Questão de Português — Intertextualidade — FCC 2016
Português›Intertextualidade
Código
fc031833
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2016
Nível
Superior
Cargo
Professor - Língua Portuguesa
O locutor pode indicar diferentes pontos de vista em uma asserção, atribuindo sua responsabilidade a outro enunciador. Para isso, pode utilizar-se da negação, de marcadores de pressuposição, do emprego de verbos que indiquem mudança ou permanência de estado, de certos operadores argumentativos, do futuro do pretérito com valor de metáfora temporal.Essa definição de KOCH, BENTES e CAVALCANTE (2008) corresponde ao conceito de
Apolifonia.
Bintertextualidade temática.
Cintertextualidade tipológica.
Dintertextualidade explícita.
Eintertextualidade implícita.
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GabaritoA — polifonia.
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Polifonia e Intertextualidade
Gabarito: letra A. A definição fornecida descreve o conceito de polifonia, que consiste na presença de múltiplos pontos de vista ou vozes em um único enunciado, por meio de marcas linguísticas como negação, pressuposição, operadores argumentativos, futuro do pretérito com valor metafórico etc. Koch, Bentes e Cavalcante (2008) retomam essa noção de Bakhtin, segundo a qual o locutor pode atribuir a responsabilidade do enunciado a outro enunciador sem necessariamente citar outro texto.
A questão exige reconhecer que essa definição não se refere à intertextualidade (relação entre textos), mas sim à polifonia (relação entre vozes dentro do mesmo texto). Vamos analisar cada alternativa:
Alternativa A — ✅ Correta
A definição encaixa-se perfeitamente no conceito de polifonia, que trata das diferentes vozes e perspectivas que um enunciado pode veicular. Marcadores como “não” (negação polifônica), “ainda” (pressuposição), verbos como “continuar” (mudança/permanência) e o futuro do pretérito em contextos como “Ele seria o culpado” são exemplos clássicos de estratégias polifônicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A intertextualidade temática ocorre quando um texto retoma o tema de outro texto, mas não necessariamente com marcas de vozes internas. A definição fala em “atribuir a responsabilidade a outro enunciador”, o que é mais específico do que a mera retomada temática.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Intertextualidade tipológica diz respeito à relação entre tipos ou gêneros textuais (ex.: uma carta dentro de um romance). Está fora do escopo da definição, que aborda vozes enunciativas, não estruturas genéricas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Intertextualidade explícita ocorre com citação direta, com indicação da fonte. A definição não exige explicitação; as marcas podem ser sutis (negação, pressuposição), típicas da polifonia implícita.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Intertextualidade implícita envolve alusão a outro texto sem citação direta, mas ainda assim é uma relação intertextual. A polifonia, por outro lado, não precisa de um texto externo: as vozes opostas podem ser meramente hipotéticas ou inferidas.
PEGA ESSA DICA!
Se a definição mencionar “diferentes pontos de vista”, “atribuição de responsabilidade a outro enunciador” e recursos como negação e futuro do pretérito, o conceito é polifonia, não intertextualidade. Intertextualidade sempre envolve a presença de outro texto, explícita ou implicitamente.