Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
fc042004
Banca
FCC
Órgão
ALESE
Ano
2018
Cargo
Técnico Legislativo - Taquigrafia
Sobre o texto, é correto afirmar:
Aa autora era protestante e seu pai não, uma vez que, com ele, ela tinha permissão para ouvir as marchinhas carnavalescas.
Ba autora deixou de acompanhar a produção de marchinhas, que não preservam a beleza de meados do século 20, passando a dedicar sua atenção aos sambas-enredo.
Cna marchinha mencionada, o anúncio de que um caso será contado cria a expectativa de narração de variadas peripécias, expectativa atendida após os dois-pontos.
Dna marchinha, o discurso direto, sem marcação precisa dos interlocutores, gera dificuldade para a determinação de quem diz eu quebrei o jarro e matei a flor, dificuldade eliminada pelo contexto.
Eem eu quebrei o jarro e matei a flor, o contexto impõe a interpretação de que a oração iniciada por “e” insere um evento resultante da ação de “quebrar”, não sendo admissível interpretar que a conjunção apenas introduza um acréscimo.
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GabaritoD — na marchinha, o discurso direto, sem marcação precisa dos interlocutores, gera dificuldade para a determinação de quem diz eu quebrei o jarro e matei a flor, dificuldade eliminada pelo contexto.
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Interpretação de texto – Discurso direto e contextualização
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto: a marchinha citada é apresentada em discurso direto sem indicação explícita de quem fala, o que gera dificuldade para saber quem diz "eu quebrei o jarro e matei a flor"; essa dificuldade, porém, é eliminada pelo contexto – a própria sequência das falas no interior da marchinha mostra que o mesmo sujeito se dirige a "Iaiá" e depois conta o caso. As demais alternativas cometem extrapolações ou leituras imprecisas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Como eu era protestante, não pulei Carnaval durante a minha infância... No entanto, eu e meu pai cantávamos muitas das marchinhas"
O texto afirma que ambos cantavam, mas não diz que o pai não era protestante nem que a autora tinha "permissão" dele. A alternativa extrapola ao criar uma relação de causalidade e uma diferença religiosa que não estão no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Hoje já não há marchinhas tão interessantes, quase não sinto beleza nelas. Mas gosto muito dos sambas-enredo"
A autora afirma que as marchinhas atuais não a interessam e que gosta de sambas-enredo, mas não diz que deixou de acompanhar a produção de marchinhas nem que passou a dedicar sua atenção aos sambas. A afirmação restringe e acrescenta informações não contidas no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Eu vou te contar um caso: eu quebrei o jarro e matei a flor"
O anúncio de que um caso será contado cria expectativa, mas o conteúdo após os dois-pontos é um único evento – quebrar o jarro e matar a flor. A alternativa afirma que se esperam "variadas peripécias", o que é uma extrapolação – não há indicação de que seriam várias.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Uma de que eu gosto muito diz assim: “Iaiá, cadê o jarro? O jarro que eu plantei a flor. Eu vou te contar um caso: eu quebrei o jarro e matei a flor”"
A marchinha inteira é discurso direto sem marcas de interlocução (ex.: travessão ou verbo de fala). Quem diz "eu quebrei o jarro" é ambiguo – poderia ser o mesmo que fala antes ou outro. O contexto (a sequência das frases) resolve: a pergunta inicial e a resposta formam um diálogo implícito, e o "eu" final é o mesmo sujeito que diz "Eu vou te contar um caso". A alternativa está correta e precisa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"eu quebrei o jarro e matei a flor"
A conjunção "e" pode indicar adição ou consequência. No trecho, o contexto não impõe a leitura de resultado; é perfeitamente possível interpretar como mera adição de ações. A alternativa afirma que "não é admissível" a interpretação aditiva, o que contradiz o texto – há ambiguidade, não imposição. A banca tenta trocar o conceito de conjunção por uma leitura restritiva.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa E explora a polissemia da conjunção "e" para forçar uma interpretação causal que o texto não exige, induzindo o candidato a achar que há uma relação de consequência evidente.
Conclusão: Apenas a alternativa D está em total conformidade com o texto, sendo a resposta correta.