Demonstração dos Fluxos de Caixa – Ajustes pelo Método Indireto
Gabarito: letra A. No método indireto, o fluxo de caixa das atividades operacionais é obtido ajustando o lucro líquido por itens que não afetam o caixa e por variações no capital circulante. A depreciação do período e o resultado de equivalência patrimonial são exemplos clássicos de itens não caixa que devem ser adicionados ou subtraídos, conforme previsto na NBC TG 03, item 20(b).
NBC-TG-03-20
De acordo com o método indireto, o fluxo de caixa líquido advindo das atividades operacionais é determinado ajustando o lucro líquido ou prejuízo quanto aos efeitos de: (...) (b) itens que não afetam o caixa, tais como depreciação, provisões, tributos diferidos, ganhos e perdas cambiais não realizados e resultado de equivalência patrimonial quando aplicável.
Alternativa | Itens mencionados | São ajustes do lucro líquido pelo método indireto? | Justificativa |
|---|
A ✅ | Depreciação do Período e Resultados de Equivalência Patrimonial | Sim | Ambos são itens que não afetam o caixa, conforme NBC TG 03, item 20(b). |
B ❌ | Passivos Convertidos em Aumento de Capital e Ganhos/Perdas com Venda de Imobilizado | Parcialmente (apenas ganhos/perdas) | Passivos convertidos em capital são transações de financiamento não caixa, não ajustes do lucro. |
C ❌ | Perdas com Clientes e Adiantamentos de Clientes Ocorridos no Período | Não | Perdas com clientes são absorvidas pela variação de contas a receber; adiantamentos são fluxo de caixa recebido, não ajuste. |
D ❌ | Reversão de PCLD e Resultado de Equivalência Patrimonial | Parcialmente (apenas equivalência) | Reversão de PCLD é absorvida pela variação de contas a receber, não sendo ajuste separado. |
E ❌ | Amortização de Intangíveis e Aquisição de Propriedades para Investimentos | Parcialmente (apenas amortização) | Aquisição de propriedades é fluxo de investimento, não ajuste operacional. |
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Ambos os itens são ajustes típicos: a depreciação é adicionada ao lucro (despesa não caixa), e o resultado de equivalência patrimonial é subtraído (receita não caixa). A literalidade da NBC TG 03 os cita como exemplos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora os ganhos/perdas na venda do imobilizado sejam ajustados (excluídos do resultado para evitar duplicidade com o fluxo de investimento), os passivos convertidos em aumento de capital não transitam pelo resultado e não constituem ajuste ao lucro líquido; são transações de financiamento não caixa que não afetam a DFC operacional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As perdas com clientes (provisão para crédito duvidoso) são, em tese, um item não caixa, mas seu efeito já está embutido na variação das contas a receber (ajuste por mudança no capital circulante), não sendo um ajuste separado no método mais comum. Já os adiantamentos de clientes representam um fluxo de caixa recebido, cujo ajuste se dá pela variação do passivo, e não pelo total ocorrido no período. A redação inadequada torna a alternativa errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A reversão da PCLD (provisão para crédito de liquidação duvidosa) é um item não caixa, mas, assim como a própria provisão, seu efeito é absorvido pela variação nas contas a receber no ajuste do capital circulante. Portanto, não é um ajuste separado do lucro. Já o resultado de equivalência patrimonial é um ajuste válido, mas a alternativa não é totalmente composta por ajustes diretos, conforme o padrão da norma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A amortização de intangíveis é um ajuste não caixa (adicionado ao lucro). Porém, a aquisição de propriedades para investimentos é um dispêndio de caixa classificado como atividade de investimento, não sendo um ajuste ao resultado líquido.
Conclusão: Apenas a alternativa A reúne dois itens que, segundo a NBC TG 03, item 20(b), são ajustes diretos ao lucro líquido no método indireto.