A crítica de Leminski à resolução de problemas por decreto
Gabarito: letra D. O poema de Paulo Leminski ridiculariza a pretensão de resolver problemas com "decreto" ou "lei" — ou seja, com regulamentações formais. A tese central está nos versos iniciais: "a gente gostaria / de ver nossos problemas / resolvidos por decreto" e no contraste do último bloco: "mas problemas não se resolvem, / problemas têm família grande". A alternativa D é a única que parafraseia fielmente essa ideia: problemas estruturais (profundos, enraizados) não se resolvem por regulamentações.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"problemas coletivos só vão se resolver com a cooperação dos indivíduos."
O poema não menciona cooperação nem afirma que problemas coletivos se resolveriam apenas com ela. A alternativa extrapola: acrescenta uma solução (cooperação) que o texto não sugere, e restringe o alcance a "coletivos", quando o poema fala de problemas em geral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"problemas familiares tornam-se insolúveis se destituídos da mediação das leis."
O poema afirma o oposto: decretos/leis não resolvem problemas. Dizer que sem leis os problemas ficam insolúveis contradiz o texto — o poeta critica justamente a crença na mediação legal. Além disso, "familiares" é uma restrição indevida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"problemas pessoais se agravam quando sua resolução não é imediata."
Não há no poema qualquer ideia de agravamento ou de imediatismo. A alternativa extrapola ao introduzir noções alheias ao texto. O poema apenas contrasta o desejo de solução rápida ("por decreto") com a realidade de que problemas são complexos e persistentes.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"problemas estruturais não se resolvem por meio de regulamentações."
A passagem que sustenta:
"a gente gostaria / de ver nossos problemas / resolvidos por decreto / a partir desta data, / aquela mágoa sem remédio / é considerada nula / e sobre ela – silêncio perpétuo / extinto por lei todo o remorso" "mas problemas não se resolvem, / problemas têm família grande"
O poeta ironiza a ideia de que um ato normativo (decreto/lei) possa eliminar problemas. A palavra "estruturais" não está no poema, mas é uma paráfrase legítima: o texto sugere que os problemas são complexos, interligados ("família grande"), ou seja, estruturais — e justamente por isso não cedem a regulamentações. A alternativa não extrapola, não contradiz e não restringe o sentido original.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"problemas sociais não podem ser resolvidos senão com a intervenção do governo."
O poema critica a intervenção governamental via decreto/lei — não a defende como necessária. Afirmar que só o governo resolve ("não podem ser resolvidos senão") contradiz o texto, que mostra justamente a ineficácia dessa via. Além disso, "sociais" é uma especificação ausente no poema.
Gabarito: letra D.