Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2018
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Código
fc051663
Banca
FCC
Órgão
FCRIA-AP
Ano
2018
Não existem tantos cronistas porque existia uma misteriosa predisposição no público pela crônica, acho que foram os bons cronistas que criaram o mercado. (2° parágrafo)Uma nova redação para a frase acima, em que se mantêm a correção e, em linhas gerais, o sentido, encontra-se em:
ANão há tantos cronistas, pois havia uma inclinação inexplicável do público pela crônica; assim, penso que foram os bons cronistas a criarem o mercado.
BUma vez que existia um inexplicável pendão da crônica em relação ao público, não existem tantos cronistas, dos quais, quanto a mim, foram os bons que criaram o mercado.
CComo não existissem tantos cronistas, já que havia uma insuspeita inclinação dos leitores para a crônica, acho que os bons cronistas é que fizeram florescer o mercado.
DUm público e misterioso pendor pela crônica não fez com que existissem tantos cronistas, a fim de que, conforme penso, os bons criassem o mercado.
EUma enigmática inclinação do público em relação à crônica não é a causa de existirem tantos cronistas; ao contrário, penso que os bons cronistas é que desenvolveram o mercado.
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GabaritoE — Uma enigmática inclinação do público em relação à crônica não é a causa de existirem tantos cronistas; ao contrário, penso que os bons cronistas é que desenvolveram o mercado.
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Reescrita de frase mantendo sentido e correção
Gabarito: letra E. A frase original do 2º parágrafo apresenta uma construção ambígua: "Não existem tantos cronistas porque existia uma misteriosa predisposição no público pela crônica, acho que foram os bons cronistas que criaram o mercado." Pelo contexto, Verissimo nega que a predisposição seja a causa da quantidade de cronistas; ao contrário, ele atribui o fenômeno aos bons cronistas. A alternativa E capta exatamente essa negação da causa e introduz o contraponto com "ao contrário", mantendo o sentido e a correção gramatical. As demais alternativas alteram a relação lógica ou invertem os termos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Não há tantos cronistas, pois havia uma inclinação inexplicável do público pela crônica; assim, penso que foram os bons cronistas a criarem o mercado."
A conjunção "pois" e o advérbio "assim" estabelecem uma relação de causa e consequência que não existe no original. Na frase original, a primeira parte é uma causa negada; aqui, a inclinação aparece como causa real, e o trecho final como consequência. Erro: troca da relação lógica (a causa passa a ser afirmada, não negada).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Uma vez que existia um inexplicável pendão da crônica em relação ao público, não existem tantos cronistas, dos quais, quanto a mim, foram os bons que criaram o mercado."
Além de a expressão "pendão da crônica em relação ao público" inverter o sentido (original: público em relação à crônica), a estrutura "uma vez que" indica causa, e o restante confunde a relação de posse com "dos quais". O sentido fica prejudicado. Erro: inversão do sujeito da inclinação e uso inadequado de conectivos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Como não existissem tantos cronistas, já que havia uma insuspeita inclinação dos leitores para a crônica, acho que os bons cronistas é que fizeram florescer o mercado."
Aqui, "como não existissem tantos cronistas" estabelece uma causa (a inexistência de muitos cronistas) que é explicada por "já que" (a inclinação). No original, a inclinação é apresentada como falsa causa. Além disso, a conclusão final (os bons cronistas fizeram florescer) não se opõe à ideia anterior, mas a complementa. Erro: inversão da relação causa-efeito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Um público e misterioso pendor pela crônica não fez com que existissem tantos cronistas, a fim de que, conforme penso, os bons criassem o mercado."
A locução "a fim de que" expressa finalidade, que não existe no original. O sentido original é de causa negada e contraste, não de propósito. Erro: acréscimo de relação de finalidade inexistente.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Uma enigmática inclinação do público em relação à crônica não é a causa de existirem tantos cronistas; ao contrário, penso que os bons cronistas é que desenvolveram o mercado."
A alternativa preserva a negação da causalidade ("não é a causa") e introduz corretamente o contraponto com "ao contrário", que retoma a ideia do original ("acho que foram os bons cronistas que criaram o mercado"). A expressão "enigmática inclinação" equivale a "misteriosa predisposição". Mantém-se a correção gramatical e o sentido geral.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever frases com negação de causa, preste atenção se a nova redação nega a relação causal ou a afirma. O padrão "não A porque B" frequentemente exige uma paráfrase que negue B como causa de A.