Acerca do endividamento público, está correto afirmar:
APaíses pobres apresentam maior endividamento absoluto que países ricos.
BO endividamento externo brasileiro é superior ao endividamento interno.
CO maior credor da dívida pública brasileira na atualidade é o Fundo Monetário Internacional - FMI.
DMesmo com superávit primário, poderá ocorrer aumento da dívida pública.
ETanto déficit primário quanto superávit primário apresentam efeitos similares no endividamento público.
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GabaritoD — Mesmo com superávit primário, poderá ocorrer aumento da dívida pública.
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Endividamento Público
Gabarito: letra D. Mesmo quando o governo obtém superávit primário (receitas não financeiras maiores que despesas não financeiras), a dívida pública pode aumentar devido ao pagamento de juros nominais, à correção monetária ou cambial, ou ao reconhecimento de passivos contingentes. O superávit primário reduz o estoque da dívida apenas se for suficiente para cobrir integralmente os juros reais; caso contrário, o resultado nominal ainda será deficitário, elevando o endividamento.
A questão testa a diferença entre resultado primário e resultado nominal, conceitos fundamentais da análise fiscal. Enquanto o primário ignora os juros da dívida, o nominal os inclui. Portanto, superávit primário não garante redução da dívida.
Afirmação
Status
Justificativa
Países pobres apresentam maior endividamento absoluto que países ricos.
❌ Incorreta
Em termos absolutos, países ricos possuem dívidas muito maiores, pois suas economias são maiores e emitem dívida em moeda forte.
O endividamento externo brasileiro é superior ao endividamento interno.
❌ Incorreta
A maior parte da dívida pública brasileira é interna (emitida em reais); o endividamento externo é parcela minoritária.
O maior credor da dívida pública brasileira na atualidade é o FMI.
❌ Incorreta
O FMI é credor eventual; os maiores credores são instituições financeiras domésticas (bancos, fundos de pensão) e investidores estrangeiros.
Mesmo com superávit primário, poderá ocorrer aumento da dívida pública.
✅ Correta
Superávit primário não impede aumento da dívida se os juros nominais (ou ajustes cambiais/patrimoniais) forem maiores que o próprio superávit.
Tanto déficit primário quanto superávit primário apresentam efeitos similares no endividamento público.
❌ Incorreta
Déficit primário tende a aumentar a dívida; superávit primário tende a reduzi-la, mas pode não ser suficiente para cobrir os juros.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que países pobres têm maior endividamento absoluto que países ricos. Em termos absolutos (valor total da dívida), países ricos geralmente possuem dívidas muito maiores, pois suas economias são maiores e emitem dívida em moeda forte. Países pobres podem ter dívida elevada em proporção ao PIB, mas não em valor absoluto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o endividamento externo brasileiro é superior ao endividamento interno. Na realidade, a maior parte da dívida pública brasileira é interna (emitida em reais). O endividamento externo, embora relevante, representa parcela minoritária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o maior credor da dívida pública brasileira é o FMI. O FMI é credor eventual, mas os maiores credores são instituições financeiras domésticas (bancos, fundos de pensão), além de investidores estrangeiros que compram títulos públicos. O FMI atua principalmente como emprestador de última instância em crises.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme explicado, superávit primário não impede aumento da dívida se os juros nominais (ou ajustes cambiais/patrimoniais) forem maiores que o próprio superávit. A fórmula básica é:
Se o resultado primário for positivo (superávit) mas menor que os juros nominais, o resultado nominal será negativo (déficit nominal) e a dívida aumenta. Além disso, variações cambiais e reconhecimento de passivos também podem elevar a dívida independentemente do primário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que déficit e superávit primários têm efeitos similares no endividamento. Na verdade, são opostos: déficit primário eleva a dívida (aumenta o estoque), enquanto superávit primário a reduz (diminui o estoque), tudo o mais constante. Os efeitos são diametralmente opostos.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa E é uma tentativa de confundir o candidato, pois parte da premissa de que ambos os resultados afetam a dívida – o que é verdade – mas omite que os efeitos são contrários. Já a D é contraintuitiva: muitos acreditam que superávit primário sempre reduz a dívida, mas a presença de juros pode reverter essa lógica.