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Questão de Direito Penal — Concurso de Pessoas — FCC 2018

Direito PenalConcurso de Pessoas
Código
fc041417
Banca
FCC
Órgão
ALESE
Ano
2018
Cargo
Analista Legislativo - Apoio Jurídico
Hamilton resolve chamar um táxi pelo aplicativo do celular a fim de conduzi-lo até determinado endereço. Após ingressar no veículo, Hamilton recebe uma ligação em seu telefone, ocasião em que diz a pessoa que está do outro lado da linha que está se dirigindo até o endereço do amante de sua esposa a fim de matá-lo. O motorista do táxi, mesmo após ouvir a conversa de seu passageiro, o conduz até seu destino. No dia seguinte, o motorista toma conhecimento pelo noticiário televisivo de que Hamilton realmente matou o amante de sua mulher. Diante do caso hipotético, o taxista
  1. Aresponderá pelo crime de homicídio doloso como partícipe.
  2. Bresponderá pelo crime de homicídio doloso como coautor.
  3. Cresponderá pelo crime de homicídio culposo.
  4. Dresponderá pelo crime de favorecimento pessoal.
  5. Enão responderá por nenhum crime.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — não responderá por nenhum crime.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concurso de Pessoas – Responsabilidade Penal do Taxista

Gabarito: letra E. O taxista não agiu com dolo (nem eventual) de contribuir para o homicídio, tampouco tinha o dever jurídico de impedi-lo. A mera execução do serviço de transporte, mesmo após ouvir a intenção do passageiro, não configura participação criminosa. A doutrina exige, para a participação, a vontade consciente de colaborar com o crime (art. 29 do CP – dolo de participar), o que inexiste no caso.

A banca testa os limites da autoria e participação, especialmente quando a conduta do agente é neutra e não há prévio ajuste ou adesão ao resultado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Responderia como partícipe doloso se tivesse agido com dolo de auxiliar o homicídio, assumindo o risco de contribuir. O taxista apenas exerceu sua profissão; não manifestou concordância com o crime, nem agiu com dolo direto ou eventual.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Coautor requer vínculo subjetivo e contribuição essencial ao iter criminis, com domínio do fato. O taxista não planejou, não executou e não tinha controle sobre a ação de Hamilton.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O crime de homicídio culposo exige conduta negligente, imprudente ou imperita que cause a morte. Não houve quebra de dever de cuidado objetivo; o taxista dirigiu normalmente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O favorecimento pessoal (art. 348 do CP) consiste em auxiliar alguém a furtar-se à ação da autoridade após o crime. Ocorre depois do fato, e não antes. O taxista não realizou qualquer conduta posterior.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O taxista não praticou nenhuma conduta penalmente relevante. Para a responsabilização por participação, exige-se dolo de contribuir (ao menos eventual). A simples consciência de que o passageiro planeja um crime, sem adesão ou contribuição dolosa, não é punível. Além disso, não havia para ele o dever jurídico de impedir o resultado (art. 13, § 2º, CP – dever de garante). Portanto, não responde por crime algum.

Gabarito: letra E — o taxista não responde por nenhum crime.

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