Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FCC 2017
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
fc037345
Banca
FCC
Órgão
PCA
Ano
2017
Nível
Superior
Cargo
POLITEC - AP - Perito Médico Legista
Cadáver do sexo feminino, 57 anos, obesidade grau II, encaminhado ao Instituto Médico Legal com histórico de mal súbito em calçada de via pública. Ao exame externo, foi constatada escoriação em face posterior do cotovelo direito. Ao exame interno, foi constatada aterosclerose generalizada, coração pesando 730 g, hipertrofia acentuada de ventrículo esquerdo, tortuosidade de coronárias, esteatose hepática, rins discretamente reduzidos de tamanho e com cistos na superfície cortical, hemorragia extensa intracerebral na área dos núcleos lenticulares e do tálamo, além de rotura de dilatação arteriolar sacular de 2 mm na região hemorrágica. Não foram constatadas fraturas. Conclui-se que a causa final de morte foi decorrente de
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Tanatologia Forense - Causa Mortis
Gabarito: letra C. A autópsia revelou hemorragia intracerebral extensa com rotura de dilatação arteriolar sacular (aneurisma de Charcot-Bouchard), decorrente de hipertensão arterial crônica (evidenciada pela hipertrofia ventricular esquerda e aterosclerose generalizada). A causa final da morte é hemorragia intracraniana não-traumática.
A questão exige que se identifique a causa final da morte a partir dos achados de necropsia. O exame interno demonstra uma hemorragia cerebral com origem em uma dilatação arteriolar sacular rota, típica de hipertensos. Não há qualquer evidência de trauma craniano (ausência de fraturas) ou de lesão cardíaca aguda (nenhuma área de necrose ou infarto descrita). Os achados cardiovasculares são indicadores de doença de base, não a causa imediata.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Necrose tubular aguda não é descrita; os rins apresentavam cistos corticais, mas sem sinais de necrose. A causa renal não se relaciona com o quadro hemorrágico cerebral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Falência de múltiplos órgãos não é evidenciada. A hemorragia foi isolada ao encéfalo, sem disfunção de outros órgãos no momento da morte.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Hemorragia intracraniana não-traumática. A descrição é clássica: hemorragia espontânea por rotura de microaneurisma hipertensivo em núcleos lenticulares e tálamo. A ausência de traumatismo e a presença da dilatação arteriolar confirmam.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Traumatismo craniencefálico. Não há fraturas cranianas ou outras lesões traumáticas. A escoriação no cotovelo é compatível com queda após o mal súbito, não com a causa da morte.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Infarto agudo do miocárdio. Embora o coração apresente hipertrofia e aterosclerose, não há descrição de necrose miocárdica ou obstrução coronariana aguda. O evento fatal foi intracraniano.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta atrair o candidato para o infarto agudo do miocárdio (coração pesado, hipertrofia) ou para traumatismo craniano (escoriação no cotovelo). A chave é focar na lesão que efetivamente interrompeu a vida: a hemorragia cerebral. O peso cardíaco é um indicador de hipertensão de longa data, não de evento agudo cardíaco.