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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FCC 2017

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fc040788
Banca
FCC
Órgão
DPE-RS
Ano
2017
Nível
Superior
Ainda é possível ter privacidade em meio a celulares, redes sociais e dispositivos outros das mais variadas conexões? Os mais velhos devem se lembrar do tempo em que era feio “ouvir conversa alheia”. Hoje é impossível transitar por qualquer espaço público sem recolher informações pessoais de todo mundo. Viajando de ônibus, por exemplo, acompanham-se em conversas ao celular brigas de casal, reclamações trabalhistas, queixas de pais a filhos e vice-versa, declarações românticas, acordo de negócios, informações técnicas, transmissão de dados e um sem-número de situações de que se é testemunha compulsória. Em clara e alta voz, lances da vida alheia se expõem aos nossos ouvidos, desfazendo-se por completo a fronteira que outrora distinguia entre a intimidade e a mais aberta exposição. Nas redes sociais, emoções destemperadas convivem com confissões perturbadoras, o humor de mau gosto disputa espaço com falácias políticas – tudo deixando ver que agora o sujeito só pode existir na medida em que proclama para o mundo inteiro seu gosto, sua opinião, seu juízo, sua reação emotiva. É como se todos se obrigassem a deixar bem claro para o resto da humanidade o sentido de sua existência, seu propósito no mundo. A discrição, a fala contida, o recolhimento íntimo parecem fazer parte de uma civilização extinta, de quando fazia sentido proteger os limites da própria individualidade. Em meio a tais processos da irrestrita divulgação da personalidade, as reticências, a reflexão silenciosa e o olhar contemplativo surgem como sintomas problemáticos de alienação. Impõe-se um tipo de coletivismo no qual todos se obrigam a se falar, na esperança de que sejam ouvidos por todos. Nesse imenso ruído social, a reclamação por privacidade é recebida como o mais condenável egoísmo. Pretender identificar-se como um sujeito singular passou a soar como uma provocação escandalosa, em tempos de celebração do paradigma público da informação(Jeremias Tancredo Paz, inédito)Considerando-se o contexto, o autor se vale do segmento
  1. Ade que se é testemunha compulsória (1ºparágrafo) para mostrar a disponibilidade de quem se abre para as novas conexões.
  2. BEm clara e alta voz (1º parágrafo) para salientar o ostensivo afastamento dos limites da intimidade.
  3. Ccivilização extinta (2º parágrafo) para defender a convicção de que tudo o que é obsoleto merece morrer.
  4. Drecolhimento íntimo (2º parágrafo) para criar um contraste radical entre esses dois termos.
  5. Eimenso ruído social (3º parágrafo) para enfatizar a eficácia da comunicação das vozes públicas.
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GabaritoB — Em clara e alta voz (1º parágrafo) para salientar o ostensivo afastamento dos limites da intimidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação do uso de expressões no texto

Gabarito: B. O autor usa "Em clara e alta voz" para enfatizar como os assuntos privados são expostos ostensivamente, rompendo a fronteira entre intimidade e exposição pública, como se lê no 1º parágrafo: "Em clara e alta voz, lances da vida alheia se expõem aos nossos ouvidos, desfazendo-se por completo a fronteira que outrora distinguia entre a intimidade e a mais aberta exposição."

Alternativa A — ❌ Incorreta

A expressão "testemunha compulsória" refere-se ao fato de sermos forçados a ouvir conversas alheias, e não à "disponibilidade de quem se abre para novas conexões". O texto enfatiza o caráter involuntário, não a abertura voluntária. Erro: troca de conceito.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme citado, a expressão "Em clara e alta voz" realça o volume e a clareza com que as intimidades são expostas, deixando evidente o "afastamento dos limites da intimidade". A passagem "desfazendo-se por completo a fronteira" confirma a ideia de que a privacidade é eliminada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O autor menciona "civilização extinta" para descrever valores como discrição e recolhimento que hoje parecem obsoletos, mas não defende que o obsoleto "merece morrer". O tom é de crítica à perda desses valores, não de aprovação. Erro: contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A expressão "recolhimento íntimo" é listada como um dos valores de uma civilização extinta, mas não é usada para criar um contraste entre "esses dois termos" — não há dois termos contrastantes na frase; o contraste é entre o passado (discrição) e o presente (exposição). Erro: interpretação imprecisa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Imenso ruído social" designa o barulho e a falta de comunicação efetiva, e não "eficácia da comunicação". O texto critica o excesso de exposição, que gera ruído, não comunicação eficaz. Erro: contradiz o texto.

Gabarito: B

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