Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FCC 2017
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
fc037352
Banca
FCC
Órgão
PCA
Ano
2017
Nível
Superior
Cargo
POLITEC - AP - Perito Médico Legista
Os fenômenos cadavéricos podem ser divididos em dois grandes grupos, os abióticos e os transformativos. Em relação aos fenômenos que ocorrem no cadáver,
Aas manchas de hipóstase surgem após o início da fase gasosa da putrefação.
Ba rigidez cadavérica é resultante da supressão de oxigênio celular.
Ca autólise é o primeiro sinal cadavérico decorrente da interferência bacteriana.
Da causa da morte não interfere na velocidade da putrefação.
Eo período de coloração é decorrente do acúmulo de ptomaína nos vasos periféricos.
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GabaritoB — a rigidez cadavérica é resultante da supressão de oxigênio celular.
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Tanatologia Forense – Fenômenos Cadavéricos
Gabarito: letra B. A rigidez cadavérica (rigor mortis) é consequência direta da supressão de oxigênio celular: sem O₂, cessa a fosforilação oxidativa e a produção de ATP, impedindo o relaxamento muscular. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre hipóstase, autólise, putrefação e coloração cadavérica.
Fenômeno Cadavérico
Classificação
Mecanismo / Causa
Característica Principal
Momento de Ocorrência
Manchas de hipóstase (livor mortis)
Abiótico consecutivo
Acúmulo gravitacional do sangue nas partes declives
Coloração violácea da pele
Primeiras horas após a morte (antes da putrefação)
Rigidez cadavérica (rigor mortis)
Abiótico consecutivo
Supressão de oxigênio celular → falta de ATP → não dissociação actina-miosina
Enrijecimento muscular
Após o esgotamento das reservas de ATP
Autólise
Transformativo destrutivo
Digestão celular por enzimas próprias (hidrolases lisossômicas)
Primeiro sinal transformativo
Antes da putrefação
Putrefação (período de coloração)
Transformativo destrutivo
Ação bacteriana → produção de H₂S → formação de sulfameta-hemoglobina
Coloração esverdeada do abdome
Após a autólise
Velocidade da putrefação
—
Influenciada pela causa da morte
Pode ser acelerada (sepse) ou retardada (intoxicações)
Variável conforme o caso
1Abióticos imediatos
2Abióticos consecutivos
3Transf. destrutivos (autólise)
4Transf. destrutivos (putrefação)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
As manchas de hipóstase (livor mortis) são fenômenos abióticos consecutivos que surgem nas primeiras horas após a morte, antes mesmo do início da putrefação. Elas resultam do acúmulo gravitacional do sangue nas partes declives do corpo. Portanto, não surgem após a fase gasosa da putrefação, mas sim antes dela.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A rigidez cadavérica ocorre pela falta de ATP nos músculos. Com a supressão de oxigênio, a respiração celular aeróbica cessa e as reservas de ATP se esgotam, impedindo a dissociação dos complexos actina-miosina, mantendo os músculos enrijecidos. É um fenômeno abiótico consecutivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A autólise é a digestão celular promovida por enzimas próprias da célula (hidrolases lisossômicas), e não por interferência bacteriana. É o primeiro fenômeno transformativo destrutivo, ocorrendo antes da putrefação, esta sim causada por bactérias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A causa da morte interfere diretamente na velocidade da putrefação. Por exemplo, mortes por infecção generalizada (sepse) aceleram a putrefação, enquanto intoxicações por arsênico ou outros conservantes a retardam. Logo, a afirmação é falsa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O período de coloração (coloração esverdeada do abdome, típica da putrefação) é decorrente da formação de sulfameta-hemoglobina (sulfhemoglobina), resultante da reação do sulfeto de hidrogênio (H₂S) produzido por bactérias com a hemoglobina. A ptomaína são aminas tóxicas formadas na putrefação, mas não são responsáveis pela coloração.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a sequência dos fenômenos cadavéricos: abióticos imediatos (perda de consciência, parada cardiorrespiratória) → abióticos consecutivos (hipóstase, rigidez, espasmo cadavérico, alterações da temperatura e da umidade) → transformativo destrutivo (autólise → putrefação nas fases de coloração, gasosa, coliquativa, esqueletização). A rigidez é abiótico consecutivo; a autólise é o primeiro transformativo (sem bactérias).