Análise da questão – A crise moderna e o ponto de vista
Gabarito: letra C. A crise referida no texto pode ser relativizada de acordo com o ponto de vista, pois o autor apresenta duas perspectivas opostas: alguns a veem como um mal de que nascerão monstros; outros, como um bem de que nascerá algo como a Utopia. Essa oposição está explícita na passagem:
"E o sentem os que veem a crise como um mal de cujo ventre irromperá monstros, como o sentem os que a veem como um bem de cujo cerne nascerá algo como a Utopia."
O texto não defende uma única visão; apenas constata que há diferentes maneiras de sentir a crise. Portanto, a crise é relativizada conforme a perspectiva.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que a Obra do poeta "atravessa a crise de modo a criar uma transposição simbólica". O texto, porém, afirma que a Obra é perpassada pela crise (ou seja, é marcada por ela) e que nela se vê uma transposição simbólica — mas não diz que essa transposição foi criada pelo ato de atravessar a crise. A redação da alternativa inverte a relação: no texto, a transposição é um exemplo dentro da obra; na alternativa, ela é apresentada como consequência de algo que a obra faz. Trata-se de uma troca de conceito (atravessar vs. perpassar) e de uma extrapolação (criar vs. exemplificar).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a crise "não pode ser depreendida, já que inarredável". O texto afirma que a crise é um truísmo (verdade óbvia) e que é inarredável (inevitável). Um truísmo, por definição, é algo facilmente depreendido; logo, a conclusão "não pode ser depreendido" contradiz o texto. O erro é de contradição direta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme demonstrado, o texto apresenta a crise sob dois ângulos opostos (mal e bem), o que mostra que seu significado pode ser relativizado de acordo com o ponto de vista de quem a sente. A passagem citada comprova isso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "do cerne da crise nascerá a Utopia, eis a perspectiva inarredável do poeta". O texto diz que alguns veem a crise como algo de cujo cerne nascerá algo como a Utopia, mas não atribui essa visão ao poeta como uma perspectiva inarredável. Pelo contrário, o poeta é quem menciona ambas as perspectivas. Atribuir ao poeta uma visão exclusiva é um erro de troca de conceito (confundir o que o poeta relata com o que ele defende). Além disso, a palavra "inarredável" é usada no texto para caracterizar o truísmo da crise, não uma perspectiva específica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que "a Utopia e a Obra são componentes da tradução simbólica da crise moderna". O texto menciona a Utopia como algo que alguns esperam que nasça da crise, e a Obra como o lugar onde o poeta expressa a crise. Não há a ideia de que ambos sejam "componentes" de uma "tradução simbólica". A alternativa tangencia o tema, misturando elementos que o texto não relaciona diretamente.
Conclusão: A única alternativa que se apoia integralmente no texto é a C. As demais ou contradizem o texto, ou extrapolam/confundem informações.
Gabarito: letra C