Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
fc043491
Banca
FCC
Órgão
Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ano
2018
Cargo
Revisor de Textos
As frases abaixo foram adaptadas do romance História do Cerco de Lisboa, de José Saramago. Está correta a redação do que se encontra em:
AAgora me ocorrem que tanto o Eça, como o Balzac, se sentiriam os mais felizes dos homens, nos tempos de hoje, diante de um computador, interpolando, transpondo, recorrendo linhas, trocando capítulos.
BErrar, disse-o que sabia, é próprio do homem, o que significa se não é erro tomar as palavras a letra, que não seria verdadeiro homem àquele que errasse.
CPorém, esta suprema máxima não se podem utilizar como desculpa universal que a todos nos absolvemos de juízos coxos e opiniões mancas.
DEstá demonstrado, portanto, que o revisor errou, que, se não errou, confundiu, que, se não confundiu, imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado, confundido ou imaginado nunca.
EO revisor tem nome, chama-se Raimundo. Era já tempo de sabermos quem seja a pessoa de quem vimos falando indiscretamente, se é que nome e apelidos alguma vez pôde acrescentar proveito que se vissem às costumadas referências sinaléticas e outros desenhos.
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GabaritoD — Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que, se não errou, confundiu, que, se não confundiu, imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado, confundido ou imaginado nunca.
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Correção gramatical de frases adaptadas – Saramago
Gabarito: letra D. A única alternativa com redação inteiramente correta segundo a norma culta é a D, que apresenta concordância, regência e correlação verbal adequadas. As demais contêm erros de concordância, regência ou estrutura.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Agora me ocorrem que tanto o Eça, como o Balzac, se sentiriam os mais felizes dos homens, nos tempos de hoje, diante de um computador, interpolando, transpondo, recorrendo linhas, trocando capítulos."
Erro 1: O verbo ocorrer no sentido de "vir à mente" pede a forma impessoal no singular: "ocorre-me que". O plural "ocorrem" é inadequado — o sujeito é a oração subordinada substantiva. Concordância verbal violada.
Erro 2: O verbo recorrendo (de recorrer) não se aplica a linhas de texto; o correto seria "reordenando" ou "revisando". Há inadequação semântica.
Estrutura confusa: A enumeração de gerúndios fica ambígua; falta paralelismo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Errar, disse-o que sabia, é próprio do homem, o que significa se não é erro tomar as palavras a letra, que não seria verdadeiro homem àquele que errasse."
Erro 1: "disse-o que sabia" — o pronome oblíquo o é desnecessário e quebra a sintaxe. O correto seria "disse que sabia".
Erro 2: Falta crase em "a letra": o correto é "à letra" (locução adverbial feminina).
Erro 3: A correlação temporal "que não seria verdadeiro homem àquele que errasse" é estranha; seria mais claro "aquele que errasse não seria verdadeiro homem". O uso de "àquele" (com crase) está errado — não há regência que exija crase antes de "aquele".
PEGA ESSA DICA!
Desconfie de construções com pronome solto ("disse-o que") e de crase indevida diante de masculino.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Porém, esta suprema máxima não se podem utilizar como desculpa universal que a todos nos absolvemos de juízos coxos e opiniões mancas."
Erro de concordância: O sujeito é "esta suprema máxima" (singular), portanto o verbo deve ser singular: "não se pode utilizar".
Erro de concordância no relativo: "desculpa universal que a todos nos absolvemos" — o verbo absolver deve concordar com o antecedente "desculpa" (3ª pessoa do singular): "que a todos absolve" ou "que nos absolve a todos". A forma "absolvemos" (1ª pessoa do plural) está incorreta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que, se não errou, confundiu, que, se não confundiu, imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado, confundido ou imaginado nunca."
A estrutura é clara e paralela: três orações subordinadas substantivas coordenadas, com repetição anafórica de "que".
O uso do subjuntivo em "venha" (imperativo de terceira pessoa) está correto, e "não tenha errado, confundido ou imaginado nunca" mantém a correlação temporal (pretérito perfeito composto do subjuntivo).
A expressão "venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que..." é idiomática e adequada.
Não há erros de concordância, regência ou pontuação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"O revisor tem nome, chama-se Raimundo. Era já tempo de sabermos quem seja a pessoa de quem vimos falando indiscretamente, se é que nome e apelidos alguma vez pôde acrescentar proveito que se vissem às costumadas referências sinaléticas e outros desenhos."
Erro de concordância: O sujeito composto "nome e apelidos" exige verbo no plural: "puderam acrescentar" (ou "puderam acrescentar proveito").
Erro de concordância no relativo: "proveito que se vissem" — o sujeito de "vissem" é "proveito" (singular), logo deveria ser "se visse".
Tempo verbal: "vimos falando" (presente do indicativo + gerúndio) soa estranho; o pretérito imperfeito "vínhamos falando" seria mais natural.
O uso de "quem seja" (subjuntivo) é possível, mas menos comum; não é erro isolado, mas contribui para a estranheza.
Conclusão: A única alternativa que respeita integralmente a norma culta da língua portuguesa é a letra D.