Inferência correta na entrevista de Leandro Karnal
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que reproduz fielmente uma ideia presente no texto: diversas teorias (religião, psicanálise) contestam a tese de que somos totalmente responsáveis por nossas escolhas, apontando que não agimos com plena racionalidade. Essa conclusão está ancorada no primeiro parágrafo da entrevista.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Teorias de diversas naturezas, da religião à psicanálise, contrariam essa tese. Não somos tão racionais, nossas escolhas não nascem de uma liberdade plena e o acidente tem um papel maior do que imaginamos."
O texto afirma que as teorias contrariam a tese da responsabilidade plena e que não somos tão racionais. A alternativa A parafraseia corretamente: "questionam a tese de que somos inteiramente responsáveis" e "com base na ideia de que estas não são feitas de modo completamente lógico e racional". Não há extrapolação ou restrição indevida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A imagem da Medusa é usada por Karnal para representar o lado difícil de si mesmo, não "condições adversas e imprevisíveis que atingem as pessoas". Veja:
"se encarar o retrato terrível da Medusa, que é o seu lado difícil, tem a primeira chance de superá-lo."
A alternativa troca o referente: o "lado difícil" interno por fatores externos imprevisíveis. Erro de troca de conceito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Karnal diz: "Toda tecnologia é neutra, tudo depende do que fazemos com ela." Ele não afirma que a tecnologia deteriora as relações, nem que não se pode confiar nas informações. Ele apenas alerta que as redes são construções de imagem.
"Precisamos entender que tudo que se publica nas redes sociais é de autoria de um roteirista."
A alternativa acrescenta juízo de valor ("deteriora", "não se pode confiar") que não está no texto. Erro de extrapolação com opinião embutida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Karnal destaca que tanto virtù quanto fortuna influenciam, e que as escolhas são feitas "dentro do possível", não com lógica absoluta:
"Ninguém é tão divino (só “virtù”) e nem tão suscetível às circunstâncias (pura “fortuna”). Faz diferença a escolha do indivíduo. Mas nem sempre esse indivíduo lida com uma lógica absoluta, ele faz sua escolha dentro do possível."
A alternativa D afirma que o êxito depende do esforço individual e da capacidade de fazer escolhas racionais, ignorando o papel da fortuna e a limitação da racionalidade. Erro de generalização (restringe o alcance).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A máxima socrática é usada para incentivar o autoconhecimento honesto, não como crítica a quem não planeja a carreira. Karnal cita o exemplo de pessoas que sofrem de gastrite porque não sabem o que realmente querem, mas isso é uma consequência da falta de autoconhecimento, não uma crítica direta ao acaso nas ocupações.
"Se você olhar para si mesmo com honestidade... tem a primeira chance de superá-lo."
A alternativa tangencia o tema e acrescenta informações ("planejam a carreira", "sem objetivo definido") que não estão explicitadas nem inferidas diretamente. Erro de extrapolação.
Conclusão: A única alternativa que se depreende corretamente da entrevista é a A.