito: letra E. Os agentes cometeram roubo impróprio (art. 157, §1º, CP) porque, logo após subtraírem o dinheiro, empregaram violência contra o vigia para assegurar a fuga, a detenção da coisa e a impunidade. A violência posterior transforma o furto inicial em roubo, mesmo que a subtração tenha sido pacífica.

A questão testa a distinção entre furto e roubo, especialmente a figura do roubo impróprio (ou impróprio). O caput do art. 157 define roubo como subtração mediante violência ou grave ameaça; o §1º estende a mesma pena a quem, logo após a subtração, emprega violência ou ameaça para garantir a impunidade ou a detenção da coisa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com a alternativa "furto qualificado pelo concurso de agentes" (B). O furto realmente ocorreu com concurso de duas pessoas, mas a violência posterior desloca o crime para o roubo. Lembre-se: se há violência após a subtração com o fim de assegurar a posse ou a impunidade, o crime é de roubo, não furto.

Instituto

Elemento central

Momento da violência/ameaça

Finalidade da violência/ameaça

Exemplo no caso

Furto (art. 155)

Subtração sem violência ou grave ameaça

Inexistente

Inexistente

Subtração do dinheiro da gaveta

Roubo próprio (art. 157, caput)

Subtração mediante violência ou grave ameaça

Antes ou durante a subtração

Obter a coisa

Roubo impróprio (art. 157, §1º)

Subtração pacífica + violência posterior

Logo após a subtração

Assegurar a fuga, a detenção da coisa ou a impunidade

Disparos contra o vigia após o furto

Extorsão (art. 158)

Constranger alguém a fazer/tolerar/deixar de fazer algo

Durante a obtenção da vantagem

Obter indevida vantagem econômica

Apropriação indébita (art. 168)

Apropriação de coisa já na posse legítima do agente

Inexistente

Inexistente

Alternativa A — ❌ Incorreta

Apropriação indébita exige que o agente já tenha a posse ou detenção legítima da coisa e depois a aproprie indevidamente. Aqui, os agentes subtraíram o dinheiro (obtiveram a posse ilicitamente), o que é incompatível com a apropriação indébita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Furto qualificado pelo concurso de agentes (art. 155, §4º, IV, CP) requer apenas a subtração sem violência. Como houve emprego de violência posterior para garantir a impunidade, o crime se consuma como roubo impróprio, absorvendo a qualificadora.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Extorsão (art. 158, CP) exige constranger alguém a fazer, tolerar ou deixar de fazer algo, com o intuito de obter indevida vantagem econômica. No caso, a violência foi usada para assegurar a fuga, não para obter a coisa (já subtraída).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Furto simples (art. 155, caput, CP) não admite violência contra a pessoa. A presença de violência (disparos) eleva a conduta ao roubo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Roubo impróprio (art. 157, §1º, CP) é a modalidade em que, após a subtração pacífica, o agente emprega violência ou grave ameaça para assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa. A conduta dos agentes se amolda perfeitamente: furtaram o dinheiro e, ao serem surpreendidos, atiraram contra o vigia para garantir a fuga e a impunidade.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/fc029288