Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
fc042726
Banca
FCC
Órgão
Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ano
2018
Cargo
Consultor Legislativo - Redação Parlamentar
Entre as definições mais conhecidas, para Aristóteles a retórica é a arte de persuadir, procurando nos argumentos o que concorra para tal finalidade, ao passo que, para Quintiliano, já com o nome de eloquência, trata-se da arte de bem falar, compreendendo aí não apenas a eficácia (em comparação à gramática, que é a arte de falar corretamente), mas ainda o bem enquanto virtude do orador.Levando em consideração as duas definições acima, um dos recursos que pode ser usado para que se obtenha um discurso adequado é
Ao elogio daqueles em cujas mãos está a tomada de decisão a respeito da causa pleiteada, para além da demonstração de idoneidade do caráter de quem discursa.
Ba demonstração de que os argumentos do oponente contradizem suas ações pretéritas, de modo a garantir sua perda de credibilidade.
Co uso de lances patéticos de maneira equilibrada durante o discurso, a incrementar sua expressividade, sobretudo quando se carece de argumentos plausíveis.
Da refutação lógica dos argumentos do oponente, demonstrando-lhe que o que se pretende é justo e, ademais, vantajoso também para ele.
Eo uso de linguagem elevada, como modo de denotar o conhecimento que embasa o discurso e, por decorrência, a natureza de quem o profere, de modo a agregar confiança ao que é dito.
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GabaritoD — a refutação lógica dos argumentos do oponente, demonstrando-lhe que o que se pretende é justo e, ademais, vantajoso também para ele.
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Retórica e eloquência – recurso adequado ao discurso
Gabarito: letra D. A questão pede, à luz das definições de Aristóteles (retórica como arte de persuadir) e de Quintiliano (eloquência como arte de bem falar, incluindo eficácia e virtude), um recurso que produza um discurso adequado. A única alternativa que atende simultaneamente à persuasão lógica e ao compromisso com a justiça/virtude é a D: a refutação lógica dos argumentos do oponente, demonstrando que o pretendido é justo e vantajoso também para ele.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"o elogio daqueles em cujas mãos está a tomada de decisão a respeito da causa pleiteada, para além da demonstração de idoneidade do caráter de quem discursa."
Esse recurso apela à bajulação (captatio benevolentiae) e ao ethos do orador, mas não constitui persuasão lógica (Aristóteles valoriza o logos) nem garante a virtude do orador (Quintiliano exige que o bem falar inclua a retidão moral). O elogio aos juízes pode ser visto como manipulação, não como argumento racional ou ético. Erro: extrapolação – a banca espera um recurso baseado em argumentos, não em lisonja.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"a demonstração de que os argumentos do oponente contradizem suas ações pretéritas, de modo a garantir sua perda de credibilidade."
Trata-se de um ataque ao caráter do oponente (argumentum ad hominem). Embora possa persuadir, não é necessariamente justo ou virtuoso – Quintiliano rejeitaria um recurso que fere a ética do orador. Além disso, não há demonstração de que o que se pretende é justo (como exige a alternativa D). Erro: contradiz o texto – as definições prezam pela virtude e pela argumentação lógica, não pelo desmerecimento pessoal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"o uso de lances patéticos de maneira equilibrada durante o discurso, a incrementar sua expressividade, sobretudo quando se carece de argumentos plausíveis."
O apelo às emoções (pathos) é aceitável na retórica, mas a alternativa explicita que se usa "quando se carece de argumentos plausíveis" – ou seja, substitui a lógica pela emoção. Isso fere a exigência aristotélica de persuasão racional e a virtude quintiliana (a emoção sem lastro lógico pode ser enganosa). Erro: contradiz o texto – as definições valorizam a argumentação sólida, não o artifício emocional como substituto.
Alternativa D — ✅ Correta
"a refutação lógica dos argumentos do oponente, demonstrando-lhe que o que se pretende é justo e, ademais, vantajoso também para ele."
Aqui há persuasão lógica (refutação com base em raciocínio) e virtude (demonstração de justiça e vantagem para o próprio oponente – um ideal de bem comum). Coerente com Aristóteles (logos) e com Quintiliano (bem falar com ética). Gabarito oficial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"o uso de linguagem elevada, como modo de denotar o conhecimento que embasa o discurso e, por decorrência, a natureza de quem o profere, de modo a agregar confiança ao que é dito."
Valoriza o ethos (credibilidade do orador), mas não há persuasão lógica – a confiança advém da forma, não do conteúdo racional. Além disso, a virtude não está necessariamente presente: pode-se usar linguagem rebuscada para enganar. Erro: extrapolação – a alternativa confunde recurso estilístico com argumentação substancial.
NÃO CAIA NESSA!
O candidato pode escolher alternativas que apenas reforçam um lado (persuasão emocional ou ética) mas ignoram a exigência dupla de lógica e virtude. A banca testa a capacidade de aplicar conceitos filosóficos a exemplos práticos.
PEGA ESSA DICA!
Diante de questões que definem dois conceitos, liste mentalmente os requisitos de cada um; depois, teste cada alternativa verificando se atende a todos eles. Descarte as que falham em um só aspecto.