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Questão de História — História do Brasil — FCC 2018

HistóriaHistória do Brasil
Código
fc050559
Banca
FCC
Órgão
TRT - 2ª REGIÃO (SP)
Ano
2018
Cargo
Analista Judiciário - História
A 'Revolução de 1930' tornou-se marco periodizador da história republicana brasileira, rompendo com a 'República Velha', denominação pejorativa, forjada e imposta pelos protagonistas vencedores, que se julgavam portadores de um novo tempo. Tais protagonistas buscaram ampliar o significado da Revolução, numa perspectiva que visava ultrapassar a mera disputa pelo poder político entre grupos oligárquicos. Por exemplo, em discurso de 23 de fevereiro de 1931, Vargas ressaltava: Precisamos convir que a obra da Revolução, além de ser vasta obra de transformação social, política e econômica, é, também, nacionalista no bom sentido do termo.(Adaptado de: LUCA, Tânia Regina de. Verbete no Dicionário de datas da história do Brasil. São Paulo: Contexto, 2007)Essa versão, apresentando o movimento vitorioso em 1930 como marco inaugural de uma nova etapa no quadro das relações econômicas, sociais e políticas no Brasil, é contestada nas interpretações de autores como
  1. AAzevedo Amaral e Paula Beiguelman.
  2. BFrancisco Weffort e Nelson Werneck Sodré.
  3. CBoris Fausto e Francisco Weffort.
  4. DCaio Prado Júnior e Manuel Correia de Andrade.
  5. EEdgar de Decca e Nelson Werneck Sodré.
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GabaritoC — Boris Fausto e Francisco Weffort.

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Revolução de 1930: interpretações historiográficas

Gabarito: letra C (Boris Fausto e Francisco Weffort). Os autores Boris Fausto e Francisco Weffort são conhecidos por contestarem a visão da Revolução de 1930 como uma ruptura total com a República Velha, enfatizando continuidades oligárquicas e a recomposição das elites. As demais alternativas ou incluem autores que não fazem essa crítica (Azevedo Amaral, por exemplo, era defensor do regime) ou não são os principais representantes dessa corrente interpretativa.

A questão exige do candidato o conhecimento da historiografia sobre a Revolução de 1930. A versão oficial dos vencedores – que a apresentava como marco de transformação social, política e econômica – foi relativizada por uma geração de historiadores e cientistas sociais. Boris Fausto, em obras como A Revolução de 1930: Historiografia e História, e Francisco Weffort, em O Populismo na Política Brasileira, mostram que o movimento de 1930 não rompeu com a estrutura agrário-exportadora nem com o domínio das oligarquias regionais, mas sim promoveu uma recomposição do bloco no poder.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Azevedo Amaral foi um intelectual orgânico do regime varguista, defensor do Estado Novo, e Paula Beigelmann é conhecida por seus estudos sobre a política do café, mas não como contestadora da versão de ruptura. Portanto, não são os autores que contestam a visão de 1930 como marco inaugural.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Francisco Weffort está correto, mas Nelson Werneck Sodré – embora seja um importante historiador marxista que analisou a Revolução de 1930 como uma revolução burguesa – não integra o par mais característico da contestação. O gabarito aponta o par Fausto-Weffort como o mais emblemático.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Boris Fausto e Francisco Weffort são os autores que mais sistematicamente contestaram a versão oficial, mostrando as continuidades entre a República Velha e o pós-1930. Fausto destaca a manutenção da estrutura econômica agrária; Weffort, a recomposição do domínio oligárquico sob nova roupagem política.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Caio Prado Júnior é um clássico da historiografia marxista, mas sua obra principal (O Sentido da Colonização) analisa a formação colonial, não especificamente a Revolução de 1930. Manuel Correia de Andrade estudou o Nordeste, mas não é referência central nesse debate.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Edgar de Decca é um historiador que problematiza a memória da Revolução de 1930, mas o par mais consolidado na oposição à versão oficial é Fausto e Weffort. A inclusão de Nelson Werneck Sodré repete o problema da alternativa B.

Gabarito: letra C

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