Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2017
Português›Interpretação de Textos
Código
fc040896
Banca
FCC
Órgão
PCA
Ano
2017
Nível
Superior
Entende-se que no contexto do segundo e do terceiro parágrafos devem ser considerados préstimos que os homens sabem tomar da morte
Aos justos serviços que nos presta a morte quando decide afastar do nosso convívio o que se figura como monstros antropomórficos.
Bas reais possibilidades que temos de encontrar algum alento religioso depois que experimentamos as perdas dos nossos entes queridos.
Cas oportunidades que passamos a ter de exercitar nossa humildade assim como as de alimentar os mais altos ideais filantrópicos.
Dos benefícios que podem advir de uma observação científica dos corpos e de uma intensificação do sentido mesmo do que seja viver.
Eos estímulos que nos levam à leitura dos autores clássicos, em cujos textos encontramos o menosprezo pela nossa condição de mortais.
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GabaritoD — os benefícios que podem advir de uma observação científica dos corpos e de uma intensificação do sentido mesmo do que seja viver.
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Préstimos da morte: o que o texto autoriza
Gabarito: letra D. A alternativa parafraseia com fidelidade os dois tipos de "préstimos" que o texto aponta no segundo e terceiro parágrafos: a contribuição científica dos corpos (órgãos transplantados, aulas de anatomia, investigação de doenças) e o estímulo filosófico para intensificar o sentido da vida. Nenhuma outra alternativa se sustenta integralmente no texto.
Passagens que decidem
"falo dos corpos que continuam de alguma forma vivos nos órgãos transplantados, nas aulas de anatomia, corpos que, investigados, ajudam a esclarecer os caminhos da moléstia que os vitimou. Falo dos préstimos que os homens sabem tomar da morte."
"Também no plano filosófico a morte pode surgir como estímulo para viver melhor. [...] Lembrarmo-nos sempre de nossa finitude é [...] um convite para intensificar o sentido do tempo de que dispomos para seguir na vida."
A alternativa D une esses dois núcleos: observação científica dos corpos (primeira parte) e intensificação do sentido de viver (segunda parte). É a única a cobrir ambos os parágrafos.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"os justos serviços que nos presta a morte quando decide afastar do nosso convívio o que se figura como monstros antropomórficos."
Erro: extrapolação. O autor afirma que NÃO se refere à morte dos "monstros antropomórficos": "Não, não me refiro à morte dos monstros antropomórficos que volta e meia põem em risco nossa humanidade". A alternativa ignora essa negação expressa e transforma o que foi descartado em préstimo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"as reais possibilidades que temos de encontrar algum alento religioso depois que experimentamos as perdas dos nossos entes queridos."
Erro: acrescenta opinião (alento religioso) + fuga ao tema. O texto não menciona religião, alento religioso, perda de entes queridos ou consolo após a morte. É uma inferência completamente desancorada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"as oportunidades que passamos a ter de exercitar nossa humildade assim como as de alimentar os mais altos ideais filantrópicos."
Erro: generalização e acréscimo. O texto cita "lição de humildade" no 3º parágrafo, mas não fala em "exercitar humildade" como préstimo, e "ideais filantrópicos" não aparece em nenhum momento. A alternativa distorce e amplia indevidamente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"os benefícios que podem advir de uma observação científica dos corpos e de uma intensificação do sentido mesmo do que seja viver."
Correta: paráfrase fiel. A "observação científica dos corpos" remete ao 2º parágrafo (órgãos transplantados, aulas de anatomia, investigação de doenças). A "intensificação do sentido de viver" remete ao 3º parágrafo ("intensificar o sentido do tempo"). Nenhum termo estranho ao texto é acrescentado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"os estímulos que nos levam à leitura dos autores clássicos, em cujos textos encontramos o menosprezo pela nossa condição de mortais."
Erro: contradiz o texto + restringe. O 3º parágrafo menciona Sêneca (autor clássico), mas não como "estímulo à leitura", e sim como exemplo de uma lição. A palavra "menosprezo" é antônima da ideia do texto, que valoriza a vida ("bem viver", "intensificar o sentido"). O texto prega aceitação da finitude, não menosprezo.
NÃO CAIA NESSA!
As alternativas A, B, C e E extrapolam ou contradizem o texto. A mais sedutora é a C, que pega a expressão "humildade" do 3º parágrafo e a desenvolve com ideias que não estão lá. A D é a única que se limita ao que o texto efetivamente diz.