Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FCC 2016
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fc035182
Banca
FCC
Órgão
SEDU-ES
Ano
2016
Nível
Superior
Ainda que se saiba da liberdade com que Clarice Lispector lidava com esse gênero, pode-se assegurar que Medo da eternidade é uma crônica na medida em que se trata
Ade uma dissertação filosófica sobre uma questão fundamental da vida humana, ainda que a escritora acabe se valendo de sua experiência pessoal para ilustrar a tese que se dispõe a defender.
Bde uma visão subjetiva, pessoal, de um acontecimento do cotidiano imediato, muito embora vivenciado na infância, que acaba dando margem à reflexão sobre uma questão capaz de interessar a todos.
Cde um texto poético, mesmo que em prosa, em que os acontecimentos vividos no passado ganham uma tonalidade lírica e, em lugar de serem explicitamente narrados, são dados a conhecer de modo alusivo e sugestivo.
Dda rememoração de um episódio ocorrido na infância e que é narrado tal como foi vivido, sem deixar transparecer as crenças e convicções do adulto que rememora.
Ede um texto alegórico, em que a história narrada oculta um sentido que vai muito além dela, servindo apenas como veículo da expressão de ideias abstratas que os acontecimentos permitem concretizar.
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GabaritoB — de uma visão subjetiva, pessoal, de um acontecimento do cotidiano imediato, muito embora vivenciado na infância, que acaba dando margem à reflexão sobre uma questão capaz de interessar a todos.
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Características da crônica em "Medo da eternidade"
Gabarito: letra B. A crônica se define por uma visão subjetiva e pessoal de um fato do cotidiano que abre espaço para uma reflexão de interesse universal. No texto, Clarice narra sua experiência infantil com um chicle que "dura a vida inteira" e, a partir dela, reflete sobre o medo da eternidade — tema que transcende o episódio particular.
"Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito."
A passagem comprova a subjetividade (sentimentos da narradora) e a reflexão sobre a eternidade, a partir de um evento trivial da infância. A letra B capta exatamente essa essência.
Característica
Crônica (Gabarito B)
Alternativa A
Alternativa C
Alternativa D
Alternativa E
Gênero textual
Visão subjetiva e pessoal de fato cotidiano
Dissertação filosófica
Texto poético em prosa
Rememoração de episódio
Texto alegórico
Base do texto
Acontecimento do cotidiano imediato (infância)
Tese filosófica
Acontecimentos do passado com tom lírico
Episódio narrado como vivido
História narrada com sentido oculto
Função da experiência pessoal
Ponto de partida para reflexão universal
Ilustração de tese
Meio alusivo e sugestivo
Relato fiel, sem crenças do adulto
Veículo para ideias abstratas
Tipo de reflexão
Subjetiva, sobre tema universal (eternidade)
Lógico-argumentativa
Lírica, não explícita
Ausente (apenas rememoração)
Abstrata, alegórica
Relação com o texto de Clarice
✅ Correta: subjetividade + reflexão a partir do chicle
❌ Extrapola: não é dissertação
❌ Contradiz: narração explícita e cronológica
❌ Ignora reflexão do adulto
❌ Não há alegoria evidente
Crônica
1Visão subjetiva e pessoal
Fato do cotidiano
Reflexão universal
2"Medo da eternidade"
Experiência infantil (chicle)
Medo da eternidade/infinito
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"dissertação filosófica sobre uma questão fundamental da vida humana, ainda que a escritora acabe se valendo de sua experiência pessoal para ilustrar a tese"
Erro: extrapolação. O texto não é uma dissertação filosófica; é uma narrativa pessoal. Não há tese a ser defendida com estrutura lógico-argumentativa. A experiência não serve como "ilustração" de uma tese, e sim como ponto de partida para uma reflexão subjetiva.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"visão subjetiva, pessoal, de um acontecimento do cotidiano imediato, muito embora vivenciado na infância, que acaba dando margem à reflexão sobre uma questão capaz de interessar a todos"
Correta porque o texto é um relato em primeira pessoa de uma lembrança de infância (o episódio do chicle), carregado de emoções (aflição, perplexidade, alívio), e evolui para uma reflexão filosófica sobre a eternidade, tema universal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"texto poético, mesmo que em prosa, em que os acontecimentos vividos no passado ganham uma tonalidade lírica e, em lugar de serem explicitamente narrados, são dados a conhecer de modo alusivo e sugestivo"
Erro: contradiz o texto e extrapola. A crônica narra os fatos de forma explícita e cronológica ("terminei afinal pondo o chicle na boca", "Atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle cair"). Não há predomínio da alusão ou sugestão; a narrativa é clara e direta, embora com tom reflexivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"rememoração de um episódio ocorrido na infância e que é narrado tal como foi vivido, sem deixar transparecer as crenças e convicções do adulto que rememora"
Erro: contradiz o texto. A narradora adulta deixa transparecer suas crenças e emoções do presente, como no trecho "Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade". A interpretação do episódio é claramente de uma adulta que reflete sobre a própria infância.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"texto alegórico, em que a história narrada oculta um sentido que vai muito além dela, servindo apenas como veículo da expressão de ideias abstratas"
Erro: generalização indevida. Embora o episódio permita uma reflexão sobre eternidade, a narrativa não é uma alegoria pura (onde cada elemento representa algo abstrato). Ela é um relato concreto, verossímil, com valor em si mesmo — a bala de goma é real, não um símbolo fabricado. A crônica não "oculta" o sentido; ela o revela no desfecho.
Conclusão: A única alternativa que descreve fielmente o gênero e o texto é a letra B, por aliar subjetividade, cotidiano e reflexão universal.