Inferência sobre o sentido variável de vida privada
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que pode ser inferida do texto. O autor afirma que “não é certo que seu contorno tenha o mesmo sentido em todos os meios sociais” (2º parágrafo), o que permite deduzir que, para camponeses, operários ou camadas baixas da Belle Époque, o conceito de “privado” seria diferente do burguês, já que suas condições materiais não permitiam erguer o “muro” que separava a vida privada da pública.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto não estabelece a vida pública como “contraponto obrigatório” nem diz que seus contornos são inflexíveis. A afirmação extrapola o conteúdo, acrescentando ideias não sustentadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A discussão limita-se à sociedade francesa do século XX; não há referência a “distintos países” nem a “subordinação ao regime político”. É uma extrapolação temática.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora a burguesia da Belle Époque não tivesse dúvidas quanto à separação, o texto não a apresenta como “padrão a ser adotado”. Além disso, generaliza ao falar em “grupo francês” – o texto destaca a variação entre meios sociais, não entre nacionalidades.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O texto afirma expressamente que a vida privada é uma “realidade histórica”, não natural ou universal. Portanto, o conceito não tem “valor universal”; a alternativa contradiz a tese central.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“não é certo que seu contorno tenha o mesmo sentido em todos os meios sociais”
A partir dessa passagem, infere-se que, se os burgueses podiam isolar sua vida privada, outros grupos – que não dispunham das mesmas condições – teriam uma noção diferente de privacidade. A inferência é legítima porque se apoia em pista textual clara, sem extrapolar.
Gabarito: letra E