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Questão de Português — Conjunções: Relação de causa e consequência — FCC 2017

PortuguêsConjunções: Relação de causa e consequência
Código
fc040246
Banca
FCC
Órgão
TST
Ano
2017
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário – Taquigrafia
É claro que isso inicialmente soa como um exercício ocioso de pensamento. Afinal, a existência da tristeza e da alegria nos parece imediatamente evidente, nós podemos sentir tal diferença e nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar, se não nos deixássemos vencer pelo ressentimento e pela resignação) para nos afastarmos da primeira e nos aproximarmos da segunda.Sobre o que se tem no acima transcrito:
  1. AEm É claro, o adjetivo que poderia exprimir a certeza do colunista sobre o que afirma perde sua força argumentativa pelo fato de o autor ter sentido a necessidade de apresentar, em seguida, considerações que justificariam sua opinião.
  2. BA substituição de nos parece por “parece a nós” não é legitimada pela norma-padrão da língua, pois o verbo não aceita um objeto indireto como complemento.
  3. COs parênteses isolam um segmento que merece ter sua intercalação demarcada, visto ser organizado em torno de verbos declarativos.
  4. DA conjunção ou marca a alternância entre uma formulação e outra, esta que matiza a primeira; a gradação se realiza quer por meio de uma restrição, quer pela expressão de uma necessidade.
  5. EEm e nos esforçamos [...] para nos afastarmos da primeira e nos aproximarmos da segunda, os verbos destacados foram flexionados no plural por imposição da norma-padrão da língua, que rejeitaria as formas no singular.
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GabaritoD — A conjunção ou marca a alternância entre uma formulação e outra, esta que matiza a primeira; a gradação se realiza quer por meio de uma restrição, quer pela expressão de uma necessidade.

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Conjunções e relações semânticas no trecho

Gabarito: letra D. A alternativa D descreve corretamente o emprego da conjunção "ou" no trecho: ela marca alternância entre uma formulação e outra, e a gradação se dá quer por restrição ("ao menos") quer por expressão de necessidade ("deveríamos"). As demais alternativas apresentam erros de interpretação ou análise gramatical.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"É claro que isso inicialmente soa como um exercício ocioso de pensamento."

A alternativa afirma que o adjetivo "claro" perde força argumentativa por o autor precisar justificar. No entanto, a expressão "É claro" não é um adjetivo, mas uma oração impessoal que expressa certeza, e a sequência com "Afinal" justamente reforça a afirmação, não a enfraquece. O autor não perde força; ele explica por que a afirmação é evidente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... a existência da tristeza e da alegria nos parece imediatamente evidente"

A substituição de "nos parece" por "parece a nós" é perfeitamente aceita pela norma-padrão, pois o verbo "parecer" admite objeto indireto. A alternativa incorre ao afirmar que o verbo não aceita esse complemento. Exemplo: "Parece a nós que está correto" é gramatical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"... nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar, se não nos deixássemos vencer pelo ressentimento e pela resignação)"

Os parênteses isolam um segmento que contém uma retificação e uma condição, não verbos declarativos. "Deveríamos" é modal, "esforçar" é verbo principal, e a estrutura é condicional, não declarativa. A alternativa erra ao classificar o conteúdo como organizado em torno de verbos declarativos.

Alternativa D — ✅ Correta

"... nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar...)"

A conjunção "ou" introduz uma alternância entre a constatação do esforço real e a ressalva do esforço ideal. A expressão "ao menos" restringe o sentido (gradação por restrição), e "deveríamos" expressa necessidade (gradação por necessidade). A alternativa descreve exatamente esse mecanismo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... para nos afastarmos da primeira e nos aproximarmos da segunda"

Os verbos "afastarmos" e "aproximarmos" estão no infinitivo pessoal, flexionados na 1ª pessoa do plural para concordar com o sujeito implícito "nós". A norma-padrão não rejeita as formas no singular; tanto "para nos afastar" quanto "para nos afastarmos" são possíveis, dependendo do contexto. A alternativa generaliza indevidamente uma imposição que não existe.

Conclusão: A única alternativa que se sustenta com base no texto e na gramática normativa é a D.

Gabarito: letra D

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