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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2017

PortuguêsSintaxe
Código
fc041132
Banca
FCC
Órgão
TRT - 21ª Região (RN)
Ano
2017
Nível
Superior
Além do ato instintivo, inconsciente, automático, puramente reflexo, evitação do sentimento doloroso, ocorre a infindável série dos gestos intencionais, expressando o pensamento pela mímica, convencionada através do tempo. Essa Signe Language, Gebärdensprache, Langue per Signes, Language per Gestes, tem merecido ensaios de penetração psicológica, indicando a importância capital como índices do desenvolvimento mental. Desta forma o homem liberta e exterioriza o pensamento pela imagem gesticulada, com áreas mais vastas no plano da compreensão e expansão que o idioma. Primeira forma da comunicação humana, mantém sua prestigiosa eficiência em todos os recantos do mundo. As pesquisas sobre antiguidade e valorização de certos gestos, depoimentos insofismáveis de certos temperamentos pessoais e coletivos, índices de moléstias nervosas, apaixonam estudiosos.A correlação dos gestos com os centros cerebrais, ativando-lhes a capacidade criadora, e não esses àqueles, possui, presentemente, alto número de defensores. Esclarecem-se, atualmente, a antiguidade e potência intelectual da Mímica como documento vivo, milenar e contemporâneo, individual e coletivo.Não havendo obrigatoriedade do ensino mas sua indispensabilidade no ajustamento da conduta social, todos nós aprendemos o gesto desde a infância e não abandonamos seu uso pela existência inteira. Os desenhos paleolíticos registram os gestos mais antigos, de mão e cabeça, e toda literatura clássica, história, viagem, teatro, poemas, mostra no gesto sua grandeza de expressão insubstituível.Não existe, logicamente, a mesma tradução literal para cada gesto, universalmente conhecido. Na famosa estória popular da Disputa por Acenos, cada antagonista entendia o gesto contrário de acordo com seu interesse. Negativa e afirmativa, gesto de cabeça na horizontal e vertical, têm significação inversa para chineses e ocidentais. Estirar a língua é insulto na Europa e América, é saudação respeitosa no Tibete. Vênias, baixar a cabeça, curvar os ombros, ajoelhar-se, elevar a mão à fronte, são universais. A mecânica da adaptação necessária a outras finalidades de convívio explica a multiplicação.(Adaptado de: CASCUDO, Câmara, “Prefácio”, em História dos Nossos Gestos. Edição digital. Rio de Janeiro: Global, 2012)Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido original, o segmento sublinhado em Não havendo obrigatoriedade do ensino... (4º parágrafo) pode ser substituído por:
  1. APara que haja
  2. BDe modo que não haja
  3. CSe não há
  4. DEmbora não haja
  5. EQuando não há
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Embora não haja

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de Oração Reduzida por Conjunção

Gabarito: D. A oração reduzida de gerúndio "Não havendo obrigatoriedade do ensino" expressa uma ideia de concessão (embora não haja), confirmada pelo contraste com "mas sua indispensabilidade" logo na sequência. A única alternativa que preserva esse sentido é Embora não haja.

No trecho original, lê-se: "Não havendo obrigatoriedade do ensino mas sua indispensabilidade no ajustamento da conduta social". O conectivo "mas" marca oposição entre a não obrigatoriedade e a indispensabilidade, exigindo uma relação concessiva: algo que é verdadeiro (não há obrigatoriedade) não impede que outra coisa também o seja (é indispensável).

PEGA ESSA DICA!

Identifique o conectivo "mas" — ele revela que a oração anterior tem valor concessivo. Troque o gerúndio por "embora" e veja se o sentido de contraste se mantém.

Oração reduzida de gerúndio
  • 1Valor semântico
    • Concessão (embora)
    • Condição (se)
    • Tempo (quando)
    • Causa (porque)
    • Finalidade (para que)
    • Consequência (de modo que)
  • 2Como identificar
    • Conectivo "mas" → concessão
    • Contraste entre ideias
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Para que haja" expressa finalidade (objetivo). O texto não diz que a aprendizagem ocorre para que haja obrigatoriedade; diz o contrário: apesar da falta de obrigatoriedade, aprendemos. Erro: troca de sentido (finalidade em vez de concessão).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"De modo que não haja" indica consequência (resultado). A ideia original não é que a aprendizagem resulta na não obrigatoriedade; é que a não obrigatoriedade é um fato que contrasta com a indispensabilidade. Erro: troca de sentido (consequência em vez de concessão).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Se não há" expressa condição (hipótese). O texto não apresenta a não obrigatoriedade como condição para a aprendizagem; ao contrário, afirma que, mesmo sem ela, aprendemos. O "mas" inviabiliza a leitura condicional. Erro: troca de sentido (condição em vez de concessão).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Embora não haja" é a concessão exata que o contexto exige. O "embora" introduz um fato contrário que não impede o que se afirma (a indispensabilidade e a aprendizagem). A frase fica: "Embora não haja obrigatoriedade do ensino, sua indispensabilidade...", mantendo o sentido original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Quando não há" expressa tempo (circunstância temporal). O texto não diz que a aprendizagem ocorre no momento em que não há obrigatoriedade; ela ocorre apesar disso. Erro: troca de sentido (temporal em vez de concessão).

Conclusão: A relação correta é de concessão, captada apenas pela alternativa D. As demais introduzem relações semânticas incompatíveis (finalidade, consequência, condição, tempo).

NÃO CAIA NESSA!

O gerúndio "havendo" pode sugerir condição ou tempo, mas o "mas" logo depois desfaz a ambiguidade e impõe a leitura concessiva. A banca conta com o candidato que não percebe o papel do conectivo adversativo.

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