Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc042723
Banca
FCC
Órgão
Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ano
2018
Cargo
Consultor Legislativo - Redação Parlamentar
Considere o poema abaixo de João Cabral de Melo Neto:Lendo provas de um poemaCom Rubem Braga, certa vez,lia em provas “Dois parlamentos”.Na manhã ipanema e verão,em volta do alto apartamento,sem que carniça houvesse perto,sem explicação, todo um elencode urubus se pôs a rondara cobertura, em voos pensos:como se farejassem a morteno texto que estávamos lendoe se a inodora morte escritanão fosse esconjuro mas treno.(MELO NETO, João Cabral. A educação pela pedra e depois. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997, p.73)É correto afirmar que
  1. Aem “morte escrita” pode-se apontar o uso de uma prosopopeia que colabora para a intensidade do efeito dramático do poema.
  2. Bos vocábulos “morte” e “treno” criam, em parte, a justificativa da presença dos urubus, pela sugestão de um cortejo fúnebre.
  3. CEm como se farejassem a morte é utilizada forma verbal que aponta ação certa, a ser desenvolvida no futuro próximo.
  4. Do poema é essencialmente metalinguístico na medida em que expõe seu próprio processo de construção, explicitando os recursos que utiliza.
  5. Eem relação ao léxico, pode-se alterar a palavra “treno”, por “treino”, sem perda de sentido, optando-se por uma variedade linguística mais corrente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — os vocábulos “morte” e “treno” criam, em parte, a justificativa da presença dos urubus, pela sugestão de um cortejo fúnebre.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do poema de João Cabral de Melo Neto

Gabarito: letra B. Os vocábulos “morte” e “treno” justificam a presença dos urubus, pois sugerem um cortejo fúnebre (funeral). No poema, lê-se: “como se farejassem a morte / no texto que estávamos lendo / e se a inodora morte escrita / não fosse esconjuro mas treno”. A palavra “treno” significa canto fúnebre, reforçando a associação com a morte e atraindo os urubus.

NÃO CAIA NESSA!

Leia o poema atentamente e busque a relação entre as palavras. “Treno” é um termo erudito para lamento fúnebre; não confunda com “treino”.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que “morte escrita” é prosopopeia (personificação). Prosopopeia atribui características humanas a seres inanimados. No texto, “morte escrita” é apenas uma expressão denotativa; não há personificação. O erro é de troca de conceito (figura de linguagem inadequada).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A justificativa está explícita: os urubus surgem “como se farejassem a morte” e a palavra “treno” (funeral) completa a ideia de um ambiente fúnebre. A alternativa B parafraseia corretamente o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A forma verbal “farejassem” está no pretérito imperfeito do subjuntivo, indicando ação hipotética, não ação certa no futuro próximo. Erro de interpretação verbal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O poema não é essencialmente metalinguístico. Embora mencione a leitura de provas de um poema, ele não expõe seu próprio processo de construção de forma explícita. A caracterização é exagerada; o texto é principalmente narrativo/descritivo. Erro de extrapolação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Treno” e “treino” têm sentidos completamente diferentes: o primeiro é lamento fúnebre; o segundo é prática ou exercício. A troca alteraria totalmente o significado, descaracterizando o poema. Erro de troca de sentido (semântica).

Conclusão: Apenas a alternativa B está inteiramente de acordo com o texto.

Link permanente: /questoes/fc042723