Paronomásia e efeito lúdico no texto de Humberto Werneck
Gabarito: letra D. O texto faz uso consciente da paronomásia (aproximação de palavras com sons semelhantes, como "palanfrão" e "palanfrório") para criar um efeito lúdico e humorístico, ampliando o tom descontraído e irônico da crônica. A passagem que comprova isso é o jogo entre o termo familiar "palanfrão" e o verbete de dicionário "palanfrório", cuja sonoridade próxima é explorada para produzir comicidade.
"O vocábulo mais próximo a que me levaram os dicionários é palanfrório, 'conjunto de palavras ou conversa desconexa, sem importância; bolodório', e, em outra acepção, 'verbosidade ardilosa'."
A paronomásia instaura uma relação de semelhança sonora entre os dois vocábulos, e o autor brinca com a coincidência, sugerindo que "palanfrão" quase se confunde com "palanfrório" — o que reforça o caráter inusitado e engraçado da palavra familiar.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o texto, por ser em prosa, pretere o paralelismo sonoro como recurso expressivo. O próprio texto desmente essa ideia, pois explora a sonoridade das palavras (paronomásia) justamente como recurso estilístico. A prosa também pode utilizar figuras de som. Erro: contradiz o texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o texto busca efeitos irônicos e jocosos com o uso de onomatopeia em "verbosidade ardilosa". Onomatopeia é a imitação de sons naturais; "verbosidade ardilosa" não imita som algum, apenas descreve um tipo de fala enganosa. Erro: troca conceito (confunde paronomásia com onomatopeia).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sustenta que o aspecto sonoro é articulado de forma circunstancial, sem pretensão de efeitos estilísticos. Pelo contrário, o autor destaca intencionalmente a sonoridade de "palanfrão" e sua semelhança com "palanfrório", construindo um dos pontos altos do humor do texto. Erro: contradiz o texto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o texto "faz uso de paronomásias que ampliam o seu sentido lúdico, colaborando para instaurar certa comicidade". Exato: a aproximação sonora entre "palanfrão" e "palanfrório" é uma paronomásia (figura de som que aproxima palavras parônimas). Essa brincadeira com as palavras confere leveza e humor ao relato, como se vê na conclusão do parágrafo, em que o autor contrasta o "quase palavrão" familiar com o verbete formal e irônico do dicionário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que as assonâncias são desprezadas, por serem recursos predominantemente poéticos. O texto não despreza assonâncias; pelo contrário, usa a repetição de sons vocálicos (por exemplo, a repetição do "ão" em "palanfrão", "palanfrório", "bolodório") como recurso estilístico intencional. Além disso, assonâncias não são exclusivas da poesia. Erro: generaliza indevidamente e contradiz o texto.
Gabarito: letra D.