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Questão de Economia — História Econômica e Economia Contemporânea — FCC 2018

EconomiaHistória Econômica e Economia Contemporânea
Código
fc049819
Banca
FCC
Órgão
SP Parcerias
Ano
2018
Cargo
Analista Técnico
Há uma corrente dentro do pensamento econômico brasileiro que afirma que, a partir da orientação econômica liberalizante assumida pelos gestores de nossa política econômica, nos anos 90 e início do século XXI , o país abandonou a ideia de uma política industrial, outrora presente. Nesse contexto,
  1. Ao documento publicado pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, durante o primeiro governo FHC, intitulado Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, ao enumerar uma série de instrumentos, tais como políticas de investimento, de capacitação tecnológica, de comércio exterior, de capacitação de recursos humanos e de apoio às microempresas e empresas de pequeno porte, corrobora essa perspectiva.
  2. Bo denominado Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento (IPND), ao elencar “grandes programas de investimentos”, com o propósito de consolidar a infraestrutura econômica e as indústrias básicas, contraria essa afirmação.
  3. Co Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), em sua primeira fase, de 2007 a 2010, focava apenas os investimentos em infraestrutura urbana, nas regiões mais carentes do país, sem vislumbrar qualquer impacto sobre o produto industrial, o que vem ao encontro da perspectiva dessa corrente.
  4. Da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), reforça a perspectiva acima, ao propor-se enfrentar quatro desafios, a saber: ampliação da capacidade de oferta para enfrentar uma demanda em expansão, mantendo-se o controle sobre a inflação; preservar a robustez do balanço de pagamentos brasileiro; elevar a capacidade de inovação das empresas brasileiras; e ampliar as condições de acesso a mercados para micro e pequenas empresas, o que corrobora essa perspectiva.
  5. Ea afirmação contida em relatório de 1998 do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) de que bastaria estabelecer um ambiente macroeconômico favorável para que as forças autônomas do mercado se encarregassem de transformar nosso país em importante base de produção industrial do mundo, corrobora essa perspectiva.
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GabaritoE — a afirmação contida em relatório de 1998 do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) de que bastaria estabelecer um ambiente macroeconômico favorável para que as forças autônomas do mercado se encarregassem de transformar nosso país em importante base de produção industrial do mundo, corrobora essa perspectiva.

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Política Industrial Brasileira no Período Liberalizante (1990-2000)

Gabarito: letra E. A corrente que defende o abandono da política industrial nos anos 1990 e início do século XXI é corroborada pela visão, expressa em relatório do IEDI de 1998, de que bastaria um ambiente macroeconômico favorável para o mercado impulsionar a industrialização, sem necessidade de intervenção estatal ativa. As demais alternativas ou se referem a políticas que contrariam essa tese ou a planos de períodos anteriores.

Alternativa

Afirmação sobre a tese de abandono da política industrial

Período/Contexto

Corrobora a tese?

Motivo

A

Documento "Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior" (1º gov. FHC) enumera instrumentos de política industrial.

Anos 1990

❌ Não

O documento representa uma política industrial explícita, contrariando a tese de abandono.

B

I PND (governo Médici) elenca grandes programas de investimento em infraestrutura e indústrias básicas.

Década de 1970

❌ Não

O plano é anterior ao período liberalizante, não se aplicando à análise do contexto dos anos 1990/2000.

C

PAC (1ª fase, 2007-2010) foca apenas infraestrutura urbana, sem impacto industrial.

2007-2010

❌ Não

O PAC incluiu investimentos em energia, logística e infraestrutura social que afetam a produção industrial, contrariando a tese.

D

PDP (2008) propõe enfrentar desafios como ampliação da oferta, inovação e acesso a mercados.

2008

❌ Não

A PDP é uma política industrial ativa, contrariando a tese de abandono.

E

Relatório do IEDI (1998) defende que ambiente macroeconômico favorável basta para o mercado impulsionar a industrialização.

1998

✅ Sim

A visão de não intervenção estatal ativa corrobora a tese de abandono da política industrial.

Análise das Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o documento "Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior" do primeiro governo FHC corrobora a perspectiva de abandono da política industrial. Na verdade, esse documento enumerou instrumentos como investimento, capacitação tecnológica e apoio a PMEs, o que contraria a tese, pois representa uma política industrial explícita. O erro é inverter o sentido do documento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Menciona o I PND (Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento), que é do governo Médici (1972), anterior ao período liberalizante. O I PND foi um plano de desenvolvimento com grandes investimentos em infraestrutura e indústrias básicas, mas não se aplica ao contexto dos anos 1990. Portanto, não pode contrariar nem corroborar a afirmação sobre o período recente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o PAC (2007-2010) focava apenas infraestrutura urbana sem impacto industrial. Na realidade, o PAC incluiu investimentos em energia, logística e infraestrutura social que afetam diretamente a produção industrial. Além disso, o PAC é uma política de desenvolvimento, o que contraria a tese de abandono. A afirmação está errada ao minimizar o alcance do programa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada em 2008, propôs enfrentar desafios como ampliação da capacidade de oferta, inovação e acesso a mercados. Trata-se de uma política industrial ativa, que contraria a perspectiva de que o país teria abandonado essa ideia. A alternativa erra ao afirmar que a PDP corrobora a tese.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O relatório do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) de 1998 defende que a criação de um ambiente macroeconômico favorável (estabilidade, juros baixos, câmbio competitivo) seria suficiente para que as forças de mercado transformassem o Brasil em uma base industrial importante. Essa visão corrobora a corrente que afirma o abandono de uma política industrial ativa, pois atribui ao mercado, e não ao Estado, o papel de coordenar o desenvolvimento industrial.

Gabarito: letra E.

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