Conjunções e relações semânticas no trecho
Gabarito: letra D. A alternativa D descreve corretamente o emprego da conjunção "ou" no trecho: ela marca alternância entre uma formulação e outra, e a gradação se dá quer por restrição ("ao menos") quer por expressão de necessidade ("deveríamos"). As demais alternativas apresentam erros de interpretação ou análise gramatical.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"É claro que isso inicialmente soa como um exercício ocioso de pensamento."
A alternativa afirma que o adjetivo "claro" perde força argumentativa por o autor precisar justificar. No entanto, a expressão "É claro" não é um adjetivo, mas uma oração impessoal que expressa certeza, e a sequência com "Afinal" justamente reforça a afirmação, não a enfraquece. O autor não perde força; ele explica por que a afirmação é evidente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"... a existência da tristeza e da alegria nos parece imediatamente evidente"
A substituição de "nos parece" por "parece a nós" é perfeitamente aceita pela norma-padrão, pois o verbo "parecer" admite objeto indireto. A alternativa incorre ao afirmar que o verbo não aceita esse complemento. Exemplo: "Parece a nós que está correto" é gramatical.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"... nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar, se não nos deixássemos vencer pelo ressentimento e pela resignação)"
Os parênteses isolam um segmento que contém uma retificação e uma condição, não verbos declarativos. "Deveríamos" é modal, "esforçar" é verbo principal, e a estrutura é condicional, não declarativa. A alternativa erra ao classificar o conteúdo como organizado em torno de verbos declarativos.
Alternativa D — ✅ Correta
"... nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar...)"
A conjunção "ou" introduz uma alternância entre a constatação do esforço real e a ressalva do esforço ideal. A expressão "ao menos" restringe o sentido (gradação por restrição), e "deveríamos" expressa necessidade (gradação por necessidade). A alternativa descreve exatamente esse mecanismo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"... para nos afastarmos da primeira e nos aproximarmos da segunda"
Os verbos "afastarmos" e "aproximarmos" estão no infinitivo pessoal, flexionados na 1ª pessoa do plural para concordar com o sujeito implícito "nós". A norma-padrão não rejeita as formas no singular; tanto "para nos afastar" quanto "para nos afastarmos" são possíveis, dependendo do contexto. A alternativa generaliza indevidamente uma imposição que não existe.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta com base no texto e na gramática normativa é a D.
Gabarito: letra D