Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2017
Português›Interpretação de Textos
Código
fc040242
Banca
FCC
Órgão
TST
Ano
2017
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário – Taquigrafia
Ao tratar da literatura, Perrone-Moisés
Adeclara que é inerente a toda forma de arte ter de fazer oposição às mudanças provocadas pelo passar do tempo e pelas tecnologias de comunicação, que, proclamando-se “avançadas”, criam consumidores passivos.
Bestabelece paralelo entre a utopia modernista e a realidade contemporânea, manifestando seu juízo de valor acerca de ambos os termos do cotejo.
Cvale-se da comparação entre as expressões metafóricas biscoito fino e cookies industrializados para pôr em destaque, de modo irônico, o tom lamentoso com que os modernistas reagiriam à preferência das massas atuais.
Dtorna claro seu respeito aos autores e às obras que produzem, sob a condição de eles não se exporem nos espetáculos promovidos pela indústria editorial.
Ereconhece que a literatura hoje deve aos grandes eventos o fato de ter atingido grande público de leitores, ideal de todo artista, mas identifica também, nessas festas, a presença de pessoas que buscam ali estar para contracenar com as celebridades.
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GabaritoB — estabelece paralelo entre a utopia modernista e a realidade contemporânea, manifestando seu juízo de valor acerca de ambos os termos do cotejo.
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Comparação entre utopia modernista e realidade na literatura
Gabarito: letra B. Perrone-Moisés traça um paralelo explícito entre o sonho dos escritores modernistas (de que a massa consumisse o “biscoito fino”) e a realidade contemporânea (a massa prefere “cookies industrializados”), e emite um juízo de valor claro ao usar o advérbio “Infelizmente”. Esse juízo se reforça na defesa da “conservação” como atitude inerente à cultura e à arte, mostrando sua adesão à “concepção mais alta da literatura”.
“O sonho dos escritores modernistas era que a massa comesse o ‘biscoito fino’ por eles fabricado. Infelizmente, a massa tem preferido os cookies industrializados.”
O texto não apenas descreve, mas avalia os dois termos do cotejo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. O texto não afirma que é inerente a toda forma de arte opor-se a mudanças temporais ou tecnológicas. A discussão é sobre cultura de massas e consumo, e não sobre uma suposta oposição essencial da arte.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Acerto: paralelo + juízo de valor. A autora contrapõe a utopia modernista (biscoito fino) à realidade (cookies industrializados) e expressa seu lamento (“Infelizmente”), além de criticar a defesa da “literatura de entretenimento” e defender a conservação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito (sujeito do lamento). A autora usa ironia? Não. O tom lamentoso (“Infelizmente”) é dela, não dos modernistas. Ela afirma que os modernistas sonhavam, mas não que reagiriam com lamento. A comparação metafórica é direta, não irônica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: condição não prevista (fora do escopo). O texto reconhece a legitimidade dos eventos literários (“Os objetos desses eventos são, sem dúvida, legítimos e justificados”), mas nunca impõe como condição de respeito que os autores não se exponham. A crítica é ao público, não aos autores.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A autora afirma que o público desses eventos “parece incluir menos leitores de livros do que meros espectadores e caçadores de autógrafos”, ou seja, os eventos não formaram um grande público de leitores. A alternativa inverte esse sentido.
“Entretanto, o público numeroso que frequenta esses eventos parece incluir menos leitores de livros do que meros espectadores e caçadores de autógrafos.”
Conclusão: A única opção inteiramente sustentada pelo texto é a B.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa C seduz ao usar as metáforas, mas inverte o agente do lamento. A letra E também é tentadora, mas o texto nega que os eventos tenham gerado leitores. Sempre confira a passagem exata.