Política Industrial Brasileira no Período Liberalizante (1990-2000)
Gabarito: letra E. A corrente que defende o abandono da política industrial nos anos 1990 e início do século XXI é corroborada pela visão, expressa em relatório do IEDI de 1998, de que bastaria um ambiente macroeconômico favorável para o mercado impulsionar a industrialização, sem necessidade de intervenção estatal ativa. As demais alternativas ou se referem a políticas que contrariam essa tese ou a planos de períodos anteriores.
Alternativa | Afirmação sobre a tese de abandono da política industrial | Período/Contexto | Corrobora a tese? | Motivo |
|---|
A | Documento "Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior" (1º gov. FHC) enumera instrumentos de política industrial. | Anos 1990 | ❌ Não | O documento representa uma política industrial explícita, contrariando a tese de abandono. |
B | I PND (governo Médici) elenca grandes programas de investimento em infraestrutura e indústrias básicas. | Década de 1970 | ❌ Não | O plano é anterior ao período liberalizante, não se aplicando à análise do contexto dos anos 1990/2000. |
C | PAC (1ª fase, 2007-2010) foca apenas infraestrutura urbana, sem impacto industrial. | 2007-2010 | ❌ Não | O PAC incluiu investimentos em energia, logística e infraestrutura social que afetam a produção industrial, contrariando a tese. |
D | PDP (2008) propõe enfrentar desafios como ampliação da oferta, inovação e acesso a mercados. | 2008 | ❌ Não | A PDP é uma política industrial ativa, contrariando a tese de abandono. |
E | Relatório do IEDI (1998) defende que ambiente macroeconômico favorável basta para o mercado impulsionar a industrialização. | 1998 | ✅ Sim | A visão de não intervenção estatal ativa corrobora a tese de abandono da política industrial. |
Análise das Alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o documento "Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior" do primeiro governo FHC corrobora a perspectiva de abandono da política industrial. Na verdade, esse documento enumerou instrumentos como investimento, capacitação tecnológica e apoio a PMEs, o que contraria a tese, pois representa uma política industrial explícita. O erro é inverter o sentido do documento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Menciona o I PND (Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento), que é do governo Médici (1972), anterior ao período liberalizante. O I PND foi um plano de desenvolvimento com grandes investimentos em infraestrutura e indústrias básicas, mas não se aplica ao contexto dos anos 1990. Portanto, não pode contrariar nem corroborar a afirmação sobre o período recente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o PAC (2007-2010) focava apenas infraestrutura urbana sem impacto industrial. Na realidade, o PAC incluiu investimentos em energia, logística e infraestrutura social que afetam diretamente a produção industrial. Além disso, o PAC é uma política de desenvolvimento, o que contraria a tese de abandono. A afirmação está errada ao minimizar o alcance do programa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada em 2008, propôs enfrentar desafios como ampliação da capacidade de oferta, inovação e acesso a mercados. Trata-se de uma política industrial ativa, que contraria a perspectiva de que o país teria abandonado essa ideia. A alternativa erra ao afirmar que a PDP corrobora a tese.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O relatório do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) de 1998 defende que a criação de um ambiente macroeconômico favorável (estabilidade, juros baixos, câmbio competitivo) seria suficiente para que as forças de mercado transformassem o Brasil em uma base industrial importante. Essa visão corrobora a corrente que afirma o abandono de uma política industrial ativa, pois atribui ao mercado, e não ao Estado, o papel de coordenar o desenvolvimento industrial.
Gabarito: letra E.