Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — FCC 2018
Português›Funções morfossintáticas da palavra SE
Código
fc043578
Banca
FCC
Órgão
Câmara Legislativa do Distrito Federal
Ano
2018
Cargo
Taquígrafo Especialista
Acerca da linguagem empregada no poema, está correto o que se afirma em:
AA vírgula no sexto verso − A lagoa, sim. − serve ao propósito de sinalizar a presença de uma estrutura elíptica.
BSe os dois períodos iniciais do poema forem reescritos em um único, com as devidas alterações, a relação de sentido original será preservada pelo acréscimo de conquanto entre o primeiro e o segundo versos.
CA frase O mar não me importa está tão em conformidade com a norma-padrão da língua quanto a frase “O mar não importa à mim”.
DAs reticências no último verso do poema reiteram o tom de lamentação que se desenvolve progressivamente ao longo dos versos.
EO pronome se em a lagoa se pinta tem a mesma função sintático-semântica que a observada em “Maria e João se ofenderam mutuamente em uma discussão na rede social”.
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GabaritoA — A vírgula no sexto verso − A lagoa, sim. − serve ao propósito de sinalizar a presença de uma estrutura elíptica.
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Análise da questão — Pontuação e elipse no poema "Lagoa"
Gabarito: letra A. A vírgula em "A lagoa, sim." sinaliza uma estrutura elíptica: o verbo (por exemplo, "é bonita") está subentendido, e a vírgula marca essa omissão, conforme a norma gramatical. As demais alternativas incorrem em erros de interpretação ou de gramática.
Alternativa A — ✅ Correta
No verso "A lagoa, sim." (sexto verso), a vírgula separa o sujeito "a lagoa" da palavra "sim", que funciona como um advérbio de afirmação. A construção é elíptica: o verbo (ex.: "é bonita") não está expresso, mas é subentendido pelo contexto. A vírgula, portanto, indica essa omissão. O texto anterior contrasta o mar (que o eu lírico não viu, não sabe se é bonito ou bravo) com a lagoa, que ele viu e afirma. A vírgula é essencial para a elipse.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os dois primeiros períodos: "Eu não vi o mar." e "Não sei se o mar é bonito, / não sei se ele é bravo." A conjunção "conquanto" indica concessão (equivalente a "embora"). Não há relação concessiva entre as ideias: o fato de não ter visto o mar não é uma ressalva para não saber se ele é bonito; ao contrário, é a causa dessa incerteza. Portanto, a reescrita com "conquanto" alteraria o sentido original.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A frase "O mar não me importa" está de acordo com a norma-padrão (uso do pronome oblíquo átono "me" como objeto indireto). Já "O mar não importa à mim" é incorreta, pois "mim" é pronome oblíquo tônico e não pode ser precedido de crase (não se usa "à" antes de "mim"). Assim, as duas frases não têm o mesmo grau de conformidade normativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As reticências no último verso ("Eu vi a lagoa...") podem sugerir uma pausa reflexiva ou continuidade do pensamento, mas não há no poema um tom de lamentação progressiva. O poema exalta a lagoa com imagens positivas ("grande e calma", "brilha", "se pinta de todas as cores"). Portanto, a afirmação é infundada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Em "a lagoa se pinta", o "se" é um pronome reflexivo (a lagoa pinta a si mesma). Em "Maria e João se ofenderam mutuamente", o "se" é recíproco (ofenderam um ao outro). As funções sintático-semânticas são distintas: reflexivo (ação sobre o próprio sujeito) e recíproco (ação mútua).
Conclusão: A alternativa A é a única correta, pois descreve adequadamente a função da vírgula no verso indicado. Gabarito: letra A.
PEGA ESSA DICA!
Cara a cara não tem crase, isto é fácil de guardar; com palavra repetida não se deve 'crasear'
Em expressões com palavra feminina repetida (cara a cara, gota a gota, frente a frente, dia a dia) NÃO se usa crase.