Revolução de 1930: interpretações historiográficas
Gabarito: letra C (Boris Fausto e Francisco Weffort). Os autores Boris Fausto e Francisco Weffort são conhecidos por contestarem a visão da Revolução de 1930 como uma ruptura total com a República Velha, enfatizando continuidades oligárquicas e a recomposição das elites. As demais alternativas ou incluem autores que não fazem essa crítica (Azevedo Amaral, por exemplo, era defensor do regime) ou não são os principais representantes dessa corrente interpretativa.
A questão exige do candidato o conhecimento da historiografia sobre a Revolução de 1930. A versão oficial dos vencedores – que a apresentava como marco de transformação social, política e econômica – foi relativizada por uma geração de historiadores e cientistas sociais. Boris Fausto, em obras como A Revolução de 1930: Historiografia e História, e Francisco Weffort, em O Populismo na Política Brasileira, mostram que o movimento de 1930 não rompeu com a estrutura agrário-exportadora nem com o domínio das oligarquias regionais, mas sim promoveu uma recomposição do bloco no poder.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Azevedo Amaral foi um intelectual orgânico do regime varguista, defensor do Estado Novo, e Paula Beigelmann é conhecida por seus estudos sobre a política do café, mas não como contestadora da versão de ruptura. Portanto, não são os autores que contestam a visão de 1930 como marco inaugural.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Francisco Weffort está correto, mas Nelson Werneck Sodré – embora seja um importante historiador marxista que analisou a Revolução de 1930 como uma revolução burguesa – não integra o par mais característico da contestação. O gabarito aponta o par Fausto-Weffort como o mais emblemático.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Boris Fausto e Francisco Weffort são os autores que mais sistematicamente contestaram a versão oficial, mostrando as continuidades entre a República Velha e o pós-1930. Fausto destaca a manutenção da estrutura econômica agrária; Weffort, a recomposição do domínio oligárquico sob nova roupagem política.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Caio Prado Júnior é um clássico da historiografia marxista, mas sua obra principal (O Sentido da Colonização) analisa a formação colonial, não especificamente a Revolução de 1930. Manuel Correia de Andrade estudou o Nordeste, mas não é referência central nesse debate.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Edgar de Decca é um historiador que problematiza a memória da Revolução de 1930, mas o par mais consolidado na oposição à versão oficial é Fausto e Weffort. A inclusão de Nelson Werneck Sodré repete o problema da alternativa B.
Gabarito: letra C