Questão de Direito Tributário — Questões Propedêuticas — FCC 2018
- Código
- fc052308
- Banca
- FCC
- Órgão
- TCE-RS
- Ano
- 2018
- AI e III.
- BII e III.
- CI, III e IV.
- DII e IV.
- EI, II e IV.
GabaritoC — I, III e IV.
Gabarito: alternativa C (itens I, III e IV corretos). A questão exige conhecimento das características do sistema tributário nacional: a complexidade é amplamente reconhecida, a regressividade decorre dos impostos indiretos (e não diretos como afirma o item II), o dilema do federalismo fiscal é uma noção clássica, e a evolução histórica mostra ampliação de bases e racionalização.
A afirmação é verdadeira. Estudos internacionais (como o relatório Doing Business do Banco Mundial) apontam o Brasil como um dos países onde as empresas gastam mais tempo com obrigações tributárias acessórias. O conteúdo de apoio destaca a complexidade do sistema, corroborando o item.
O erro está em atribuir a regressividade ao “excesso de impostos diretos”. Na realidade, a regressividade da carga tributária brasileira decorre dos impostos indiretos (ICMS, IPI, ISS, PIS, COFINS), que incidem sobre o consumo e oneram proporcionalmente mais as pessoas de baixa renda. Conforme o material de apoio, “os impostos indiretos, particularmente, tendem à regressividade” e “os pobres no Brasil pagam 44% mais imposto, em proporção à sua renda, que os ricos”. Portanto, o item troca a causa: não são os diretos, mas os indiretos que geram a regressividade.
Item | Afirmação | Análise | Correto? |
|---|---|---|---|
I | Complexidade excessiva – estudos internacionais indicam que o Brasil é um dos países onde empresas mais perdem tempo com burocracia tributária | Estudos como o Doing Business (Banco Mundial) confirmam a alta complexidade do sistema tributário brasileiro | ✅ |
II | Carga tributária regressiva – excesso de impostos diretos sobre a renda faz com que quem tem menos renda arque com maior parte dos tributos | Erro: a regressividade decorre dos impostos indiretos (consumo), não dos diretos; estes são progressivos | ❌ |
III | Dilema do federalismo fiscal – equilíbrio entre autonomia financeira/política dos entes e coordenação nacional dos instrumentos fiscais | Descrição precisa do desafio clássico do federalismo fiscal brasileiro | ✅ |
IV | Historicamente, promoveu ampliação das bases tributáveis e racionalização, interferindo cada vez menos no sistema econômico | A evolução histórica mostra ampliação de bases e busca por neutralidade econômica | ✅ |
A banca apresenta uma afirmação que contém um elemento verdadeiro (a carga tributária é regressiva), mas erra a fundamentação (impostos diretos × indiretos). O candidato que conhece a regressividade pode aceitar o item sem perceber a inversão da causa. Fique atento: a regressividade no Brasil está ligada ao consumo, não à renda ou patrimônio.
O dilema do federalismo fiscal é precisamente descrito: conciliar a autonomia financeira e política dos entes federativos (União, Estados, DF e Municípios) com a necessidade de coordenação nacional dos instrumentos fiscais. Esse é um desafio permanente do sistema tributário brasileiro, agravado pela guerra fiscal e pela concentração de competências.
Historicamente, o Brasil ampliou as bases tributáveis (criação de novos tributos, alargamento de incidências) e buscou racionalizar o sistema, com reformas como a de 1965 (que instituiu o IPI, ICM etc.) e a edição do Código Tributário Nacional. Embora a racionalização seja imperfeita, a afirmativa é verdadeira no sentido de que houve esforços nesse sentido, reduzindo a interferência no sistema econômico (ex.: substituição de tributos cumulativos por não cumulativos).
Conclusão: Estão corretos os itens I, III e IV. Portanto, a alternativa que contém APENAS esses itens é a letra C.
Gabarito: letra C
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