Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
fc042733
Banca
FCC
Órgão
Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ano
2018
Cargo
Consultor Legislativo - Redação Parlamentar
Tendo vicejado em meio à democracia e à demagogia, a retórica desenvolveu-se como instrumento para a soberania do povo e para seu direcionamento político; logo, passa a ser ensinada por professores como Empédocles e Córax.O comentário acima, que retoma um segmento do texto, caracteriza-se como
Acorreta relação entre conceitos, seguida de uma falsa conclusão.
Bfalsa analogia entre conceitos, seguida de uma conclusão tautológica.
Ctautologia, seguida de uma conclusão sem nexo causal com o segmento que a antecede.
Dcontradição, seguida de uma conclusão que repete o que foi dito no segmento anterior.
Eênfase retórica inicial que retoma conceitos importantes para a conclusão que fecha o período.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — tautologia, seguida de uma conclusão sem nexo causal com o segmento que a antecede.
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Análise da relação lógica no comentário
Gabarito: Letra C. O comentário apresenta uma tautologia no primeiro segmento (afirmação que se explica por si mesma) e, em seguida, uma conclusão que não mantém vínculo causal com o que foi dito.
Passo a passo da resolução
O enunciado apresenta um comentário que retoma um segmento do texto. A tarefa é classificar a estrutura lógica desse comentário. Para isso, examinamos cada alternativa, confrontando-a com o trecho transcrito.
"Tendo vicejado em meio à democracia e à demagogia, a retórica desenvolveu-se como instrumento para a soberania do povo e para seu direcionamento político; logo, passa a ser ensinada por professores como Empédocles e Córax."
Análise da primeira parte: A expressão "tendo vicejado em meio à democracia e à demagogia" já implica que a retórica é própria desse ambiente; dizer que ela "se desenvolveu como instrumento para a soberania do povo" é praticamente uma tautologia – a retórica, por definição, é a arte de persuadir, e na democracia ela é usada para direcionar o povo. Não há acréscimo de informação nova; é uma afirmação que se explica por si.
Análise da segunda parte: O conceito "logo" deveria indicar uma conclusão lógica. Porém, do fato de a retórica ser um instrumento de soberania não decorre que ela passe a ser ensinada por determinados professores. A conclusão é factualmente correta (Empédocles e Córax realmente ensinaram retórica), mas o nexo causal está quebrado: o ensino não é consequência direta da função. Portanto, a conclusão não tem relação causal com o que a antecede.
Verificação das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
A relação entre conceitos não é correta: a primeira parte é tautológica, e a conclusão é falsa do ponto de vista lógico (não segue). O texto não autoriza qualificar a conclusão como "falsa" no sentido de erro factual, mas sim como sem nexo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há analogia (comparação implícita) entre conceitos; a primeira parte é uma definição/tautologia, não uma analogia. A conclusão também não é tautológica (não repete o anterior).
Alternativa C — ✅ Correta ⬅ GABARITO
"tautologia, seguida de uma conclusão sem nexo causal com o segmento que a antecede"
A primeira parte é uma tautologia (a retórica na democracia é instrumento de soberania); a segunda parte usa "logo" mas a conclusão não decorre logicamente – falta nexo causal. A descrição casa perfeitamente com a estrutura do comentário.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há contradição entre as partes; ambas podem coexistir. A conclusão também não repete o primeiro segmento (um fala de função, outro de ensino).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa descreve uma ênfase retórica e retomada de conceitos, o que é superficialmente verdade, mas não capta o problema central: a tautologia e a quebra de nexo causal. A classificação exigida é mais específica.
Conclusão
O comentário apresenta um vício lógico: a primeira afirmação é uma tautologia, e a conclusão não tem relação causal com ela. A única alternativa que aponta ambos os defeitos é a C.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre relações lógicas, desconfie do conectivo "logo" se a conclusão não for consequência direta da premissa. Identifique se a primeira parte é redundante (tautologia) ou acrescenta informação.