A finalidade da literatura: prazer, não obrigação
Gabarito: letra D. O texto critica a transformação da poesia e da literatura não comercial em "remédio chato de tomar" pela imposição de leituras obrigatórias, e defende que a "finalidade precípua da literatura" é "deleitar" – proporcionar prazer. É o que se lê no trecho:
Indicados pelos professores como leitura obrigatória a alunos sem maior curiosidade intelectual, esses livros, essas antologias ministradas sob receita pedagógica traem a finalidade precípua da literatura, que é a de deleitar.
O autor ainda desenvolve a etimologia poética de "deleitar" associando-o ao "leite", alimento que reconcilia o nascituro com o mundo. Logo, a ideia central é que o contato com a poesia deve ser uma fonte de prazer, e não de obrigação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
exalta as qualidades da poesia não imediatamente comercial, como a produzida pelo poeta inglês William Blake.
Erro: extrapolação. O texto não "exalta" a poesia não comercial; na verdade, critica a forma como ela foi convertida em leitura obrigatória. A menção a William Blake serve apenas para ilustrar a contraposição entre o "paraíso dos prazeres da idade da inocência" e o "reino de deveres da idade da experiência", e não para exaltar qualidades específicas de sua poesia. A alternativa acrescenta um juízo que o texto não sustenta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
repudia a literatura comercial, cujo objetivo precípuo é o de alcançar o grande público.
Erro: contradiz o texto. O autor fala exclusivamente sobre a literatura "não imediatamente comercial" e critica sua imposição como leitura obrigatória. Em nenhum momento ele repudia a literatura comercial ou discute seus objetivos. Pelo contrário, ele parece aceitar que a literatura comercial busca alcançar o grande público, mas isso não é objeto de crítica ou de repúdio.
Alternativa C — ❌ Incorreta
critica métodos educativos que não levam em consideração a etimologia da palavra poética.
Erro: tangencia o tema (fuga ao assunto). O autor critica a "receita pedagógica" que impõe leituras obrigatórias, mas a etimologia que ele mesmo propõe para "deleitar" é apresentada como uma especulação poética ("pouco me importando saber se é falsa, possível ou verdadeira"). A crítica não recai sobre a falta de consideração etimológica, e sim sobre o desvirtuamento da finalidade da literatura. A alternativa mistura os elementos de forma equivocada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
assinala a importância do contato com a poesia se dar como uma fonte de prazer gratuito.
Sustentação no texto: O autor afirma que a finalidade precípua da literatura é "deleitar" (prazer), e que essa finalidade é traída quando a poesia é transformada em "remédio chato de tomar" por imposição escolar. O deleite é comparado ao leite, "alimento primeiro e essencial que reconcilia o nascituro com o mundo", indicando que o contato com a poesia deve ser prazeroso e não forçado. A alternativa parafraseia fielmente essa ideia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
expõe a necessidade de que a noção de dever da idade da experiência seja incutida, por meio da literatura, ainda na infância.
Erro: contradiz o texto. O texto faz uma clara oposição entre o "paraíso dos prazeres da idade da inocência" e o "prosaico reino de deveres da idade da experiência", associando a literatura ao prazer (primeiro) e criticando a imposição do dever (segundo). Defender que a literatura incuta noção de dever vai exatamente contra a tese do autor. A alternativa inverte o sentido.
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra D. Todas as demais ou extrapolam, ou contradizem, ou desviam do que o texto realmente afirma.
Gabarito: letra D