Questão de Português — Coesão e coerência — FCC 2017
Português›Coesão e coerência
Código
fc041186
Banca
FCC
Órgão
TRT - 24ª REGIÃO (MS)
Ano
2017
Nível
Superior
Está inteiramente clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto;
APonderando sobre a obsessão que tem os homens pelo futuro, Sêneca dispõe de que deveríamos nos aproveitarmos do que nos oferece os momentos presentes, ao em vez de sofrer-lhe os desgostos da espera.
BSegundo Sêneca, as pessoas que vivem na expectativa do que lhes aguarda no futuro acabam por não usufruir das reais possibilidades de prazer que, não fosse sua obsessão pelo devir, estão ao seu alcance no presente.
CUm filósofo como Sêneca, condena os descomedimentos humanos, por onde sofremos com as obsessões de que alimentamos em relação ao que nos aguarda, razão pela qual não as evitamos nem lhes aproveitamos.
DSeria preciso, como quer Sêneca, reconhecermos de que nos sustentam tão somente, as oscilações de um fio tênue, em vez de desconsiderarmos o que aja de imprevisto nos dias que ainda haveremos de viver.
EQuanto à infelicidade humana, Sêneca não lhe considera inevitável, conquanto saibamos que, sofrer nos dias presentes, não se trata mais do que viermos a antecipar as dores com que não nos poupará o futuro.
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GabaritoB — Segundo Sêneca, as pessoas que vivem na expectativa do que lhes aguarda no futuro acabam por não usufruir das reais possibilidades de prazer que, não fosse sua obsessão pelo devir, estão ao seu alcance no presente.
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A obsessão pelo futuro – FCC 2017: correção e clareza textual
Gabarito: letra B. A única alternativa que parafraseia fielmente o texto de Sêneca sem erros gramaticais. O texto original critica a alma obcecada pelo futuro, que deixa de lado o presente e sofre mais do que o necessário. A opção B capta essa ideia: pessoas que vivem na expectativa do futuro deixam de usufruir prazeres presentes que, não fosse a obsessão, estariam ao alcance.
Comprovação no texto: "Não terá descanso, e a necessidade de querer conhecer o futuro lhe fará deixar de lado o presente que poderia ser melhor desfrutado." (linha 2-3)
A alternativa B mantém a relação lógica original (causa-consequência) e apresenta construção sintática correta, com regência adequada ("usufruir das...") e emprego do subjuntivo ("não fosse sua obsessão").
Alternativa A — ❌ Incorreta
A redação apresenta múltiplos desvios gramaticais: "dispõe de que" (regência inadequada de "dispor" no sentido de 'dizer'), "nos aproveitarmos" (redundância do pronome), "do que nos oferece os momentos presentes" (discordância: sujeito plural "momentos" exige verbo "oferecem") e "ao em vez de" (locução incorreta; o correto é "em vez de"). Além disso, o sentido se desvia: o texto não propõe um "deveríamos" imperativo, mas descreve o comportamento do obcecado. Erro: contradiz_texto e erro gramatical.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase precisa e gramaticalmente correta. O uso de "não fosse sua obsessão pelo devir" retoma a ideia de que a obsessão é a causa da perda do prazer presente. Não há erro de regência ("usufruir das") ou concordância ("estão ao seu alcance"). A pontuação está adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Gramaticalmente: vírgula indevida separando sujeito de verbo ("Um filósofo como Sêneca, condena"), regência equivocada em "de que alimentamos" (o verbo "alimentar", quando pronominal, é "alimentar-se de"; logo, "obsessões de que nos alimentamos" ou simplesmente "alimentamos obsessões"), e "lhes aproveitamos" ("aproveitar" é verbo transitivo direto, rege objeto direto, sem preposição). Quanto ao sentido, inclui informação estranha ao texto: "razão pela qual não as evitamos nem lhes aproveitamos" – Sêneca não diz que as pessoas evitam ou aproveitam as obsessões; ele descreve o sofrimento que elas causam. Erro: contradiz_texto e erro gramatical.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erros de regência: "reconhecermos de que" – o verbo "reconhecer" é transitivo direto, não admite preposição. Uso inadequado de "aja" (forma de "haver" com sentido existencial exige "haja", mas a construção é estranha; o texto diz "nada mais nos promete do que o imprevisto", substantivo, não oração). A vírgula após "tão somente" separa indevidamente o verbo do sujeito. O sentido é impreciso: o fio tênue simboliza a fragilidade humana, mas a alternativa insere ideia de "dias que ainda haveremos de viver", ausente no original. Erro: contradiz_texto e erro gramatical.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro de regência: "não lhe considera" – o pronome oblíquo "lhe" substitui objeto indireto, mas o verbo "considerar" é transitivo direto, exigindo "não a considera" (objeto direto). A conjunção "conquanto" (concessiva) não se justifica no contexto: o texto não estabelece oposição entre saber que sofrer é antecipação e a inevitabilidade. A última oração "com que não nos poupará o futuro" inverte a ideia original: o texto afirma que o fio promete apenas o imprevisto, não que o futuro não poupará de dores. Erro: contradiz_texto e erro gramatical.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "redação clara e correta" de comentário sobre o texto, verifique primeiro se a redação está gramaticalmente impecável (concordância, regência, pontuação) e depois se o sentido corresponde fielmente ao texto-base. Uma paráfrase fiel mantém as mesmas relações lógicas e não acrescenta informação externa.