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Questão de História — História Geral — FCC 2018

HistóriaHistória Geral
Código
fc050563
Banca
FCC
Órgão
TRT - 2ª REGIÃO (SP)
Ano
2018
Cargo
Analista Judiciário - História
Apesar do pioneirismo de Alcântara Machado na utilização de inventários como fonte para a história (Vida e morte do bandeirante foi publicado em 1929), é nas décadas de 1960 e 1970, em razão das novas tendências da historiografia, que os pesquisadores brasileiros passam a utilizar os arquivos judiciais de modo mais sistemático. Tal fenômeno está relacionado com
  1. Aa própria natureza dos processos judiciais, cuja estrutura dialógica põe em cena litigantes de diferentes extratos sociais e estimula uma multiplicidade de versões e abordagens.
  2. Bo abandono e o descrédito de fontes discursivas e generalizantes, como a legislação, os relatórios administrativos e os relatos de viajantes.
  3. Ca criação dos cursos superiores de Arquivologia, formando bacharéis que passaram a produzir instrumentos de acesso aos arquivos do Poder Judiciário.
  4. Das recomendações do Conselho Internacional de Arquivos e dos organismos que o representam no Brasil: associações profissionais e Conselho Nacional de Arquivos (Conarq).
  5. Ea Lei de Acesso à Informação, liberando os arquivos dos órgãos judiciais dos prazos de confidencialidade e de sigilo que incidiam sobre a grande maioria dos processos por eles acumulados.
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GabaritoA — a própria natureza dos processos judiciais, cuja estrutura dialógica põe em cena litigantes de diferentes extratos sociais e estimula uma multiplicidade de versões e abordagens.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Historiografia brasileira e fontes judiciais

Gabarito: letra A. A partir das décadas de 1960 e 1970, a historiografia, influenciada pela Nouvelle Histoire e pela micro-história, passou a valorizar fontes que revelassem as experiências de grupos subalternos e a multiplicidade de versões. Os processos judiciais, por sua estrutura dialógica (contraditório), permitem captar litigantes de diferentes extratos sociais e oferecem uma pluralidade de discursos, o que os tornou atrativos para os pesquisadores.

A questão testa a compreensão das transformações metodológicas da História Nova e a valorização de fontes não tradicionais. O fenômeno descrito não decorre de inovações institucionais (cursos de arquivologia, recomendações internacionais) nem de leis posteriores, mas sim de uma mudança de paradigma historiográfico.

  1. 1Nouvelle Histoire e micro-história (1960-70)
  2. 2Busca por fontes de grupos subalternos
  3. 3Processos judiciais: estrutura dialógica
  4. 4Litigantes de diferentes extratos sociais
  5. 5Multiplicidade de versões e abordagens
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve exatamente a natureza dos processos judiciais como fonte histórica: eles são dialógicos, colocam em cena litigantes de diferentes origens sociais e estimulam uma multiplicidade de versões. Foi esse potencial que atraiu os historiadores a partir dos anos 1960/70, alinhado à História Nova e à história vista de baixo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não houve abandono ou descrédito de fontes discursivas e generalizantes (leis, relatórios, relatos de viajantes). Essas fontes continuaram a ser usadas, mas passaram a ser complementadas por outras, como os arquivos judiciais. A historiografia não descartou um tipo de fonte em prol de outro; ampliou o leque.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os cursos superiores de Arquivologia no Brasil começaram a surgir na década de 1970, mas sua criação não foi a causa do uso sistemático dos arquivos judiciais pelos historiadores. A demanda historiográfica veio antes e impulsionou o acesso, e os arquivistas posteriormente facilitaram a organização, mas não foram o motor inicial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Conselho Internacional de Arquivos (ICA) foi criado em 1948, mas suas recomendações para abertura de arquivos judiciais e a atuação de órgãos brasileiros como o Conarq (criado em 1991) são posteriores ao movimento historiográfico dos anos 1960/70. A influência desses organismos veio depois, não no período mencionado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) é de 2011, muito posterior às décadas de 1960/70. Não pode ter sido o fator que impulsionou o uso sistemático dos arquivos judiciais naquele período. Além disso, muitos processos judiciais antigos já eram públicos; o sigilo se aplicava a casos específicos.

PEGA ESSA DICA!

Ao estudar a historiografia brasileira, lembre-se de que o uso de fontes judiciais (inventários, processos criminais, cíveis) foi impulsionado pela Nova História, que valorizava o indivíduo comum e a pluralidade de relatos. Associa-se a autores como Alcântara Machado (pioneiro nos anos 1920), mas a sistematização ocorreu nas décadas de 1960/70 sob influência de correntes como a micro-história italiana (Ginzburg, Levi) e a história social inglesa (Thompson).

Gabarito: letra A.

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