Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
Português›Interpretação de Textos
Código
fc050988
Banca
FCC
Órgão
TRT - 2ª REGIÃO (SP)
Ano
2018
Cargo
Técnico Judiciário - Área Administrativa
"Sente os pés no chão", diz a instrutora, com a voz serena de quem há décadas deve sentir os pés no chão, "sente a respiração”. (1° parágrafo)Esse trecho está corretamente reescrito, com o discurso direto substituído pelo indireto, conservando-se o sentido e a correspondência com o restante do texto, em:
AA instrutora disse com a voz serena de quem há décadas deve sentir os pés no chão, para que sentisse os pés no chão e sentisse a respiração.
BDizia a instrutora, com a voz serena de quem há décadas deve sentir os pés no chão: – Sinta os pés no chão, sinta a respiração.
CCom a voz serena de quem há décadas deve sentir os pés no chão, a instrutora diz para sentir os pés no chão e sentir a respiração.
DDiz a instrutora, com a voz serena de quem há décadas deve sentir os pés no chão que sente os pés no chão e sente a respiração.
EA instrutora com a voz serena de quem há décadas deve sentir os pés no chão, disse que sentiria os pés no chão e sentiria a respiração.
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GabaritoC — Com a voz serena de quem há décadas deve sentir os pés no chão, a instrutora diz para sentir os pés no chão e sentir a respiração.
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Reescrita de discurso direto para indireto — foco no sentido e na correspondência textual
Gabarito: letra C. A única alternativa que transpõe corretamente o imperativo do discurso direto para o indireto, mantendo o tempo presente do verbo elocutivo e o sentido de instrução, é a que usa a estrutura "diz para + infinitivo".
No trecho original, a instrutora fala no presente histórico ("diz") e usa o imperativo "sente". A transposição deve conservar o tempo narrativo e transformar a ordem em uma oração subordinada. A forma "diz para sentir" é equivalente a "diz que se sinta", mas com o infinitivo impessoal, comum na língua coloquial culta, e preserva a ideia de que a instrutora está instruindo o interlocutor.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Troca o presente "diz" pelo pretérito "disse", o que quebra a correspondência com o restante do texto (que mantém o presente histórico). Além disso, usa a locução final "para que sentisse", que não é a transposição canônica do imperativo (deveria ser "que sentisse") e insere uma ideia de finalidade que não está no original.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Mantém o discurso direto (travessão e imperativo "sinta"), não atendendo ao comando que pede discurso indireto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Mantém o verbo elocutivo no presente ("diz"), em harmonia com o texto.
Transpõe o imperativo para a estrutura "para + infinitivo" ("para sentir"), que é uma forma legítima de discurso indireto em português, equivalente a "diz que sintam" ou "diz que se sinta", mas com sujeito indeterminado (o interlocutor).
Conserva a expressão "com a voz serena..." e o sentido geral da fala.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A construção "diz [...] que sente" gera ambiguidade: pode ser interpretada como uma afirmação sobre a instrutora ("ela sente os pés no chão"), e não como uma instrução. O sentido de ordem se perde.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Altera o tempo do verbo elocutivo para o pretérito ("disse"), rompendo a correspondência temporal.
Transpõe o imperativo para o futuro do pretérito ("sentiria"), que não é a forma adequada. O imperativo deve ser transposto para pretérito imperfeito do subjuntivo ("sentisse") ou, como em C, para o infinitivo impessoal com "para". O futuro do pretérito expressa um fato futuro em relação ao passado, não uma ordem.
Conclusão: Apenas a alternativa C respeita as regras de transposição do discurso direto para o indireto no contexto do texto, mantendo o tempo presente, o sentido imperativo e a fluência da narrativa.
PEGA ESSA DICA!
Ao transpor do direto para o indireto, verifique quatro pontos: (1) o tempo do verbo elocutivo deve ser mantido (presente com presente, pretérito com pretérito); (2) o imperativo vira pretérito imperfeito do subjuntivo ("que sentisse") ou infinitivo com "para"; (3) pronomes e advérbios são ajustados (1ª → 3ª pessoa, "aqui" → "ali"); (4) o sentido de ordem/pedido deve permanecer claro.