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Questão de Português — Intertextualidade — FCC 2016

PortuguêsIntertextualidade
Código
fc031818
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2016
Nível
Superior
Cargo
Professor - Língua Portuguesa
GARCIA (2003) aponta que o paralelismo sintático e semântico remete à lógica da correlação e associação de ideias, por isso sua ausência pode provocar incoerência. No entanto, autores de várias épocas usaram-na com propósito estilístico.O enunciado que corresponde a essa asserção é:
  1. ADuas coisas prega hoje a igreja a todos os mortais: ambas grandes, ambas tristes, ambas temerosas, ambas certas. (Pe. Antonio Vieira)
  2. BO corpo do vaqueiro derreava-se, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. (Graciliano Ramos)
  3. CDe estado calado, ele sempre aceitava todo bom e justo conselho. Mas não louvava cantoria. Estavam falando todos juntos? Então Medeiro Vaz não estava lá. (Guimarães Rosa)
  4. DCotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. (Machado de Assis)
  5. EJá um estirão era andado quando, numa roça de mandioca, adveio aquele figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pelo e raiva. (José Cândido de Carvalho)
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GabaritoE — Já um estirão era andado quando, numa roça de mandioca, adveio aquele figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pelo e raiva. (José Cândido de Carvalho)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Paralelismo sintático e semântico – uso estilístico da quebra

Gabarito: letra E. A asserção de Garcia afirma que, embora a ausência de paralelismo geralmente provoque incoerência, autores a empregam intencionalmente para efeito estilístico. A alternativa E traz uma construção que foge ao paralelismo esperado, com inversão e aposto extenso, configurando o uso estilístico mencionado.

A chave da questão está na interpretação do pronome "na" (em "usaram-na"): refere-se a "ausência" (de paralelismo). Portanto, o exemplo deve conter uma quebra de paralelismo usada com intenção artística.

  1. 1Paralelismo esperado (coerência)
  2. 2Ausência intencional (estilo)
  3. 3Exemplo: aposto extenso + inversão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Duas coisas prega hoje a igreja a todos os mortais: ambas grandes, ambas tristes, ambas temerosas, ambas certas."

A estrutura é rigorosamente paralela: repetição de "ambas + adjetivo". Não há quebra; o paralelismo é mantido, não servindo à tese do uso estilístico da ausência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O corpo do vaqueiro derreava-se, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados."

Três orações coordenadas com sujeito + verbo + complemento. Paralelismo sintático preservado. Ausência não ocorre.

Alternativa C — ❌ Incorreta (a princípio)

"De estado calado, ele sempre aceitava todo bom e justo conselho. Mas não louvava cantoria. Estavam falando todos juntos? Então Medeiro Vaz não estava lá."

Há variação de tipos de frase (declarativa, interrogativa), o que poderia indicar quebra de paralelismo. Contudo, a quebra não é tão marcante quanto a de E, e o gabarito oficial elege E como a que melhor exemplifica o uso estilístico intencional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista."

Paralelismo evidente nas perguntas e respostas: "Que era...? Professor. Que é agora? Capitalista." Mantém simetria.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Já um estirão era andado quando, numa roça de mandioca, adveio aquele figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pelo e raiva."

A oração subordinada adverbial temporal "quando..." é seguida de um aposto alongado "uma peça de vinte palmos de pelo e raiva", que quebra a expectativa de continuidade sintática. A inversão inicial ("Já um estirão era andado") e o aposto extenso criam um desvio do paralelismo usual, empregado com propósito estilístico. O texto, portanto, ilustra exatamente o que a asserção descreve: a ausência de paralelismo usada como recurso expressivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa a compreensão do referente de "na" (ausência). O candidato pode pensar que o exemplo deve manter paralelismo, mas a tese é oposta: busca-se a quebra. Além disso, alternativas com forte paralelismo (A, B, D) parecem corretas numa leitura desatenta.

PEGA ESSA DICA!

Leia com cuidado o enunciado: "usaram-na" – pronome feminino remete a "ausência" (feminino), não a "paralelismo" (masculino). Isso muda o que deve ser exemplificado.

Conclusão: A única alternativa que apresenta uma quebra de paralelismo utilizada com finalidade estilística é a letra E.

Gabarito: letra E.

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