Interpretação do ponto de vista em "De cabeça pra baixo"
Gabarito: B. A frase "A missão dessa juventude de hoje é desviar-se da Civilização..." expressa o ponto de vista de quem também diz “Ah, no meu tempo”, e o autor empresta voz a essa convicção, não a endossando pessoalmente.
A chave está no segundo parágrafo, onde o autor descreve o discurso dos saudosistas: “Ah, no meu tempo...” é uma expressão que vale um suspiro e uma acusação. No terceiro parágrafo, ele introduz a ironia: “A ironia é que justamente nesses “desvios” e por conta deles a História caminha, ainda que não se saiba para onde.” A frase sobre a missão da juventude é dita por quem lamenta o presente — o autor a cita para, em seguida, ironizá-la.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase não corresponde à posição pessoal do autor. O autor, na verdade, considera os “desvios” como motores da História, opondo-se à visão negativa expressa na frase.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase é atribuída a quem vive dizendo “Ah, no meu tempo”. O autor empresta voz a essa convicção, ou seja, reproduz o pensamento alheio para criticá-lo em seguida.
“A missão dessa juventude de hoje é desviar-se da Civilização...” — dita por quem crê que o passado era melhor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A frase em si não é irônica para quem a pronuncia; o ironista é o autor. O erro está em dizer que o próprio falante acredita no contrário — ele realmente acredita no que diz.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A frase não é uma “provocação” nem chama os jovens a “apagar deslizes”. É uma constatação lamentosa. O texto não sustenta essa interpretação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há contradição plena com a frase anterior. O texto anterior fala da perda do passado; a frase sobre a missão é coerente com esse lamento, não o contradiz.
Conclusão: A única alternativa que se alinha ao texto é a B, pois identifica corretamente a quem pertence o discurso.
💡 Dica: Em questões de interpretação, desconfie de alternativas que atribuem ao autor opiniões que ele apenas reproduz. A ironia é um sinal de que o autor não endossa a fala citada.