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Questão de Português — Orações coordenadas sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas... — FCC 2017

PortuguêsOrações coordenadas sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas...
Código
fc041213
Banca
FCC
Órgão
TST
Ano
2017
Nível
Superior
Atenção: A questão a seguir referem-se ao trecho que segueHá algumas dicotomias que parecem ter a força de atravessar o tempo e se imporem a nós com uma evidência inaudita. Emfilosofia, conhecemos várias delas, assim como conhecemos suas maneiras de orientar o pensamento e as ações.Tais dicotomias podem operar não apenas como um horizonte normativo pressuposto, mas também como base para aconsolidação de certas modalidades de pensamento crítico. No entanto, há momentos em que percebemos a necessidade dequestionar as próprias estratégias críticas e suas dicotomias. Pois, ao menos para alguns, elas parecem nos paralisar em vez de nospermitir avançar em direção às transformações que desejamos.Um exemplo de dicotomia que tem força evidente no pensamento crítico atual é aquela, herdada de Spinoza, entre paixõestristes e paixões alegres. Paixões tristes diminuem nossa potência de agir, paixões alegres aumentam nossa potência de agir e nossaforça para existir. A liberdade estaria ligada à força afirmativa das paixões alegres, assim como a servidão seria a perpetuação docaráter reativo das paixões tristes. Haveria pois aquilo que nos afeta de forma tal que permitiria a nossos corpos desenvolver ou nãouma potência de agir e existir que é o exercício mesmo da vida em sua atividade soberana.Sem querer aqui fazer o exercício infame e sem sentido de discutir a teoria spinozista dos afetos e sua bela complexidade emuma coluna de jornal, gostaria apenas de sublinhar inicialmente a importância desse entendimento de que a capacidade crítica estáligada diretamente a uma compreensão dos afetos e de seus circuitos. Nada de nossas estratégias contemporâneas de crítica seriapossível sem esse passo essencial de Spinoza, recuperado depois por vários outros filósofos que o seguiram.No entanto, valeria a pena nos perguntarmos o que aconteceria se insistíssemos que talvez não existam paixões tristes epaixões alegres, que talvez essa dicotomia possa e deva ser abandonada (independentemente do que pensemos ou não de Spinoza).É claro que isso inicialmente soa como um exercício ocioso de pensamento. Afinal, a existência da tristeza e da alegria nosparece imediatamente evidente, nós podemos sentir tal diferença e nos esforçamos (ou ao menos deveríamos nos esforçar, se nãonos deixássemos vencer pelo ressentimento e pela resignação) para nos afastarmos da primeira e nos aproximarmos da segunda.Mas o que aconteceria se habitássemos um mundo no qual não faz mais sentido distinguir entre paixões tristes e alegres? Ummundo no qual existem apenas paixões, com a capacidade de às vezes nos fazerem tristes, às vezes alegres. Ou seja, um mundo noqual as paixões têm uma dinâmica que inclui necessariamente o movimento da alegria à tristeza.Pois, se esse for o caso, então talvez sejamos obrigados a concluir que não é possível para nós nos afastarmos do quetenderíamos a chamar de "paixões tristes", pois não há paixão que, em vários momentos, não nos entristeça. Não há afetos que nãonos contraiam, não há vida que não se deixe paralisar, que não precise se paralisar por certo tempo, que não se vista com sua própriaimpotência a fim de recompor sua velocidade. Mais, ainda. Não há vida que não se sirva da doença para se desconstituir ereconstruir. (SAFATLE, Wladimir. Folha de S.Paulo, 23/06/2017) Sobre o que vem mencionado na alternativa, considerado em seu contexto, é correto o seguinte comentário:
  1. A(parágrafo 1) A menção a Em filosofia representa uma restrição; nesse campo de saber os especialistas aceitam sem reservas as dicotomias, pois o conhecimento profundo do modo como elas foram estruturadas e de sua exata abrangência faz que sejam legitimadas.
  2. B(parágrafo 2) Em Tais dicotomias, o pronome demonstrativo remete às dicotomias que constituem o acervo do campo filosófico, pois esse pertencimento garante que atravessem o tempo.
  3. C(parágrafo 2) No primeiro período, tem-se uma construção de valor aditivo correlacionando dois termos do enunciado.
  4. D(parágrafo 2) O emprego concomitante de palavras que remetem à primeira pessoa do plural – percebemos, nos, desejamos – e do segmento ao menos para alguns denota antagonismo entre ideias do autor e dos alguns que ele cita.
  5. E(parágrafo 2) No último período, a exclusão da vírgula que segue à palavra Pois não prejudica a correção da frase, levando em conta a norma-padrão da língua.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — (parágrafo 2) No primeiro período, tem-se uma construção de valor aditivo correlacionando dois termos do enunciado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Questão sobre comentários ao texto

Gabarito: letra C. A única alternativa que faz um comentário correto é a C, pois o primeiro período do 2º parágrafo apresenta a correlação aditiva "não apenas... mas também", que liga dois termos com valor de adição. No texto: "Tais dicotomias podem operar não apenas como um horizonte normativo pressuposto, mas também como base para a consolidação de certas modalidades de pensamento crítico." A construção é tipicamente aditiva.

1Estrutura
"não apenas... mas também"
2Função
Liga dois termos com valor de adição
3Exemplo do texto
"não apenas como horizonte normativo"
"mas também como base para consolidação"
Correlação aditiva
LEVELsoulevel.com.br
Correlação aditiva: Estrutura ("não apenas... mas também"); Função (Liga dois termos com valor de adição); Exemplo do texto ("não apenas como horizonte normativo", "mas também como base para consolidação")

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não afirma que os filósofos aceitam sem reservas as dicotomias; pelo contrário, o autor questiona a validade de algumas. A menção "Em filosofia" é apenas exemplificativa, não restritiva. Erro: extrapolação (acrescenta juízo não presente).

Alternativa B — ❌ Incorreta

O pronome "Tais" retoma as dicotomias mencionadas no parágrafo anterior (que "atravessam o tempo"), mas o texto não diz que o pertencimento ao campo filosófico garante essa força. O comentário atribui uma relação de causa e efeito que não está no texto. Erro: extrapolação (causa não sustentada).

Alternativa C — ✅ Correta (gabarito)

Conforme explicado, a estrutura "não apenas... mas também" é uma correlação aditiva, ligando dois complementos do verbo "operar". O comentário está perfeito. Acerto: identificação do valor aditivo da correlação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O autor usa "percebemos", "nos", "desejamos" (1ª pessoa do plural) e inclui-se entre aqueles para quem as dicotomias parecem paralisar ("ao menos para alguns, elas parecem nos paralisar"). Portanto, não há antagonismo entre o autor e os "alguns"; ao contrário, ele se alinha a eles. Erro: contradiz o texto (inverte relação de inclusão para antagonismo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vírgula após "Pois" é facultativa quando se quer marcar uma pausa após a conjunção explicativa/conclusiva. No entanto, a exclusão dessa vírgula prejudica a correção? A banca entende que, na norma-padrão, não se deve retirar a vírgula porque ela separa a conjunção do termo intercalado "ao menos para alguns". Sem a vírgula, a leitura poderia ser ambígua ou o período ficaria menos claro. Além disso, o "Pois" no início do período exige a vírgula para indicar que é uma conjunção e não uma interjeição. Portanto, o comentário está incorreto. Erro: afirma que não prejudica, mas a retirada compromete a clareza e a correção segundo a norma culta.

Gabarito: letra C.

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