Questão de Português — Análise sintática — FCC 2017
Português›Análise sintática
Código
fc040786
Banca
FCC
Órgão
DPE-RS
Ano
2017
Nível
Superior
Ainda é possível ter privacidade em meio a celulares, redes sociais e dispositivos outros das mais variadas conexões? Os mais velhos devem se lembrar do tempo em que era feio “ouvir conversa alheia”. Hoje é impossível transitar por qualquer espaço público sem recolher informações pessoais de todo mundo. Viajando de ônibus, por exemplo, acompanham-se em conversas ao celular brigas de casal, reclamações trabalhistas, queixas de pais a filhos e vice-versa, declarações românticas, acordo de negócios, informações técnicas, transmissão de dados e um sem-número de situações de que se é testemunha compulsória. Em clara e alta voz, lances da vida alheia se expõem aos nossos ouvidos, desfazendo-se por completo a fronteira que outrora distinguia entre a intimidade e a mais aberta exposição. Nas redes sociais, emoções destemperadas convivem com confissões perturbadoras, o humor de mau gosto disputa espaço com falácias políticas – tudo deixando ver que agora o sujeito só pode existir na medida em que proclama para o mundo inteiro seu gosto, sua opinião, seu juízo, sua reação emotiva. É como se todos se obrigassem a deixar bem claro para o resto da humanidade o sentido de sua existência, seu propósito no mundo. A discrição, a fala contida, o recolhimento íntimo parecem fazer parte de uma civilização extinta, de quando fazia sentido proteger os limites da própria individualidade. Em meio a tais processos da irrestrita divulgação da personalidade, as reticências, a reflexão silenciosa e o olhar contemplativo surgem como sintomas problemáticos de alienação. Impõe-se um tipo de coletivismo no qual todos se obrigam a se falar, na esperança de que sejam ouvidos por todos. Nesse imenso ruído social, a reclamação por privacidade é recebida como o mais condenável egoísmo. Pretender identificar-se como um sujeito singular passou a soar como uma provocação escandalosa, em tempos de celebração do paradigma público da informação(Jeremias Tancredo Paz, inédito)Os elementos sublinhados são exemplos de uma mesma função sintática no seguinte segmento:
ANas redes sociais, emoções destemperadas convivem com confissões perturbadoras...
BOs mais velhos devem se lembrar do tempo em que era feio "ouvir conversa alheia”.
CHoje é impossível transitar por qualquer espaço público sem recolher informações pessoais...
DAinda é possível ter privacidade em meio a celulares (...)?
E...a reclamação por privacidade é recebida como o mais condenável egoísmo.
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GabaritoC — Hoje é impossível transitar por qualquer espaço público sem recolher informações pessoais...
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Função sintática de termos sublinhados
Gabarito: C. A única alternativa em que os termos sublinhados exercem a mesma função sintática é a C: "Hoje" (adjunto adverbial de tempo) e "sem recolher informações pessoais" (adjunto adverbial de modo/condição) são ambos adjuntos adverbiais.
Para resolver, identifique a função sintática de cada termo sublinhado em cada alternativa. Nas demais, os termos têm funções diferentes.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Nas redes sociais" é adjunto adverbial de lugar; "emoções destemperadas" é sujeito; "com confissões perturbadoras" pode ser objeto indireto ou adjunto adverbial de companhia. Funções diferentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Os mais velhos" é sujeito; "do tempo" é objeto indireto; "ouvir conversa alheia" é sujeito oracional. Funções diferentes.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Hoje" é adjunto adverbial de tempo; "sem recolher informações pessoais" é adjunto adverbial de modo/condição (oração reduzida de infinitivo). Ambos exercem a mesma função: adjunto adverbial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"ter privacidade" é sujeito oracional; "em meio a celulares" é adjunto adverbial de lugar. Funções diferentes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"a reclamação por privacidade" é sujeito; "como o mais condenável egoísmo" é predicativo do sujeito (ou adjunto adverbial de modo, dependendo da análise). Funções diferentes.
NÃO CAIA NESSA!
O candidato pode ser levado a achar que "transitar" e "recolher" (ambos infinitivos) são da mesma função, mas "transitar" é sujeito e "recolher" é parte de um adjunto adverbial.