Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2016
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Código
fc034799
Banca
FCC
Órgão
CREMESP
Ano
2016
Nível
Médio
Uma característica do gênero crônica que pode ser observada no texto é a presença de uma linguagem
Aimparcial, que se evidencia em: Talvez em nenhuma outra época tantos gênios morassem nas mesmas cidades...
Bformal, que se evidencia em: ... já havia no ar um xodó pela tecnologia.
Carcaica, que se evidencia em: Que viagem, a 1866.
Dcoloquial, que se evidencia em: ... foi um ano cheio de domingos
Eargumentativa, que se evidencia em: Nasceu e morreu gente.
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GabaritoD — coloquial, que se evidencia em: ... foi um ano cheio de domingos
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Característica da crônica — linguagem coloquial
Gabarito: letra D. A crônica, como gênero textual, caracteriza-se pela linguagem informal, próxima da conversa cotidiana, com marcas de subjetividade e tom pessoal. O texto de Ruy Castro "Viagem a 1866" exemplifica isso em diversas passagens, e a alternativa D aponta corretamente o trecho "foi um ano cheio de domingos" como evidência de coloquialismo. Essa expressão é uma metáfora lúdica e despretensiosa, típica da fala espontânea, e não de um registro formal ou distanciado.
"...foi um ano cheio de domingos."
A banca pede a característica do gênero; a crônica é marcada pela linguagem coloquial, exatamente como demonstra a passagem. As demais alternativas ou atribuem ao texto uma característica que ele não tem (imparcialidade, formalismo, arcaísmo, argumentação) ou escolhem um trecho que não ilustra a suposta característica.
Crônica (gênero textual): Linguagem (Coloquial (informal), Subjetiva (opinião pessoal), Tom pessoal); Exemplos de marcas (Metáfora lúdica, Expressão espontânea, Próxima da conversa cotidiana); O que NÃO é (Imparcial, Formal, Arcaica, Argumentativa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Talvez em nenhuma outra época tantos gênios morassem nas mesmas cidades..."
A crônica NÃO é imparcial: o autor expressa sua admiração e opinião pessoal ("Talvez", "que viagem"). O trecho citado é uma especulação subjetiva, não uma afirmação neutra. A linguagem da crônica é marcadamente opinativa e envolvente, jamais imparcial. Erro: contradiz o texto (a crônica é subjetiva, não imparcial).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"...já havia no ar um xodó pela tecnologia."
"Xodó" é uma palavra coloquial e afetiva, típica da linguagem informal, e não formal. A banca tenta fazer o candidato acreditar que é formal, mas é justamente o oposto. Erro: troca de conceito (o exemplo contradiz a classificação).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Que viagem, a 1866."
"Que viagem" é uma expressão coloquial moderna, não arcaica. Arcaísmo seria o uso de palavras ou construções antigas (ex.: "vosmecê", "assi"). O texto não possui linguagem arcaica; ao contrário, é atual e informal. Erro: troca de conceito (considera coloquialismo como arcaísmo).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"...foi um ano cheio de domingos"
A expressão "cheio de domingos" é uma metáfora coloquial para dizer que o ano tinha muitos domingos (como qualquer outro), mas com um tom pitoresco e despretensioso. É uma marca típica da crônica: falar do cotidiano com leveza e humor, usando linguagem próxima da oralidade. O texto todo confirma essa informalidade ("caiu-me às mãos", "pulinho", "xodó", "que viagem"). Gabarito: letra D.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Nasceu e morreu gente."
O trecho é uma constatação de fatos, não um argumento. Argumentação pressupõe defesa de uma tese com raciocínio lógico. Aqui, o autor apenas enumera acontecimentos banais, sem intenção de persuadir. Erro: fora do escopo (o texto não é argumentativo, é narrativo-descritivo com tom coloquial).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o conhecimento prévio sobre gêneros textuais. O candidato pode confundir "coloquial" com "informal" e achar que qualquer expressão comum é coloquial, mas o erro principal está em classificar trechos com base em impressões soltas, sem verificar se o trecho realmente ilustra a característica apontada. Na alternativa B, por exemplo, "xodó" é claramente coloquial, mas a alternativa dizia que era formal — é uma armadilha de inversão.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar linguagem coloquial, procure marcas de oralidade: diminutivos, gírias, expressões populares, interjeições, construções típicas da fala. No texto, "xodó", "pulinho", "cheio de domingos", "que viagem" são exemplos. Já a linguagem formal usaria vocabulário erudito e períodos complexos, o que não ocorre aqui.