A repetição de "Inspira, expira" e o conflito entre instrução e divagação
Gabarito: letra B. A repetição do comando "Inspira, expira" não simboliza concentração plena, mas sim o contraste entre a orientação da instrutora e a dificuldade real do autor em meditar, que se perde em conjecturas sobre a ansiedade moderna. A passagem "o narrador dentro da minha cabeça fala mais alto" comprova que ele não consegue se focar; ao contrário, divaga sobre a condição ansiosa da sociedade.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a repetição simboliza o ato de concentrar-se no aqui e agora realizado plenamente pela instrutora e reproduzido pelo autor. O texto, porém, mostra que o autor não reproduz essa concentração: ele se entrega a reflexões alheias ao comando. Exemplo: "Eis então que no início do terceiro milênio..." – isso demonstra divagação, não foco. Erro: contradiz o texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A repetição textual de "Inspira, expira" realça a dificuldade do autor em meditar, pois, sempre que a instrutora fala, ele se lança em reflexões sobre a ansiedade contemporânea. O texto explicita essa dificuldade: "o narrador dentro da minha cabeça fala mais alto" e a sequência de pensamentos sobre o lagarto, a selfie, etc. Assim, a repetição representa textualmente a dificuldade e as conjecturas sobre a ansiedade generalizada. Tudo está ancorado no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que a repetição enfatiza o esforço do autor que tem resultado esperado (meditar). O texto, porém, mostra o oposto: o autor não atinge o estado meditativo; ele permanece ansioso e distraído. A esperança de um dia comer o macarrão fica para o futuro, não é um resultado presente. Erro: contradiz o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o autor realiza o comando inicialmente de forma mecânica e depois consciente. Não há no texto qualquer progressão desse tipo. O autor nunca abandona as divagações; ele permanece "sempre ocupado" mentalmente. Erro: extrapolação (não há base textual).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sugere tom de deboche e ceticismo quanto à meditação. O autor, na verdade, demonstra esperança: "me dá a esperança de que também eu, um dia, aprenderei a comer o macarrão". O tom não é de deboche, mas de reconhecimento da dificuldade e desejo de superá-la. Erro: contradiz o texto.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente no texto é a B. A repetição de "Inspira, expira" funciona como contraponto às divagações do autor, evidenciando sua dificuldade em meditar e sua tendência a analisar a ansiedade coletiva.