Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
fc042728
Banca
FCC
Órgão
Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ano
2018
Cargo
Consultor Legislativo - Redação Parlamentar
Dentre os preceitos retóricos elencados por Vieira no 3° parágrafo, é correto afirmar:
ARecomendações como “há de prová-la com a Escritura; há de declará-la com a razão” são sintomáticas do antagonismo característico dos discursos de Vieira, compostos em um contexto barroco.
BAo dizer que há de amplificar a matéria “com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias”, Vieira refere-se a questões que, por parte do público, não teriam por si só o respaldo necessário.
CCom “há de dividi-la, para que se distinga”, embora abra precedente contrário ao primeiro preceito, pois trata de matéria compósita, dividi-la permite que o enunciador se dedique apenas ao que importa para o convencimento da audiência.
DEmbora as três primeiras recomendações se relacionem diretamente com a clareza do discurso, o orador há de saber calar o que não convém que seja exposto, como está dito em “com os inconvenientes que se devem evitar”.
EO primeiro deles, “Há de tomar o pregador uma só matéria”, refere-se à unidade do texto, de início, meio e fim com base na unidade do assunto abordado.
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GabaritoE — O primeiro deles, “Há de tomar o pregador uma só matéria”, refere-se à unidade do texto, de início, meio e fim com base na unidade do assunto abordado.
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Preceitos retóricos de Vieira – Interpretação correta
Gabarito: letra E. A única alternativa que afirma corretamente sobre os preceitos retóricos listados por Vieira é a E. O primeiro preceito é "Há de tomar o pregador uma só matéria", que se refere à unidade temática do sermão – um só assunto, que organiza o texto do início ao fim. O texto não diz nada contrário a isso, e a paráfrase é fiel.
"Há de tomar o pregador uma só matéria; há de defini-la, para que se conheça; há de dividi-la, para que se distinga; há de prová-la com a Escritura; [...] Isto é sermão, isto é pregar; e o que não é isto, é falar de mais alto."
As demais alternativas acrescentam informações ou interpretações que não estão no texto (extrapolação) ou distorcem o sentido.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as recomendações são "sintomáticas do antagonismo característico dos discursos de Vieira, compostos em um contexto barroco". O texto não menciona antagonismo nem contexto barroco. Erro: extrapolação (acrescenta opinião/juízo ausente).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que Vieira se refere a questões que, "por parte do público, não teriam por si só o respaldo necessário". O texto apenas lista o que o pregador deve fazer (amplificar com causas, efeitos, circunstâncias...), sem qualquer comentário sobre o respaldo do público. Erro: extrapolação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alega que dividir a matéria "abre precedente contrário ao primeiro preceito" (a unidade). No texto, a divisão vem depois da tomada de uma só matéria e serve para distinguir, não há oposição. A alternativa inventa uma contradição. Erro: contradiz o texto (ao afirmar oposição inexistente).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Interpreta "com os inconvenientes que se devem evitar" como "calar o que não convém que seja exposto". O contexto é de amplificação: o pregador deve incluir os inconvenientes a evitar, não omiti-los. A troca de sentido é indevida. Erro: troca de conceito (sentido literal trocado por outro).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Refere-se ao primeiro preceito (unidade de matéria) e o interpreta como unidade textual (início, meio, fim baseados no assunto). Essa é a leitura mais direta e apoiada pelo texto: o pregador deve tomar uma só matéria – isso implica unidade temática, que organiza o discurso. Sem extrapolação, sem contradição.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de interpretação de preceitos listados no texto, confira cada alternativa com a transcrição exata do trecho. Se a alternativa acrescenta ideias novas (contexto barroco, oposição, omissão), está errada. A correta é a que parafraseia sem inventar.